quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Sem Limites: Gnose em Comprimido

Se outrora os antigos hereges procuravam divinizar o homem por meio da magia, recorrendo a encantamentos, poções e amuletos, hoje o instrumento para esse fim é a ciência; sendo o gênero sci-fi um campo privilegiado para especular sobre tais tolices. 

Assisti na última madrugada ao filme Sem Limites (Limitless), tecnicamente falando é um filme muito bom. Todavia não são os aspectos técnicos que me interessam nesta postagem em específico, mas sim o roteiro. A premissa é simples: existe uma droga capaz de ampliar a inteligência humana, tornando possível uma série de reações bioquímicas neuronais e transformando o sujeito num gênio, num super-homem. Que é isso senão um remake da história da poção? Um comprimido milagroso que transformaria o usuário em um gênio, sem necessidade de esforço, estudo e tempo. Se na ficção tal droga é idealizada e seus efeitos hipertrofiados, não significa porém que o recurso a trapaça química inexista na realidade. O leitor já ouviu falar das smart drugs?



Tentador não? Mas, diferente da ficção, essa encrenca ainda não funciona muito bem.

Não digo que seja errado usar das potencialidades da natureza afim de ampliar as capacidades humanas, entretanto, há que se tomar cuidado para que tal desejo não se confunda com uma ilusão gnóstica em busca da divinização da criatura e o transcender por meio da ciência o paradigma do humano. É certo que existe certo potencial pouco explorado em nossa espécie, o qual é lícito desenvolver, mas, existe um limite dado pela natureza, e uma vez violado este limite, as consequências são graves tanto para o corpo como para a alma. O oráculo apocalíptico pode parecer demasiado abstrato, então pensemos em termos concretos: os esteroides usados por alguns desportistas que, embora elevem sua capacidade física a níveis extraordinários, cobram um preço elevado deixando em fiapos a sua saúde do usuário.

Na data em que escrevo estas linhas vivemos o tempo do advento nas proximidades da celebração do santo natal, onde se recorda o admirável mistério da Encarnação: Deus assumiu a condição humana, com todas as suas fraquezas e fragilidades, para nos redimir. Não é, no mínimo contrastante, que queiramos nós abandonar a humanidade quando o próprio Deus a assumiu em sua plenitude?

Pensemos nisso, ao som da música do PROERD.

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