terça-feira, 19 de maio de 2020

O mal do mundo provém da sua impureza - Plínio Salgado


Começando do começo, diremos nós, católicos. Que começo é esse? Aquele que nos revelou a Virgem em Fátima falando dos horrores da guerra como consequência do pecado da sensualidade e do esquecimento dos deveres da caridade.

O mal do mundo provém da sua impureza. Ser puro é renunciar aos prazeres ilícitos, os inconvenientes, e muitas vezes até mesmo aos lícitos e inofensivos. Habituar-se ao domínio de si mesmo é preparar-se para o exercício da caridade, a qual consiste, noventa e nove por cento, em renunciar. Quem não mortifica os sentidos, quem não contraria a sua ambição, a sua vingança, a sua vaidade, nunca poderá estabelecer a verdadeira paz dentro e em torno de si.

A luxúria gera a violência e a violência gera a luxúria. Ambas cultuam apenas o que há de físico no ser humano. Uma se utiliza da força, a outra da beleza. Sendo a força o instrumento da violência, as grandes épocas da brutalidade coincidem com a exaltação corpórea dos heróis, o louvor dos músculos nos arremessos fulmíneos, a glorificação dos ritmos plásticos. E sendo a beleza física a matéria-prima da lascívia, as gerações que divinizam a força bruta são as mesmas que cantam loas a Frinéia.

Não se conclua que condenamos a força e a beleza físicas. Pelo contrário, dignas são elas da nossa admiração como obras do Criador, morada da alma e templo de Deus; e a prova é que ambas estão santificadas em santos que foram atletas e santas que foram formosas. O que devemos reprovar é o mau aproveitamento de uma e de outra, empregando-as de sorte a divorciá-las dos fins comuns do Espírito e do Corpo.

Esse foi o pensamento cristão na aurora do século I, quando os Apóstolos espalharam pelo Império dos Césares, onde predominavam degradações e violências unidas ao culto dos deuses fortes e belos, as duas soluções para as dores do Género Humano: a CASTIDADE e a CARIDADE, ambas tão intimamente irmanadas, que uma parece condição da outra e ambas a mesma expressão do Redentor do Mundo.

- Plínio Salgado. Primeiro, Cristo!; p.10-11 .

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