quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Distância Histórica e a Liberdade Cristã


5ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (1Rs 10,1-10)
Responsório (Sl 36)
Evangelho (Mc 7,14-23)

1. Em mais um capítulo da saga de Salomão, a primeira leitura nos apresenta o episódio da visita da rainha de Sabá. Apesar da riqueza de detalhes da escritura, a distância histórica e cultural faz com que tal episódio seja um tanto quanto nebuloso, uma vez que não temos lá muitas experiências análogas no século XXI. Uma rainha chega ao reino, rodeada por sua corte, trazendo presentes e manjares diversos. Quem já viu isso? Lá está você em sua vendinha, e vê uma bela dona, vestida de roupas finas e exóticas, trazendo consigo um cortejo, uma fila imensa de camelos, servos, e malas; é de fato um evento para parar a cidade. E mais, a dona deixou seu reino e empreendeu tal jornada tão somente para conhecer Salomão, o qual tinha fama de sabedoria, e testá-lo com enigmas. Quem hoje viaja só para conhecer um fulano com fama de sábio? Basta assistir uns vídeos do youtube, ler alguns textos seus, ou quando muito, entrar em contato pelas redes sociais.... E mais, testar os outros com enigmas não é uma prática muito comum hoje em dia, não? Para um cristão na época do Império Romano, tal episódio seria mais claro. Havia uma proximidade histórica e cultural... Eis aliás, mais um argumento contra a tolice protestante: a distância histórica e cultural faz com que o texto dos livros sagrados vão se enevoando, de modo que sem uma instituição que conserve seu sentido tradicional e ligue-nos aos tempos remotos, chegaria um tempo em que a Bíblia tornar-se ia incompreensível, exceto para quem tivesse a sabedoria de Salomão, o que não parece ser o caso dos protestontos 😛.

2. No Evangelho de hoje, o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo revoga as antigas proibições étnicas com relação a alimentação. O que pode ou não comer, fica a cargo do individuo e da cultura, sem contudo uma chancela religiosa; sendo a única proibição ainda em voga o consumo de carne humana.

São Paulo insiste muito em contrastar a liberdade cristã com a escravidão judaica ante a Lei. A nova religião estabelecida por Cristo é universal, diferindo das antigas religiões nacionais (incluso a judaica veterotestamentária, que era uma religião verdadeira ao contrário das invencionices pagãs), que, por ser caráter étnico, tinham entre outros encargos, o papel de sacralizar determinadas práticas culturais afim de manter a identidade étnica do povo em questão. Em nossa santa religião, não existem mais leis étnicas, de modo que, não só o indivíduo, como as culturas gozam de grande liberdade. Há, contudo, nestes nossos tempos de confusão e crise de identidade, quem queira submeter o cristianismo a lógica identitária da idade antiga, inventando normas estéticas, gastronômicas e não sei mais o que... Fiquemos atentos a esta tentação, e lembremo-nos com alegria da grande liberdade que nos proporciona a nossa santa religião.

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