quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Sem Jeito


3ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (2Sm 7,18-19.24-29)
Salmo Responsorial (Sl 131)
Evangelho (Mc 4,21-25)

As leituras de hoje estão perfeitamente harmônicas. No Evangelho, Jesus afirma que ao que tem, será dado ainda mais (Mc 4,25a). É a realidade da generosidade de Deus. No primeira leitura, continuando o contexto da saga de Davi, vemos a reação do rei ao ouvir no oráculo do profeta Natan sobre as gloriosas promessas de Deus a ele e a sua descendência. Davi fica surpreso e até um pouco sem jeito, ante a generosidade divina:
O rei Davi veio apresentar-se ao Senhor e disse-lhe: “Quem sou eu, Senhor Javé, e quem é a minha família, para que me tenhais trazido até aqui? E como se isso parecesse pouco aos vossos olhos, Senhor Javé, fizestes promessas à casa de vosso servo para tempos futuros! Acaso isso é normal para um homem, Senhor Javé? (2Sm, 7 18-19)

A maioria de nós já deve ter experimentado a mesma situação de Davi. E talvez até com mais realismo que o grande rei, podemos nós repetir: <“Quem sou eu, Senhor Javé, e quem é a minha família, para que me tenhais trazido até aqui?>. Deus é tão bom conosco, tanto no âmbito espiritual quanto também no âmbito temporal. Tantas e tantas vezes Ele intervém, nos presenteia com graças e maravilhas que não merecemos de modo algum. Davi, para usar uma expressão contemporânea um tanto cômica, ainda era ''alguém na fila do pão''; era um homem de virtude, um herói de guera, nós não, e entretanto o Senhor ainda assim é tão bom conosco.

É uma sensação estranha, não? Receber algo sabendo que não o merece... É para ficar sem jeito mesmo. Creio que ainda vão alguns bons anos até que aprendamos a expressar a devida gratidão em tal cenário.

Mas, além do que foi dito, há o que não foi dito :P. Se recebermos as bençãos de Deus com humildade, ele nos dará ainda mais, mas se formos como crianças mimadas, se tivermos a ousadia de pensar que Ele "não faz mais que a obrigação", pensar que temos direito a alguma coisa, daí é-nos dirigida as palavras finais do Evangelho de hoje; leiamos com atenção: <e ao que não tem, se lhe tirará até mesmo o tem. (Mc 4,25b)>.

Que mandemos o orgulho catar coquinho, e cultivemos a gratidão, ou caso não nos é possível agradecer adequadamente, ao menos manifestemos essa ''semjeitisse'' tal qual o Rei Davi. Não tenho ideia de como Deus vê essa nossa caipirice desajeitada, mas creio que Nossa Mãe do Céu, a Virgem Santíssima, acharia isso fofo, pois tal atitude nos faz semelhantes a criancinhas, e fora aos pequeninos a quem fora prometido o reino dos céus.

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