quinta-feira, 9 de abril de 2020

Mudança


Quinta-feira Santa – Ceia do Senhor
Primeira Leitura (Êx 12,1-8.11-14)
Salmo Responsorial (Sl 115)
Segunda Leitura (1Cor 11,23-26)
Evangelho (Jo 13,1-15)


<Eis aqui porém como haveis de comer. Cingireis os vossos rins, e tereis sapatos nos pés, e bordões nas mãos, e comereis à pressa: porque é a Paschoa, isto é, a Passagem do Senhor. (Ex 12, 11)>

Comer às pressas, com os sapatos nos pés e com bordão (cajado) nas mãos, como quem está a partir em uma viagem. E assim foi naquele tempo, logo após a morte dos primogênitos, partiram os judeus do Egito para a terra de Canaã. Apesar de, até então, vivermos uma era de turismo intenso e grande migração, curiosamente não nos acostumamos a mentalidade de peregrino. Antes pensamos desde a perspectiva de um fixismo burguês, um conservadorismo boboca de que o presente há de perpetuar-se eternamente. Quão frágil é a paz, quão instáveis o são as fronteiras das nações? Ao longo do último século, quantos países nasceram e morreram, o quanto as fronteiras nacionais se alteraram? Recordo-me do Império Austro-Húngaro que desapareceu; da União Soviética absorveu uma quantidade considerável de nações e depois as vomitou; das nações europeias perderam suas colônias. E ainda mais instável o é a prosperidade econômica e, que se dirá da ordem política? Nos últimos anos, tanto ódio fora dirigido aos imigrantes, mas dado a instabilidade do mundo, nós poderemos vir a desempenhar esse papel... Estamos prontos para isso? Prontos para deixar nossa base, nossa comodidade, e partir em viagem? A maioria de nós não está. Antes esperamos ficar plantados onde estamos. Na mesma cidade, no mesmo emprego, na mesma rotina. Não reagimos bem a mínima mudança, seja geográfica ou não.

Soa estranho que se venha a falar de mudança e viagem enquanto estamos nós confinados em casa devido a pandemia. Mas, não estavam também os israelitas confinados, esperando a passagem do anjo exterminador?

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