segunda-feira, 22 de junho de 2020

"Porque vês tu pois a aréstra no olho de teu irmão, e não vês a trave no teu olho?"


12ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira
Primeira Leitura (2Rs 17,5-8.13-15a.18)
Salmo Responsorial (Sl 59)
Evangelho (Mt 7,1-5)

Se deixarmo-nos conduzir pela narrativa, a liturgia da palavra no dia de hoje como que nos eleva aos céus para depois nos deixar cair com o rosto em terra. A primeira leitura fala dos pecados de Israel. Apesar de ser uma realidade dolorosa, dado a estrutura narrativa, assistimos tudo desde fora. Pode ocorrer de que nos sintamos como um dos profetas do Senhor e, a luz da apostasia do Israel de outrora, condenemos os pecados de nossa nação no hoje. Adequado, uma vez que hoje os pecados desta civilização são gravíssimos, e talvez o corona vírus seja a manifestação das primícias de um castigo aterrador. Todavia, ainda assim é uma perspectiva incompleta. Isso porque não somos profetas. Depois de olhar em redor, o Evangelho nos convida a olhar para nós mesmos. O famoso não julgueis ecoa em nossos ouvidos, significando não um relativismo hedonista de que vale tudo, mas uma grande advertência segundo a qual o papel de juiz cabe a Deus e não aos homens. Segue-se a dura repreensão: como queres tirar o cisco do olho de teu irmão se tem uma trave ante seus olhos? Como queremos nós bancar os profetas, os salvadores da civilização ocidental, a nova elite, se, afinal, temos tantos e tão graves pecados em nossa conta? Orgulho, inveja, mentira, preconceito (esse termo é inexato, mas de fato existe uma realidade mais ou menos concreta que este se refere) e tantas outras imundices constituem a trave em nossos olhos, trave que ofusca nossa visão e faz com que ao julgarmos o próximo sejamos parciais e temerários. Se levássemos a sério o Evangelho, as redes sociais não estariam infestadas de tanta fofoca e maledicência.

Examinemos nossa consciência, ou aproveitemos os paradoxos da técnica e examinemos nossos arquivos digitais; nossas últimas postagens e conversas... Se a memória por vezes se torna cúmplice de nossas imundices, muitos dos fatos concretos estão de algum modo registrados nesse oceano virtual, de tal forma que podemos ter alguma ideia de nossa própria imundície. Que mais do que lamentar e longe de aceitar, antes procuremos corrigir-nos.

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