quarta-feira, 18 de março de 2020

"Não julgueis que vim destruir a Lei, ou os Prophetas"


3ª Semana da Quaresma - Quarta-feira
Primeira Leitura (Dt 4,1.5-9)
Salmo Responsorial (Sl 147)
Evangelho (Mt 5,17-19)

1. <Não julgueis que vim destruir a Lei, ou os Prophetas: não vim a destruil-os, mas sim a dar-lhes cumprimento. (Mt 5, 17)>; infelizmente, tantos agem como assim fosse, não de forma clara, como o herege Marcião (ou seus sucessores nazistas), mas de forma mais ou menos inconsciente e dissimulada. Quantos não ignoram as riquezas escondidas no Antigo Testamento? Quantos outros tolos não opõe sua teologia tacanha ao que está claramente expresso na Revelação?  Há, por exemplo, quem negue os castigos divinos, outros tantos condenam em absoluto toda a espécie de perspectiva guerreira e combativa.

Quão tolos são os homens! A Sagrada Escritura, o livro inspirado por Deus, um tesouro tremendo, tão desconhecido... Por vezes pelos próprios teólogos hodiernos que ao invés de explicitá-la acabam por distorce-la e instrumentaliza-la.

2. Por fim, trago algumas belas e oportunas linhas da Constituição Dogmática Dei Verbum, para a meditação neste dia de hoje. 

A história da salvação consignada nos livros do Antigo Testamento

14. Deus amantíssimo, desejando e preparando com solicitude a salvação de todo o género humano, escolheu por especial providência um povo a quem confiar as suas promessas. Tendo estabelecido aliança com Abraão (cfr. Gén. 15,18), e com o povo de Israel por meio de Moisés (cfr. Ex. 24,8), revelou-se ao Povo escolhido como único Deus verdadeiro e vivo, em palavras e obras, de tal modo que Israel pudesse conhecer por experiência os planos de Deus sobre os homens, os compreendesse cada vez mais profunda e claramente, ouvindo o mesmo Deus falar por boca dos profetas, e os difundisse mais amplamente entre os homens (cfr. Salm. 21, 28-29; 95, 1-3; Is. 2, 1-4; Jer. 3,17). A «economia» da salvação de antemão anunciada, narrada e explicada pelos autores sagrados, encontra-se nos livros do Antigo Testamento como verdadeira palavra de Deus. Por isso, estes livros divinamente inspirados conservam um valor perene: «Tudo quanto está escrito, para nossa instrução está escrito, para que, por meio da paciência e consolação que nos vem da Escritura, tenhamos esperança» (Rom. 15,4).

Importância do Antigo Testamento para os cristãos

15. A «economia» do Antigo Testamento destinava-se sobretudo a preparar, a anunciar profèticamente (cfr. Lc. 24,44; Jo. 5,39; 1 Ped. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cfr. 1 Cor. 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico. Mas os livros do Antigo Testamento, segundo a condição do género humano antes do tempo da salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a verdadeira pedagogia divina (1). Por isso, os fieis devem receber com devoção estes livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa salvação.

Unidade de ambos ao Testamentos

16. Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sàbiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo (2). Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue (cfr. Lc. 22,20; 1 Cor. 11,25), os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica (3) adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento (cfr. Mt. 5,17; Lc. 24,27; Rom. 16, 25-26; 2 Cor. 3, 1416), que por sua vez iluminam e explicam.

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