segunda-feira, 6 de julho de 2020

Do simbolismo do gato preto de olhos ímpares



De tempos em tempos costumo fazer alguns experimentos estéticos para com o design do blog. O leitor mais antigo deve ter se alegrado com muitas das versões anteriores, o mais recente talvez só conheça a atual configuração que deve se manter por muito tempo, uma vez que acredito ter conseguido expressar as nuances da filosofia deste espaço, expressão tanto mais perfeita até que muitos de meus textos. Todavia, há que se fazer algumas explicações. Qual o sentido do gato negro de olhos ímpares? Porque da cor roxo? E que raios de nome esquisito para um blog católico?

Tudo isso remete as distinções entre underground e mainstream. No universo da cultura existe uma espécie de centro, a superfície iluminada, a cultura respeitável. No contexto em que escrevo estas linhas, este é gestado sobretudo por duas instituições: mídia e universidades. Este centro, a "superfície" serve sobretudo aos interesses do "sistema", e apesar de ser um construto histórico, um recorte da realidade com uma origem específica no tempo e espaço, é tido por muitos como a totalidade, como o mundo real.  Para além disso, existe um universo escuro, oculto a maioria das pessoas, recheado de fatos que deveriam ter sido esquecidos, e conhecimentos um tanto quanto incômodos. É justamente este universo o qual pretendo explorar.

Sendo um tanto quanto mais concreto daquilo que constitui o mainstream ao qual pretendo constituir oposição e contraste, devo dizer que me refiro especificamente: ao desenvolvimento pós-moderno do mundo criado desde a Revolução Francesa (bem como a própria revolução), ao relativismo, ao feminismo, ao liberalismo, ao estado laico, à democracia liberal, à ilusão burguesa de estabilidade e a tolice de Kant, a perspectiva eclesial vaticanosegundista, enfim, bem poderia afirmar na expressão feliz de um pensador infeliz: "Contra o Mundo Moderno!". Em oposição a isto mergulhamos no submundo da cultura, recrutando, ordenando e "batizando" os elementos para gestar a Contrarrevolução, a que se pretende católica.

O suburbano contrasta com o centro, o roxo é uma cor litúrgica de exceção, utilizada durante a quaresma e o advento em contraste ao verde do tempo comum. O gato é um animal que expressa certa nobreza aristocrática, ao mesmo tempo em que manifesta grande liberdade, livre vaga pelas ruas durante a noite em suas aventuras pela cidade, os olhos ímpares, sua heterocromia, é uma mutação incomum e inusual e expressa o desejo deste espaço em estudar o incomum e o inusual, e trazer ao leitor alguns aspectos deste mundo oculto, oculto não porque o seja secreto e esotérico, mas porque contrasta com os interesses daqueles que hoje governam os destinos do mundo.

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