sexta-feira, 12 de junho de 2020

Zelo Zelatus sum


10ª Semana do Tempo Comum | Sexta-feira
Primeira Leitura (1Rs 19,9a.11-16)
Salmo Responsorial (Sl 26)
Evangelho (Mt 5,27-32)

"Consumo-me de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos...", são as palavras do profeta Elias na primeira leitura da liturgia de hoje. Existe um belo cântico da TFP inspirada nesta passagem.




Quem dera nós cristãos fossemos consumidos por esse mesmo zelo. Inflamados pelo fogo do Espírito, tal qual o profeta. Retornemos a passagem, que diz Elias? "[...] Os filhos de Israel abandonaram tua aliança, demoliram teus altares e mataram à espada teus profetas"; na atual crise eclesial, ao que parece, ainda não se chegou ao assassínio dos profetas, embora se os tenha excomungado, como foi feito com Dom Marcel Lefebrve, que combatia e denunciava destruição dos altares e o abandono da aliança.

Da crise interna para a externa, tivessem os cristãos dessa geração maior zelo pelas coisas de Deus, não seriam seus inimigos tão atrevidos. Na Idade Média, conta-se que jogaram a fogueira certo sujeito que zombava da sexta-feira santa fazendo churrasco em praça pública. Em nosso tempo, cristãos se mantém inertes ante as mais odiosas blasfêmias e profanações, não raro reagindo com maior virulência aqueles que a ela se opõe, que aos próprios blasfemos, como se observou no caso relativamente recente, em que se condenou ação honrosa de um herói contra uma produtora de vídeo que ofendera gravemente nossa santa religião. As palavras desse herói não foram ouvidas, de tal forma que aqui reproduzo o que fora dito em uma de suas entrevistas:
Quando um cristão não tem possibilidade de ser ouvido, quando não há possibilidade de debate, quando não há formas de responder aos ataques feitos à fé, e, sobre tudo, a Deus, além de nos depararmos com autoridades completamente inertes omissas ou até coniventes, que têm o poder de solucionar a questão e cessar a ofensa, mas não o fazem e se recusam a fazer, ou até mesmo defendem os atos criminosos e blasfemos, não resta outra forma do que responder com as próprias mãos. E, algumas vezes, literalmente com elas. Não existe diálogo nem sincera e genuína intenção em enxergar a realidade pelo olhar do outro. O paradigma liberal é uma divindade ciumenta que não permite concorrência. Aos pedidos de que se cessem os ataques e se respeitem a nossa fé, as respostas são sempre piores, com deboches e mais ofensas. Não há qualquer tolerância no debate. O escárnio como violência simbólica é o prato do dia. Além de qualquer discurso de inclusão e tolerância, o fato é que existe um largo vão entre "o trem e a plataforma".

Para aqueles aos quais, seja por temperamento ou prudência, tais atos parecem excessivos, pergunto o que se tem feito? Os senhores tem feito para impedir os repetidos, frequentes e reiterados atos contra Deus e nossa santa religião? Tantos sequer tem a coragem de falar a respeito. Falta-nos o zelo dos antigos. É certo que ninguém é obrigado a realizar atos extremos, e incluso a pertinência e prudência de tais atos possa ser discutida, todavia, todos nós somos de alguma forma instados a reagir e combater os inimigos do Senhor,  ainda que tão somente a palavra e a oração (com valentia e insistência, tal qual fizeram tantos apóstolos, santos e profetas pregando de forma oportuna e inoportuna, quer agrade, quer desagrade). A covardia e a omissão nunca o são justificáveis. Deus há de nos cobrar no dia do juízo.

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