quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Blade é chato

Dias atrás resolvei assistir a trilogia Blade - O Caçador de Vampiros. Fiquei decepcionado. Trata-se de filme ruim. O mito do vampiro é reinterpretado desde uma perspectiva genética: ao invés de corpos sem alma, mortos vivos sedentos de sangue subsistindo por alguma artimanha do demônio, temos uma nova raça, um novo degrau na escala da evolução; cruzes e água benta não funcionam, como faz questão de ressaltar o protagonista por três vezes, mas alho, prata e o sol fazem o seu serviço, e também alguns reagentes químicos como o EDTA. o roteirista parece meio perdido: há apenas dois personagens ''fixos'': Blade e Whistler, de resto em cada filme se tem de criar, trabalhar e desenvolver outros coadjuvantes que logo serão esquecidos. Aliás Whistler morre no primeiro filme, é trazido de volta a vida no segundo para morrer no terceiro, um esquema circular, uma morte sem drama, enfim mais uma prova de que o roteirista fracassou legal. Outra elemento tonto, se manifesta sobretudo no terceiro filme, onde o FBI é facilmente feito de trouxa por meia dúzia de normies, passando o filme inteiro igual barata tonta jogada em meio a conspirações que não entende. Quem sabe o mínimo sobre as maquinações dos federais nos EUA acabará por deixar escapar algumas rizadas involuntárias. O que salva dos filmes é a estética, é legal ver as cenas durante a noite, e as armas exóticas e seus efeitos curiosos sobre os vampiros. Fora isso pouco se aproveita. 

Ah! Tem um jogo de PS1 inspirado no primeiro filme, baixei no emulador, mas este não envelheceu bem: o jogo de câmeras que chega a dar tontura, o gráfico achatado e a jogabilidade bobinha (pular em caixas, dar espadada e tiros nos capangas, caçar remédio pra curar)  não foram capazes de me entreter por muito tempo.

Em suma, ao menos no que diz respeito a franquia cinematográfica e suas extensões, Blade é beem chato.

domingo, 27 de setembro de 2020

A Santa Missa na vida dos Reis, Príncipes e Imperadores

Os exemplos dos grandes causam ordinariamente muito mais impressão que a piedade mesmo singular de simples particulares, conforme o axioma vulgar: “Conforme-se a terra ao exemplo do rei.” “Regis ad exemplum totus componitu orbis.”

Ora, longa seria a lista que eu poderia desenrolar, para animar a seguir o exemplo daqueles que assistiam todos os dias à Santa Missa. 

Citaremos rapidamente alguns: Constantino Magno não só assistia todos os dias à Santa Missa, mas, quando partia em qualquer expedição, em pleno fragor da guerra e ruído das armas, fazia-se acompanhar dum altar portátil no qual mandava celebrar diariamente a Santa Missa, e por este meio alcançou retumbantes vitórias. O Imperador Lotário observava sempre a mesma prática. Em tempos de paz como de guerra, fazia questão de assistir, todos os dias, a três Santas Missas. O piedoso Henrique III, rei da Inglaterra, assistia, do mesmo modo, a três Santas Missas diárias, para grande edificação de sua corte. Singulis diebus três Missas cum nota audire soletat, et piures audire cupiens privatim celebrantibus assidue assistebat. O Senhor recompensou-o, ainda neste mundo, com um feliz reinado de cinquenta e seis anos. 

Mas, para expor à luz a piedade dos monarcas ingleses e sua assiduidade em assistir à Santa Missa, não é preciso remontar aos séculos passados; basta considerar a grande alma de Maria Clementina, a piedosa rainha cuja perda Roma ainda chora. Como ele se dignou dizer-me muitas vezes, punha todas as suas delícias em assistir ao Divino Sacrifício e todos os dias assistia a todas as Santas Missas que podia. Mantinha-se imóvel, sem almofadas, sem apoio, como uma estátua. E por esta devota assistência à Santa Missa, acendeu-se em seu coração amor tão ardente a JESUS-Hóstia, que se esforçava por assistir diariamente a três ou quatro bênçãos do Santíssimo Sacramento. Sua carruagem percorria a toda a velocidade as ruas de Roma, a fim de permitir-lhe chegar a tempo nas diversas igrejas. E quantas lágrimas derramou esta santa mulher para mitigar a fome que tinha de pão dos Anjos, fome tão veemente que lhe causava enlanguescimento noite e dia, porque seu coração se achava a todo instante transportado aonde estava seu tesouro.

