sábado, 11 de janeiro de 2020

Santa Burguesia (?)

Há poucos dias foi divulgada um lista a respeito dos livros mais vendidos em 2019[1]; a lista gerou, não sem razão, um verdadeiro furdúncio entre a pretensa nova intelectualidade, tanto católica quanto laica. "-Não há literatura de verdade!'' - vociferavam alguns; ''-A cultura brasileira está se americanizando!'' - lamentavam outros; ''Só dinheirismo, nosso povo está possesso pelo espírito burguês!'' - diagnosticava este que voz escreve, em uma primeira impressão que, embora não fosse incorreta, era deveras incompletas. Confira o leitor a lista dos títulos, e reserve alguns minutos para manifestar suas sinceras reações interiores.
Os 15 livros mais vendidos no Brasil em 2019:

– A Sutil Arte De Ligar O F*da-Se, de Mark Manson
– O Milagre da Manhã, de Hal Elrod
– Do Mil Ao Milhão. Sem Cortar o Cafezinho, de Thiago Nigro
– Seja Foda!, de Caio Carneiro
– Brincando com Luccas Neto, de Luccas Neto
– As Aventuras na Netoland com Luccas Neto, de Luccas Neto
– O Poder da Autorresponsabilidade, de Paulo Viera
– Os Segredos da Mente Milionária, de T. Harv Eker
– Me Poupe!, de Nathalia Arcuri
– O Poder da Ação: Faça sua Vida Ideal Sair do Papel, de Paulo Vieira
– Pai Rico, Pai Pobre – Edição de 20 Anos: Atualizado e Ampliado, de Robert Kiyosaki
– Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie
– Mindset, de Carol S. Dweck
– O Poder do Hábito, de Charles Duhigg
– Mais Esperto Que o Diabo, de Napoleon Hill 

Encolerizou-se, caro leitor? Já pronunciou alguns xingamentos eruditos e outros não tão eruditos assim? Não precisa se sentir culpado, eu fiz a mesma coisa, todavia, é preciso ir além disso. De modo geral os títulos mostram que o público nacional busca por duas coisas: psicologia (barata) e dinheiro. A busca por conteúdo psicológico, autoajuda barata, regrinhas de comportamento, é manifestação de uma alma doente e uma cultura confusa. Em uma cultura sadia as pessoas sabem mais ou menos o que fazer e não precisam recorrer a gurus de ocasião... Provavelmente que quer acha que vai se tornar F*da lendo um livrinho boboca não faz parte do seleto público deste honroso blog, mas vocês podem levar o recado ao gado, essa doença d'alma a qual sofre o brasileiro médio  não há mindset que cure. A cura da alma se dá pela doutrina e pelos sacramentos...  Esqueça as novidades do mercado e vá ler as velharias empeiradas escritas pelos  santos doutores! Dito isto, falemos das verdinhas. O pessoal quer ficar rico. Rico não, milionário! Esse é um desejo bem comum na era capitalista, onde o dinheiro se torna praticamente o único critério de valoração social. Como nobre templário que sou (vai nessa rsrs!), desejaria ver meus compatriotas libertos do espírito burguês, e munidos de heroica valentia no combate cultural contra a modernidade iníqua... Todavia, como nem todos vão ler Plínio Salgado[2], nem nasceram para vida de soldado, resta ao menos rezar para que sejam não apenas bom burgueses, mas santos burgueses. E isso existe? É possível? É sim!

Convido o leitor a abrir a sua bíblia, vamos lá pegue aquela edição de bolso da ave-maria com zíper e capinha de couro... Não tem? Bom, então vou facilitar as coisas para você meu amigo e transcrever o trecho em questão (e vou fazer um favorzão: ainda usar a tradução da Vulgata):

Mas Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos e sua mãe pôs-lhe o nome de Jabes, dizendo: Porque o dei à luz com dor. Ora Jabes invocou o Deus de Israel dizendo: Oh! Se tu me cumulasses de bençãos, dilatasses os meus limites, a tua mão fosse comigo e não permitisses que eu fosse oprimido pela malícia! E Deus concedeu-lhe o que ele pediu. (I Cr 4, 9-10)

''Dilatasses os meus limites'' significa que Jabes estava pedindo que Deus desse prosperidade a seus negócios para que ele expandisse suas propriedades. Ele estava basicamente pedindo prosperidade, posses, dinheiro. E sabe o que é o mais curioso? Deus atendeu sua oração! Eita, é isso mesmo produção? Jabez pediu dinheiro e o Senhor o abençoou? Sim, é assim mesmo. "-Ma-s, que teologia da prosperidade é essa?" Calma, sigamos, vamos sair da antiguidade veterotestamentaria para a idade média, falemos sobre Santo Homobono:

Santo Homobono (Cremona, 1117 — Cremona, 13 de novembro de 1197) é o padroeiro dos empresários, comerciantes, alfaiates e sapateiros, bem como de Cremona, na Itália.

Ele foi canonizado em 1199 a pedido urgente dos cidadãos de Cremona. Ele morreu em 13 de novembro de 1197 e seu dia de festa é comemorado em 13 de novembro.

Ele era um comerciante de Cremona, norte da Itália . Nascido Omobono Tucenghi, ele era um leigo casado que acreditava que Deus havia permitido que ele trabalhasse para poder apoiar pessoas que viviam em estado de pobreza. Seu nome é derivado do bônus homo, latino ("homem bom").

Homobono foi capaz de perseguir esse chamado na vida facilmente como resultado da herança que recebeu de seu pai, um próspero alfaiate e comerciante. Ele praticava seus negócios em Cremona com honestidade escrupulosa. Ele também doou uma grande proporção de seus lucros para o alívio dos pobres.
Homobono era frequentador intenso da igreja, e participava da Eucaristia todos os dias. Enquanto participava da missa, prostrado na forma de uma cruz, em 13 de novembro de 1197, Homobono morreu. Quatorze meses depois, Homobono foi canonizado pelo Papa Inocêncio III . Na bula da canonização, o papa o chamou de "pai dos pobres", "consolador dos aflitos", "assíduo em oração constante", "homem de paz e pacificador", "homem de bom nome e ação", e "esse santo ainda é como uma árvore plantada por correntes de água que produzem frutos em nossos dias". [3]

O que Jabes e Santo Homobono tem em comum? Ambos foram abençoados pelo senhor com a fortuna. E, embora não saibamos muito mais sobre a história de Jabez, com relação ao santo comerciante temos conhecimento o suficiente de sua vida para entender que este usou de seus bens e suas riquezas em favor do reino de Deus, na caridade para com os pobres. Então meu caro amigo, se você tem alma burguesa e aspira antes as riquezas que o combate, ao menos procure imitar Homobono e dar uma generosa e católica serventia a tais bens; ajudando os pobres, patrocinando o bom apostolado, sendo patrono de artistas dignos e piedosos e armando cavalerios templários para uma nova cruzada contra o mundo moderno... Enfim, seja também um empreendedor espiritual, e Deus o recompensará! 

P.S. Encerremos o artigo com algumas lições bíblicas de empreendedorismo 😜

Nenhum comentário:

Postar um comentário