sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Religioso Pudor

5ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Responsório (Sl 80)
Evangelho (Mc 7,31-37)

O Evangelho de hoje soa um tanto quanto estranho. No mesmo dia em que a Igreja celebra dois grandes missionários, São Cirilo e São Metódio, temos um Evangelho em que, após realizar um milagre, Jesus ordena discrição ao agora ex-surdo mudo. Em tempos de mídias sociais, em que cada um expõe toda a sua vida na internet sem zelar pelo mínimo de privacidade, isso soa ainda mais estranho.

Uma velha distinção teológica, talvez nos ajude compreender melhor este episódio. Falo da distinção entre "Gratum faciens" e "Gratis data". Os termos latinos embora tragam estilo a escrita, podem confundir o leitor, então procedamos com algumas explicações: <De modo que existe dupla graça; uma pela qual o homem fica unido individual e imediatamente a Deus, é a graça “Gratum faciens”, e outra pela qual coopera com alguém para converter; é a graça “Gratis data"' (graça dada para bem dos outros).[1]>. Ou seja, existem graças as quais são dadas para o bem da comunidade, e devem tornar-se públicas, enquanto exitem graças dadas na intimidade, para a própria conversão e santificação pessoal, as quais pedem silêncio e discrição. Há tantos e tantos santos da qual pouco ou nada sabemos da riqueza de sua vida interior. Diz-se, por exemplo, que São Luís Maria Grignion de Montfort tenha recebido revelações privadas da Santíssima Virgem Maria, entretanto, ele nunca se manifestou a respeito. A quantos santos não devem ter ocorrido o mesmo? Mesmo com relação as pessoas comuns, há tantos que recebem graças, curas, sonhos, visões, e numa espécie de santo pudor mantém tudo no segredo.

Que Deus nos dê a graça do discernimento e do pudor, para que possamos ora manifestar, ora ocultar, tudo segundo a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário