quarta-feira, 3 de junho de 2020

"Deus não nos deo hum espirito de pulsillanimidade: mas de fortaleza"


9ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (2Tm 1,1-3.6-12)
Salmo Responsorial (Sl 122)
Evangelho (Mc 12,18-27)

<Porque Deus não nos deo hum espirito de pulsillanimidade: mas de fortaleza, e de caridade, e de temperança. (2Tm 1, 7)>; esta frase deveria ecoar em nossos ouvidos e se manifestar em nossa vida. Entretanto, longe da coragem, da fortaleza do Espírito, tantos cristãos se portam de forma covarde, tíbia, pulsânime. Antes preferem escutar ao zeitgeist, o espírito do tempo, que não é senão o espírito burguês. A respeito destes, descreve-os Plínio Salgado em um de seus poemas:
O BURGUEZ É REDONDO

Ò burguez é redondo,
mesmo que sejo quadrado,
mesmo que seja comprido
ou curto.

Mesmo que seja alto ou baixo,
magro ou gordo,
corado ou pálido,
com bigodes ou sem bigodes,
é redondo.

Quer se deite com as galinhas
quer passe as noites nas boates,
quer amanheça no jogo,
é redondo.

Quer frequente as igrejas
ou a casa dos mulheres,
quer tome coca-cola ou uísque,
é redondo.

Quer seja comunista por esnobisrno,
ou fascista por egoísmo,
ou liberal por atavismo,
democrata-cristão, democrato-mação,
trabalhista, socialista, progressista,
o burguez é redondo.
A sua alma é redonda
tem a circunferência das moedas
e a forma das laranjas.

Seu coração é redondo e liso,
redondo o seu estilo, e o seu juízo,
a sua preocupação,
a sua admiração,
a sua paixão.

Tudo escorrega nele.
Tudo escorrega,
nada pega.

Sementes de ideal, de sonho, de heroísmo,
tudo deslisa em seu redondo egoísmo,
nada lhe fica, nem na superfície.

Redondo rola e facilmente passa,
desatento aos clamores da desgraça,
indiferente às dádivas da Graça. . .

Porque em tudo, e em face de tudo,
nas crises, nas revoluções, na guerra ou na paz,
com medo, ou sem medo,
consciente ou inconsciente,
procurando saber apenas quanto ganha
ou quanto goza,
o burguez, por hereditariedade,
ou por fatalidade,
ou por comodidade,
é redondo, redondo, redondo. . .

("Poemas do Século Tenebroso", Prefácio de Alfredo Leite, Rio de Janeiro, Livraria Clássica Brasileira, pp. 21-22)

Seremos nós homens redondos, fracos, medíocres, burgueses adaptados ao tempo, ou antes teremos ainda em nosso interior a chama da valentia e do heroísmo? Nossa vida neste mundo será uma prosa sem graça, ou uma poesia épica?

Pensemos nisso com coragem e ousadia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário