quarta-feira, 4 de março de 2020

Dos Sacramentos - Razão de serem sete


VI. Número dos Sacramentos
[14] A seguir, deve indicar-se o número dos Sacramentos. Esta explicação têm a vantagem de levar o povo a engrandecer a singular bondade de Deus para conosco. E ele o fará com tanto mais fervor da alma, ao reconhecer quão abundantes são os auxílios que Deus aprestou, para a nossa eterna salvação e bem-aventurança.

São sete os Sacramentos da Igreja. Disso temos prova nas Escrituras, na doutrina tradicional dos Santos Padres, e na autoridade dos Concílios.

1. Razão de serem sete.
[15] A razão de não ser maior, nem menor o seu número, podemos mostrá-la, de modo provável, por uma analogia entre a vida natural e a sobrenatural.

Para viver, conservar-se, levar uma vida útil a si mesmo e à sociedade, precisa o homem de sete coisas: nascer, crescer, nutrir-se; curar-se, quando adoece; recuperar as forças perdidas; ser guiado na vida social por chefes revestidos de poder c autoridade; conservar-se a si mesmo e ao gênero humano, pela legitima propagação da espécie. Todas estas funções também se adaptam, índubitàvelmente, àquela outra vida pela qual a alma vive para Deus. Dessa correlação se pode obviamente inferir o número dos Sacramentos .

2. Sua enumeração
O primeiro é o Batismo, a bem dizer, a porta dos outros Sacramentos, e pelo qual renascemos para Cristo.

Depois vem a Confirmação, por cuja virtude crescemos e nos fortalecemos na graça divina. Como observa Santo Agostinho, só depois de batizados é que Nosso Senhor disse aos Apóstolos : "Deixai-vos ficar na cidade, até serdes revestidos da força que vem do alto".

Em seguida, temos a Eucaristia, alimento verdadeiramente celestial, que nutre e conserva nossa alma, conforme disse Nosso Salvador: "Minha carne é verdadeiramente uma comida, e Meu Sangue é verdadeiramente uma bebida".

O quarto lugar ocupa a Penitência, .por cuja virtude recobramos a saúde, se a tivermos perdido com as lesões do pecado.

Depois, a Extrema-Unção nos tira os remanescentes do pecado, e restaura as forças da alma. Com relação a este Sacramento, declarou Santiago : "E se estiver em pecados, ser-lhe-ão remitidos".

A seguir, vem a Ordem que confere o poder de perpetuar a administração pública dos Sacramentos e o exercício de todas as funções sagradas no seio da Igreja.

Como derradeiro, existe o Matrimônio, instituído a fim de que da legitima união do homem com a mulher procedam os filhos, e sejam piamente educados para o serviço de Deus, e para a conservação do gênero humano.

Catecismo Romano; II Parte: Dos Sacramentos; I. Dos Sacramentos em Geral; pág. 206-207.

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