quinta-feira, 18 de junho de 2020

Mentiras Televisivas

O leitor assíduo já deve ter notado que a maior parte do material deste blog consiste em comentários. Comentários a respeito da sagrada escritura, comentários sobre livros, filmes, séries, doramas, animes etc. E, entre tais comentários uma ou outra ideia original me vem a mente, de modo que com o tempo espero eu conseguir construir algo ao qual possa chamar de "minha filosofia". Tal método pode ser chamado de "impregnação radical" (creio que deva ter kibado do xarope do Olavo), e consiste em alimentar o imaginário com imagens e referências diversas, de modo a ir organizando-o aos poucos. De modo ordinário, é o método que tenho a disposição. Um sujeito relativamente jovem não tem experiência o suficiente para postulados mais amplos e, salvo no caso de um grande místico, fugir desse método denota certo grau de teatro e falsidade.

Dito isto, faço aqui algumas considerações sobre o filme Rede de Intrigas (Network) a maior redpill cinematográfica do século passado. Em plena década de 70, no auge da hegemonia televisa, um sujeito resolve fazer um filme metendo a real e mostrando toda a podridão da mídia mainstream, pautada pelo absoluto desprezo a dignidade humana, pela mentira, infiltrada de comunistas, e controlada de baixo dos panos por certa elite global com vistas a implantar um governo mundial. E sabe o que acontece? O exato roteiro do filme: nada. O povo escolhe a bluepill o filme foi ignorado, caiu no esquecimento, e a televisão continuou a perder almas e destruir mentes ao longo de décadas, até que surgiu a internet. 

Detalhemos um pouco mais sobre o roteiro filme: certo sujeito, jornalista com anos de profissão, recebe a notícia de sua demissão, e então em um de seus últimos programas, ao invés de seguir o padrão, fica revoltado e começa a dizer verdades e atacar o sistema midiático em rede nacional. Curiosamente, isso eleva a audiência, de forma que os diretores da emissora dão cada vez mais destaque ao jornalista, que acaba louco, mas um louco que gera dividendos. Nisso há toda uma subtrama de adultério, comunismo, e manipulação que não vem ao caso agora. No final, as denúncias do sujeito vão se tornando cada vez mais duras e depressivas, de forma que a audiência se esvai. O povo que o idolatrou e elevou as alturas por dizer a verdade doa a quem doer se cansa dele. Não, os populares não querem a verdade, não querem por fim a rede de intrigas e conspirações gestadas desde a televisão, querem apenas distração e entretenimento. 

Assim é ainda hoje e, embora a televisão venha perdendo espaço, seus pretensos substitutos na internet não são muito mais sinceros. A difusão de mentiras, fake news, se mostra um negócio altamente lucrativo. O dizer a verdade, meter a real, coisa chata e tediosa, indigna de atenção. Isso, porém, não é algo novo, tal já está dito no Mito da Caverna de Platão. 

Apesar de não alimentar esperanças temporais, tenho grandes expectativas escatológicas. Sim, a mentira dá o tom a narrativa mundana mas, com a morte, a luz há de dissipar toda e qualquer treva. Aí de nós! Eis que a mentira será desmascarada em absoluto, o brilho da verdade será tamanho que obrigará incluso aqueles que não a quiserem ver, ardendo em fogo que nunca se apaga por toda a eternidade.

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