sábado, 11 de julho de 2020

Ministério de Cura

Encontrei meio que por acaso um antigo livro de autoria Pe. Alberto Gambarini aqui em casa: Cura das Enfermidades - Benefício de Jesus. Salvo engano o sacerdote possui ligações com o movimento carismático e apresenta um programa de televisão na Rede Vida. O livro, dirigido aos simples, fora escrito como um pequeno devocionário com instruções aos doentes de como proceder para pedir a cura de suas enfermidades. Apesar de proceder uma leitura pouco pretensiosa, me surpreendi. De forma geral considerava curas como ações extraordinárias, limitadas no tempo e espaço, e quase sempre um milagre associado a confirmação de uma verdade, ou a santidade do ministro. O sacerdote, porém, demonstra que o dom da cura é, em linguagem teológica gratum faciens, um dom derivado da missão salvífica que acompanha a Igreja durante toda a sua história. O enfermo deve, pois, recorrer a oração e a Igreja. De alguma forma, porém tanto mais restrita as doenças de natureza psicológica Carl Gustav Jung expressa uma opinião semelhante. O que não significa contudo negligenciar a assistência médica, quando se faz prudente recorrer a esta, conforme o padre ressalta em seu livro.

Chamou-me atenção certo trecho da obra, em que o autor relata um caso onde fora tomado por uma forte emoção a ante notícias de um antigo conhecido o qual lhe tinha feito muito mal, acabou o sacerdote por manifestar sintomas físicos: dores no braço, nas costas, enxaqueca e insônia. Com grande sabedoria e rastreando a raiz emocional de suas chagas físicas, recorreu a oração, pedindo a Deus a graça de perdoar este seu irmão. Após a oração, a emoção negativa se dissipou e com ela suas dores. 

Outro trecho deveras interessante aqui transcrevo, onde o Pe. Gambarini relata o caso da cura de uma senhora que intentava em recorrer a uma benzedeira, e destaca um aspecto um tanto quanto desconhecido do ministério sacerdotal, o poder de orar pelos doentes:
Nem sempre o povo tem presente que um dos serviços do padre é o de rezar pelos doentes. Talvez este seja o motivo por que tantos católicos praticantes buscam fora de sua religião a crua para as enfermidades.

Recordo-me de um caso curioso em que uma mulher me pediu autorização para ir a uma benzedeira. Pela graça de Deus, deixei-a contar sua estória, e ela se expressou nos seguintes termos: "Padre, há anos estou sofrendo do estômago. Sinto mal-estar toda vez que me alimento. Estou cansada de tomar remédios e continuar sempre sofrendo. Ouvi dizer que essa pessoa reza para as dificuldades do estômago. Procurei o senhor porque não quero fazer nada que desagrade a Deus."

Entendendo sua situação, não quis criar um sentimento de culpa adicional ao seu sofrimento. Somente lhe disse: "Vamos pedir a Deus que lhe permita tomar a melhor decisão, e também vou fazer uma oração de benção do estômago".

Passados alguns dias, a mulher me procurou para dizer que não fora ao benzedor e depois da oração seu estômago não a incomodava mais.

Recorramos ao Senhor na saúde e na doença e se Ele assim o quiser, e contribuir para a salvação de nossa alma, Ele nos atenderá.

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