sexta-feira, 20 de março de 2020

"porque pela tua iniquidade é que caiste"


3ª Semana da Quaresma - Sexta-feira
Primeira Leitura (Os 14,2-10)
Salmo Responsorial (Sl 80,67-1)
Evangelho (Mc 12,28b-34)

A liturgia de hoje tem muito a nos dizer sobre o significado da epidemia com a qual hoje sofremos. A primeira leitura se inicia com o oráculo do profeta Oseas: <Converte-te, ó Israel, ao Senhor teu Deus: porque pela tua iniquidade é que caiste. (Os 14, 2)>. Depois da constatação de que o sofrimento é consequência advinda do pecado do próprio povo, segue uma oração penitencial, onde Israel é o eu lírico. Chama atenção nesta oração, segundo o texto da Vulgata, o trecho em que Israel renuncia a colocar sua esperança nas ''obras de nossas mãos''

<Assur não nos salvará, nós não montaremos em cavallos, nem diremos jámais: Os nossos Deuses são as obras das nossas mãos: porque tu te compadecerás d'aquelle Pupillo, que descança em ti (Os 14,4) >

Naquele contexto, tratava-se da idolatria, dos deuses de barro fabricados pelo povo a imitação dos povos pagãos.  Mas, não só isso, antes da referência aos ídolos se diz ''Assur não nos salvará''; e uma aparentemente confusa referencia segundo o qual ''não montaremos em cavalos". Assur se trata da Assíria, montar em cavalos se refere ao poder bélico de Israel. A idolatria não fora apenas manifesta materialmente, mas também ''politicamente''. Israel confiara nos ídolos, nas obras de suas mãos, nas suas alianças políticas e militares...Caiu.

Não é conosco a mesma coisa? Intentamos criar uma sociedade sem Deus, confiando apenas ''nas obras de nossas mãos''  e, um microscópico vírus invisível gerou um caos tremendo, expondo toda a nossa fragilidade. O Corona não é um castigo outrora profetizado, mas apenas uma advertência. Advertência que vem em tempo oportuno, justamente no período quaresmal. Quem dera consigamos discernir a voz de Deus em meio aos acontecimentos da história...

<Ouve, Povo meu, e eu te declararei a minha vontade: Israel, se me ouvires (Sl 80, 9)>

Estamos nós escutando? Prestamos atenção a tantas mortes, a exposição de nossa fragilidade, compreendemos a rígida medida a qual estamos submetidos, privados dos sacramentos, privados da comunhão no Corpo e Sangue de Cristo?

<Se o meu Povo me houvera ouvido: se Israel tivera andado nos meus caminhos (Sl 80, 14)>

Se escutássemos o Senhor, quantas graças receberíamos... Seria uma idade de ouro. Mas, se insistirmos em nossa dureza de coração, as profecias continuaram em seu ritmo inexorável, o trote dos quatro cavaleiros se fará escutar cada vez mais próximo, "Paris será queimada, e Marselha engolida [pelas águas]" ; "várias grandes cidades serão abaladas e tragadas por tremores de terra."; Roma se reduzirá a ruínas infestadas de cadáveres e chegará o tempo onde "os vivos invejarão os mortos".

Shemá Israel!

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