quarta-feira, 17 de junho de 2020

Oculto


11ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (2Rs 2,1.6-14)
Salmo Responsorial (Sl 30)
Evangelho (Mt 6,1-6.16-18)

Sombra, escuridão, segredo. Tais expressões são utilizadas em linguagem figurada com relativa frequência para referir-se ao mal. O desconhecido, o inesperado, o oculto, isso nos torna apreensivos, nos inquieta, faz com que tenhamos medo. É compreensível, todavia não deixa de ser um erro, que passemos a tratar a metáfora como fosse a realidade concreta, num automatismo tolo, como se tudo o que estiver associado a noite, ao segredo, a sombra, fosse necessariamente mal. Quando Jung fala sobre as forças ocultas da mente ou sobre determinado lado obscuro, tem em vista não um juízo moral, mas apenas o simples fato de que se tratam de realidades mais ou menos desconhecidas.

Ante tais considerações poderemos melhor equacionar o Evangelho de hoje, onde Nosso Senhor Jesus Cristo nos ordena que nossos atos de piedade sejam realizados as ocultas, no segredo, no escondido. Há de fato o significado moral imediato, a saber: quando nos esforçamos por publicizar nossas ações, acabamos vivendo uma espécie de teatro, buscando antes agradar a plateia e nos engrandecer do que de fato agradar a Deus. Neste sentido, o segredo nos preserva da tentação da vaidade. Além disso, porém, poderíamos dizer que tal perspectiva trás certa riqueza literária a vida, onde para além do mundo ordinário que aparece nas notícias e do qual ouvimos falar, há toda a riqueza de um mundo oculto, o segredo da vida espiritual dos santos, suas orações, êxtases, penitências heroicas e caridade extraordinária. O vinho novo escondido para o final da festa, do qual só temos acesso a pistas muito vagas e que só nos será revelado plenamente durante o julgamento da história ao fim dos tempos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário