quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

''(..) na sua Lei meditará de dia e de noite''


Quinta-feira depois das Cinzas
Primeira Leitura (Dt 30,15-20)
Responsório (Sl 1)
Evangelho (Lc 9,22-25)

Canta o salmista:
Bem aventurado  varão, que não se deixou ir após o conselho dos impios, e que não se deteve no caminho dos peccadores, e que não se assentou na cadeira da pestilencia: Mas a sua vontade está posta na Lei do Senhor, e na sua Lei meditará de dia e de noite. (Sl 1. 1-2)

Já comentei em outras ocasiões sobre o começo do versículo, quero hoje me centrar-me em seu final; isto é:  bem aventurado é todo aquele a qual <sua vontade está posta na Lei do Senhor, e na sua Lei meditará de dia e de noite.>. Na época do salmista, além dos Dez Mandamentos, da lei de Deus dada a Israel faziam parte as normas cultuais e étnicas, expressas nos livros de Levítico e Deuteronômio. Havia, portanto, um material amplo para meditação. De algum modo, temos nós também um material análogo com as normativas disciplinares e rituais da Igreja. Note o leitor que o salmista não se refere a mera obediência da lei, mas também na meditação desta. Há uma sabedoria por trás de tais normativas, há todo um código de simbólico e uma miríade de argumentos teológicos, de tal forma que tais leis não são mera arbitrariedade. Feliz somos se formos capazes de adentrar em seu sentido profundo!

A religião é um mistério. A vida religiosa não se resume a seguir certas normas e a macaquear certos gestos rituais por si mesmo. Isso é reduzir e muito a riqueza de tal instituição. Antes, em meio a nossa prática religiosa devemos tomar uma atitude investigativa, procurando desvendar o significado de cada prática, de cada mistério, desde a arquitetura de uma Igreja gótica as normas de jejum, passando para o sentido dos gestos, dos textos litúrgicos, até a lei de Deus propriamente dita, isto é os mandamentos. Sem dúvida, vivendo a fé desta forma, seremos gente feliz.

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