sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Peste do Catolicismo Burguês


6ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (Tg 2,14-24.26)
Responsório (Sl 111)
Evangelho (Mc 8,34–9,1)

As seitas e falsas religiões, a perseguição, a imoralidade dos mundanos, são estes males externos que chamam muita atenção. Mas, por seu caráter oculto, a podridão interna, aquele velho catolicismo burguês de meras aparências tão comum nessas terras selvagens, talvez seja tanto mais terrível e perigoso. Que é esse catolicismo burguês? É um fingimento, um teatro, onde o sujeito mais ou menos frequenta culto público e faz questão de ostentar sua identidade como membro da Igreja, porém o faz sem qualquer devoção, ora distorce ora renega totalmente a doutrina para não ter de mudar seu comportamento. Apesar de seu caráter oculto, bem podemos notar a manifestação de tal podridão interna na típica frase ''eu sou católico, mas...''. A fé é uma entrega radical, não há reserva técnica, não há espaço para ''mas''.

A liturgia de hoje nos trás o remédio contra tal podridão. São Tiago exorta a manifestar a fé com a prática de boas obras e prossegue, taxativamente, afirmando que a fé sem obras é morta. O salmista canta em honra ao homem ''caridoso e prestativo'', Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina a tomar a cruz e renunciar a nós mesmos. Organizando de forma pedagógica temos que é pela renúncia de si mesmo somado ao enfrentamento e a tomada corajosa da cruz que o homem se torna caridoso e prestativo, capaz de manifestar sua fé em obras. Ao contrário, se não há essa renúncia do eu, não há obras, a fé morre, e aquela podridão interna do cristianismo burguês expõe toda sua nojeira pulverulenta.

Renunciar a si mesmo significa contrariar o que queremos e sentimos. Fazer algo que não estamos a fim, que nos é custoso e desagradável, por amor a Deus e obediência a sua doutrina. Não há, nesta terra, vida tranquila para o cristão. A agitação impede o parasita de se desenvolver, na tranquilidade burguesa porém, a peste espiritual se desenvolve levando a alma a putrefação.

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