quinta-feira, 23 de julho de 2020

"(...) porque o coração deste povo se endureceu"


16ª Semana do Tempo Comum | Quinta-feira
Primeira Leitura (Jr 2,1-3.7-8.12-13)
Salmo Responsorial (Sl 35)
Evangelho (Mt 13,10-17)

"(...) porque o coração deste povo se endureceu" - diz a Escritura. A Vulgata usa o termo corações insensíveis. Há algo em nosso interior, um desejo por Deus, uma espécie de marca nas profundezas de nosso ser que clama pelo absoluto. Deveríamos nós buscar escutar tais sussurros internos, investigar este enigma e nos abrirmos aos chamados do Senhor. Mas, tantas vezes ocorre como outrora ocorreu com Israel, nossos pecados, nossos vícios, as agitações do mundo, todo esse barulho vem a silenciar este apelo, a luta cotidiana vem insensibilizar nosso coração. E então, entre corações duros e insensíveis aos sinais divinos, estamos ante o vazio descrito por Augusto Frederico Schmidt...

VAZIO

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.

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