terça-feira, 14 de abril de 2020

"(...) dize-me onde o pozeste: e eu o levarei"

Oitava da Páscoa - Terça-feira
Primeira Leitura (At 2,36-41)
Salmo Responsorial (Sl 32)
Evangelho (Jo 20,11-18)

O Evangelho de hoje é surpreendente. Vemos subsistir no coração de Santa Maria Madalena o amor e a fidelidade mesmo estando a fé profundamente abalada.

Julgava Maria que Jesus estava morto, mas ainda assim se dirigiu até o sepulcro para terminar a preparação do cadáver. Não o encontrando, se põe a chorar, de tal modo que nem os anjos são capazes de consolá-la. Jesus lhe aparece, mas ela , inicialmente, não o reconhece, pensando ser ele o jardineiro,:

<Disse-lhe Jesus: Mulher, porque choras? a quem buscas? ella julgando que era o hortelão. disse-lhe: Senhor se tu o tiraste, dize-me onde o pozeste: e eu o levarei. (Jo 20, 15)> 

"(...) dize-me onde o pozeste: e eu o levarei" . Maria está disposta a carregar um cadáver já a dias falecido e segundo a lógica provavelmente em decomposição e cheirando mau. E tanto mais forte se torna o episódio se nos recordarmos que Maria era judia, e na antiga religião judaica o contato com os mortos significava uma séria violação da lei, uma contaminação impura. Maria está disposta a violar a lei de seu povo e sofrer as consequências sociais disto, está disposta a colocar sua saúde em risco no contato com um corpo em decomposição, a vencer as naturais repugnâncias da própria natureza ante um cadáver. É uma fidelidade tamanha que não se vê nem nos próprios apóstolos. São João e São Pedro só se dirigiram ao túmulo depois de saber da Ressurreição. A fidelidade de Maria é recompensada pelo Senhor, que a permite ver o seu corpo ressurrecto de imediato. Os apóstolos viram tão somente os panos, tiveram, pois, que se dirigir a Galileia, tiveram que esperar, para ver a Jesus.

Que na contemplação desta cena, possamos ao menos procurar imitar um pouco da fidelidade de tão grande santa, tão injustamente caluniada por corações perversos e degenerados. Que Santa Maria Madalena interceda por nós!

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