segunda-feira, 8 de junho de 2020

Sobrevivencialismo sob perspectiva católica


10ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira
Primeira Leitura (1Rs 17,1-6)
Salmo Responsorial (Sl 120)
Evangelho (Mt 5,1-12)

1. Pela vontade do Senhor, como castigo a idolatria dos judeus, uma grande seca se abateu sobre Israel. Ironicamente, o ídolo ao qual adoraram aqueles traidores era conhecido como o ''deus da chuva'', pois não foi ele capaz de providenciar-lhes torrentes, numa ironia simbólica. Depois de anunciar o castigo, Elias se retira para o deserto conforme os desígnios do Senhor. Elias não levou nenhum E.D.C., tampouco uma mochila B.O.B., entretanto o Senhor Javé, o Deus Verdadeiro, fez com que a cada dia os corvos o levassem alimentos, bem como providenciou-lhe água para beber. Tal fato encontrou análogos ao longo da história cristã: São Paulo (não confundir com o apóstolo), o primeiro dos eremitas, também recebia alimento do Senhor através dos corvos, que lhes trazia o pão.


Por hora a seca não chegou, mas sim uma pandemia, em linguagem teológica: a peste, que castiga essa civilização apóstata. Não precisamos, por agora, fugir para os desertos, embora estejamos enfrentando dificuldades e muitas outras virão. Não somos profetas e nenhuma ordem específica nos foi dada, de modo que é oportuno e útil alguma preparação, sendo as disciplinas e técnicas sobrevivencialistas relativamente úteis. Todavia, não devemos jamais esquecer que embora procuramos fazer o nosso melhor e nos preparar o na medida do possível, nosso destino está nas mãos do Senhor. Elias que recebe o pão dos corvos contrasta com o rico da parábola do Evangelho, o rico que uma vez que atingiu um vigoroso estoque, contentou-se. Estava preparado, desprezou a Deus e confiou tão somente em si mesmo. Estúpido!

Façamos aquilo que devemos, preparemo-nos com prudência, mas não sejamos tão estúpidos, gente que ludibriada pela loucura que chega ao ponto de confiar em si mesmo. Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que criou o céu e a terra!

2. O Evangelho trata das bem-aventuranças. Tema extremamente profundo sobre o qual discorreram por páginas e páginas os santos doutores através da história. Limito-me hoje a comentar uma delas: <Bem aventurados o que tem fome e sede de justiça: porque serão fartos. (Mt 5. 6)>. Não raro nos acostumamos com a injustiça. Quantas vezes eu mesmo não repeti a tolice do comodismo burguês: ninguém há de mudar o mundo, conformemo-nos. Entretanto, o que diz o Evangelho? Felizes os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados. Sim, Deus fara justiça, e felizes aqueles que anseiam por ela. Justiça que se manifesta no tempo e se consuma na eternidade. Cultivemos a sede por justiça e seremos saciados. Todavia, se dela esquecermos, seremos tristes. Burgueses pateticamente tristes e acomodados.

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