sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Santo Patrono

É comum entre os fiéis colocar seus empreendimentos sob a proteção de um santo patrono, afim de conseguir as bençãos do céu para tais projetos. Já há algum tempo, quando este blog tomou contornos mais sérios, intento fazer o mesmo, entretanto me vejo na grande dificuldade de escolher um, dentre tantos veneráveis. Pois bem, depois de mais de três anos, acho que finalmente consegui tomar uma decisão.

Segundo Chesterton, cada época é convertida pelo santo que mais a contradiz, como sou ''do contra'', tal postulado me pareceu extremamente agradável, e me pus a questão de quem dentre os servos de Deus seria sinal de contradição mais evidente para com está época iníqua; não só para com este quando, mas também para este quando inserido dentro deste onde, da realidade pós-moderna dentro deste país esquecido do terceiro-mundo. Embora considerasse várias hipóteses, a resposta me veio ao rememorar um episódio recente...

Há alguns dias atrás, assisti à missa na catedral diocesana.  É certo que não se trata de nenhuma gótica européia (estou a falar de igrejas e não das mocinhas), mas ainda assim temos a beleza do barroco colonial adornado com belas pinturas. Apesar disso, as missas da qual participei era feia. Feias no que diz respeito a sonoridade: usando de instrumentos e ritmos inadequados e irritadiços. Feias no sentido da letra dos cânticos: sentimentalismo barato. E feia no sentido do conteúdo da homilia onde o padre abusava lugares comuns da oratória midiática e demonstrava pouco conhecimento de exegese bíblica. Foi uma experiência tanto estranha... Se a arquitetura e a natureza do sacramento elevam a alma ao céu e fazem-nos experimentar o outro mundo, a fuzarca litúrgica ''puxa seu pé'' impedindo a ascensão. 

Tendo em vista tal episódio, cheguei a conclusão que ninguém mais contradiz essa época de grande mau gosto senão Santa Cecília. Cecília é a padroeira dos músicos, e, creio eu, o que mais precisamos neste nosso quando e onde é de boa música... Precisamos de boa sonoridade, precisamos de letras poéticas, fundamentadas em boa doutrina, e que expressem a beleza dos céus. Pesquisando ainda mais a respeito desta grande santa, as contradições com realçam ao mundo e aos costumes brasileiros chamam ainda mais atenção: Cecília era de família nobre, uma verdadeira patrícia romana. Desde cedo, Cecília consagrou sua virgindade ao Senhor e manteve seus votos mesmo dentro do casamento que lhe fora imposto, antes a santa fora responsável pela conversão do marido e do cunhado. Sua vida também demonstra extrema valentia ao afrontar as autoridades temporais romanas, zombar da idolatria dos pagãos, e mostrar profundo descaso pela vida terrena, tendo em vista as promessas do céu. Por fim, destaco que após o martírio seu corpo manteve-se incorrupto por mais de um milênio.

Dito isto, imploro a intercessão e proteção de Santa Cecília sobre este blog e seus leitores, e destaco sua vida como modelo e síntese dos ideias perseguidos nesta iniciativa: que este blog se configure em uma melodia sonora e poética para o louvor de Deus, a conversão dos pagãos, o bem das almas, e de toda a santa Igreja. Santa Cecília, rogai por nós!


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