terça-feira, 21 de janeiro de 2020

As Sete Chaves de Satanás - Plínio Salgado


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Em todas as épocas da História em que predominaram civilizações epicuristas apresentaram-se os aspectos mais tenebrosos da miséria popular, da opressão dos humildes, da sua revolta suscitada pelo ateísmo que os gozadores lhes ensinam.

Tanto mais se quer, menos se dá, porque mais se tenha menos se avaliará o que significa o não ter, sendo este grave perigo que correm as almas dos ricos. Grande perigo para as almas e grande instrumento de castigo social. Porque esta cegueira e esta surdez do coração não permitem escutar o tropel das revoluções e, entretanto, elas se aproximam das sociedades esquecidas de Deus.

Abrem-lhe as portas aqueles mesmos que ela procura destruir. Abrem-lhe as portas com as sete chaves com que trancaram os corações. Estas chaves que são forjadas com o mesmo metal dos sete pecados capitais, tomam hoje as formas das loucuras modernas que se chamam: Irreligiosidade, Sensualismo, Ambição, Indisciplina, Orgulho, Desunião, Impenitência.

A Irreligiosidade não permitirá que se distinga o Bem do Mal e como este se apresenta quase sempre com as roupas do Bem, será recebido.

O Sensualismo folgará com as doutrinas e regimes que facultem libertação de peias morais e, trazendo estes a destruição da família, o homem cai no individualismo e fica indefeso em face do Estado absorvente ao qual não poderá opor nenhum argumento a favor da sua liberdade.

A Ambição impedirá de ver outra coisa além do próprio interesse e, por ela, o homem nega-se a colaborar em tudo aquilo que representa a defesa da sociedade, uma vez que não ganha dinheiro, nem prazeres com isso; e os males destrutores da sociedade acabam solapando-lhe a casa.

A Indisciplina leva-o a revoltar-se contra os mandamentos de Deus e da Igreja e contra as hierarquias familiares e públicas inspiradas nos princípios que a mesma Igreja manda respeitar e assim se enfraquece a ordem moral e a ordem social, expondo-se a Nação à anarquia de que se aproveitam os aventureiros e déspotas, disfarçados em libertadores.

O Orgulho a si mesmo se outorga carta de habilitação em todos os assuntos, sorri das advertências que se lhe fazem e entrega-se de mãos atadas a quem melhor o lisonjeie, e desse modo a intrujice, que hoje campeia a alardear foros de cidadania, facilmente o convence com aquilo que o imortal gênio de Shakespeare profeticamente denominou "caviar para a plebe", pois lábios bem untados de lisonjas são lábios que dizem sim.

A Desunião é filha da vaidade fátua e da ausência do espírito do cristianismo, tendo o próprio Jesus dito que toda a casa dividida é casa destruída; e se nas épocas normais a divisão é um erro, nas horas de perigo constitui uma loucura.

A Impenitência é surda, cega, insensível e paralítica; não ouve a palavra de Deus, não vê os males do mundo, não sente as dores alheias, não se move; chega o inimigo e usa dela como de achas secas de lenha, onde tudo morreu, não prestando senão para ser lançado ao fogo.

-  Plínio Salgado. Primeiro, Cristo!; p.166-168 .

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