segunda-feira, 30 de março de 2020

Juvenil Surrealismo Quarentenário

Foi em um recente artigo de Aleksandr Dugin, entre a peste e Resident Evil que encontrei a referência deste filme que é tido como um clássico cult da história do cinema.; O Anjo Exterminador de Luis Buñuel. Quando se trata de um clássico, a tendência entre os críticos tardios é entoar loas a "genialidade" da obra, o que não o farei. É certo que o roteiro é sugestivo, tanto mais hoje. Temos um grupo de aristocratas que misteriosamente ficam presos dentro da sala de uma rica mansão. Misteriosamente, pois não há barreiras físicas e nenhuma revolução exterior que impeça sua saída, antes, num recurso bem surrealista, uma espécie de bloqueio mental. É sugestivo pensar sobre isso em tempos de pandemia, onde muitos estão confinados em suas casas, tanto mais por um análogo bloqueio mental gerado pelo medo (o que não entrarei no mérito se é ou não justificado) que pela repressão estatal. A criatividade acaba aí, de resto temos uma crítica adolescente ao teatro social burguês, e um cair das máscaras da aristocracia, que em situações extremas manifesta toda a animalidade de uma natureza humana profundamente corrompida. Este tipo de tolice pode vir a impressionar a juventude, intrinsecamente tola e impressionável, embora para qualquer homem maduro seja algo um tanto quanto tedioso. Sim, o mundo burguês é um teatrinho social, que há de novo nisso? Acaso alguém não o sabe? Aliás, o que verdadeiramente impressiona no filme é que os personagens perseverem tanto em um simulacro de civilidade, tendo alguns de fato manifestando verdadeira virtude (apesar das troças do diretor); meus contemporâneos já teriam perdido compostura bem mais cedo. Poderia terminar o artigo por aqui uma vez que o filme é basicamente isso; o autor se limita uma contemplação sádica da baixeza humana aliado há simbolismos desconexos, e sutis alfinetadas a Igreja. Não há. pois, nada de propositivo, nenhum argumento estético sobre como transcender as limitações e superar a perspectiva hipócrita em favor de uma sinceridade existencial. Buñuel é fraco, e seu Exterminador não tem nada de genial. Estilo sem substância. E mesmo o estilo é limitado a premissa, pois para um filme surrealista, o impacto visual é quase insignificante, a fotografia não choca, tampouco fixa na lembrança, passados poucos dias desde que assisti ao filme,são poucas as imagens das quais me recordo. 

Sobre o filme, nada mais há a dizer senão que talvez Resident Evil possa vir a ser uma obra mais interessante.

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