quarta-feira, 25 de março de 2020

O "plano de poder" da Igreja


4ª Semana da Quaresma - Anunciação do Senhor - Quarta-feira
Primeira Leitura (Is 7,10-14;8,10)
Salmo Responsorial (Sl 39)
Segunda Leitura (Hb 10,4-10)
Evangelho (Lc 1,26-38)

<Porque a Deos nada é impossível.  Então disse Maria: Eis-aqui a escrava do Senhor , faça-se em mim, segundo a tua palavra. (Lc 1, 27-28b)>

Para Deus NADA é impossível, mas, as maravilhas de Deus só se manifestam em nossa vida na medida em que nos dispomos a fazer a Sua vontade. É, mais um, dos grandes paradoxos de nossa santa religião. Um poder tremendo, aquele que é abençoado por Deus pode realizar o impossível, mas apenas na medida em que se dispõe a renunciar a própria vontade e fazer-se escravo do Senhor. É uma dinâmica absolutamente diferente daquilo que estamos acostumados. Eis o gládio espiritual, o qual se distingue de forma radical do gládio temporal,  o qual estamos acostumados a manejar. Se o poder dos homens consiste na capacidade de fazer valer pela força a própria vontade; ao contrário, o poder de Deus em nós se manifesta na fragilidade e na renúncia de nosso querer. Uma mulher humana colocada acima dos anjos, terrível como exércitos em ordem de batalha; a escrava do Senhor, tornou-se rainha do céu e da terra, dos anjos e santos. A doutrina dos dois gládios não é apenas uma limitação arbitrária imposta por algum papa medieval. é, antes, a perfeita descrição da estrutura do real!. Os dois gládios, as duas espadas, seguem lógicas diferentes, possuem uma técnica de manejo distintas; não se pode aplicar uma na outra nem a outra na uma.

A Virgem Santíssima é também imagem da Igreja. Apenas na medida em que esta (a Igreja) submete-se, como escrava do Senhor, conseguirá reinar. Não pela é diplomacia, nem pela bajulação aos poderosos a esquerda ou a direita,  tampouco pelo dinheiro, mas se submetendo inteiramente a vontade de Deus. Eis, pois, o ''plano de poder'' da Igreja. 

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