domingo, 3 de maio de 2020

A Bíblia e a Tradição - Dom Bosco

Nosso Senhor Jesus Cristo, depois de haver pregado de viva voz sua doutrina, subiu aos Céus sem deixá-la escrita nem reunida em livro algum ditado por Ele. Por que o fez assim? Para nos ensinar que Ele tinha feito depositários de sua doutrina os Apóstolos, isto é, a Igreja que devia depois explicá-la aos fiéis: ensinando-nos também que o principal instrumento da sua palavra devia ser a viva voz da sua Igreja. Com efeito, nos primeiros tempos, durante o curso de não poucos anos, o santo Evangelho foi conservado, ensinado e professado tão somente por meio da palavra viva dos Apóstolos e dos primeiros crentes. Nosso Senhor Jesus Cristo querendo, por outra parte, que ao menos uma grande parte da sua doutrina fosse confiada à palavra escrita, por inspiração divina moveu alguns dos Apóstolos e primeiros discípulos a por escrito sua vida e doutrina; e os livros por eles escritos formam juntos o que nós chamamos de Novo Testamento. Foram estes escritos: os quatro Evangelhos, escritos por São Matheus, São Marcos, São Lucas e São João; os Atos dos Apóstolos; as quatorze epístolas de São Paulo, duas de São Pedro, uma de São Tiago, uma de São Judas, e finalmente, três epístolas e o Apocalipse de São João. Estes livros sempre têm sido conservados em grande veneração por todos os cristãos, pois que foram inspirados por Deus. Sem embargo, como já foi dito, não se acham neles todos os feitos da vida de Jesus Cristo, nem todas as verdades ensinadas por Ele. As verdades não escritas foram ensinadas e transmitidas pelos Apóstolos e seus sucessores como um sagrado depósito que se chama Tradição divino-apostólica. A Tradição divino-apostólica contém as verdades que não se encontram escritas nos livros sagrados, a interpretação destes mesmos livros: por isso, quando a Igreja define um artigo de fé que não está manifesto na sagrada Escritura, o tira desse depósito chamado Tradição. Daí se tirou o dogma da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria e da infalibilidade Pontifícia.

- Dom Bosco. História Eclesiástica; Primeira Época, Cap, V, p.32-33.

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