DEUS permitiu, entretanto, que tão prementes instâncias não fossem atendidas; permitiu-o para tornar mais heróico o seu amor, mais ainda, para torná-la mártir de amor. Assim, a meu ver, isto lhe acelerou a morte, como posso julgar pela última carta que me escreveu já no leito de morte. É certo que, se lhe foi negada a comunhão frequente, não perdeu ela o mérito, pois, não podendo satisfazer seu amor pela comunhão sacramental, buscava consolo na comunhão espiritual, que fazia não só na Santa Missa, mas renovava-a muitas vezes durante o dia, com grande contentamento de seu coração, seguindo o método indicado no capítulo anterior. 

Ora, dizei-me, este exemplo sublime não basta para rechaçar todas as desculpas dos que demonstram tanta preguiça em assistir, todos os dias à Santa Missa e nela fazer a comunhão espiritual? Não me satisfaz, entretanto, que imiteis esta boa rainha com o fervor do vosso coração em desejar receber JESUS-HÓSTIA; mas quisera que a imitásseis, ocupando vossas mãos nos trabalhos que tão frequentemente ela efetuava, a fim de prover de objetos do culto às igrejas pobres, exemplo seguido em Roma por muitas damas nobres, que se consideravam felizes em trabalhar com suas mãos nos vários paramentos destinados ás igrejas. E fora de Roma, conheço uma grande princesa, ilustre tanto por sua piedade como pelo nascimento, que assistia, todas as manhãs, a várias Santas Missas, e ocupa suas damas nos trabalhos destinados ao altar, a ponto de enviar caixas cheias de corporais, manutérgios e outras peças semelhantes aos missionários e pregadores, para que distribuam ás igrejas pobres e a fim de que o Divino Sacrifício seja oferecido a DEUS com toda a pompa, decência e solenidade adequadas

Terminamos este parágrafo com o exemplo da São Venceslau, rei da Boêmia, que todos devem imitar, se não em tudo, ao menos na medida do possível. Este Santo rei, não contente em assistir diariamente a muitas Santas Missas, de joelhos sobre o chão duro, e de servir aos padres no altar, com mais humildade que um seminarista, presenteava, ainda, as igrejas com as joias mais preciosas de seu tesouro e as mais ricas tapeçarias de seu palácio. Costumava, além disso, confeccionar, com suas próprias mãos, as hóstias destinadas ao santo Sacrifício.  Para este fim e sem receio de diminuir sua dignidade real, com suas mãos feitas para empunhar o cetro, cultivava um campo, conduzindo a charrua, semeava o trigo, fazia a colheita, depois moia os grãos, peneirava a farinha, preparava e cortava as hóstias e as apresentava com o mais profundo respeito aos sacerdotes, para que as convertessem no Corpo do Salvador.  Ó mãos dignas, de São Venceslau, de empunhar o cetro da Terra inteira! Qual foi, porém, a recompensa de tão terna piedade?  Permitiu DEUS que o imperador Oto I concebesse pelo santo rei tal benevolência que lhe concedeu o privilégio de gravar em seu brasão as armas do império: a águia negra sobre fundo branco, favor nunca obtido por nenhum outro príncipe. Deste modo, por intermédio do imperador, quis DEUS recompensar a grande devoção de São Venceslau ao Sacrifício da Eucaristia. Magnífica, porém foi sua recompensa no Céu, quando, por um glorioso martírio, obteve uma bela coroa de glória eterna. E assim, graças a essa afeição profunda à Santa Missa, ele foi duplamente coroado, neste mundo e no outro. 

- São Leonardo de Porto-Maurício. As Excelências da Santa Missa; p. 63-65.

sábado, 26 de setembro de 2020

Recursos literários, más notícias e a hora do herói

25ª Semana do Tempo Comum | São Cosme e São Damião | Sábado 
Primeira Leitura (Ecl 11,9-12,8) 
Salmo Responsorial (Sl 89) 
Evangelho (Lc 9,43b-45) 
 
1. A primeira leitura de hoje é uma preciosidade literária. Usa tantos termos enigmáticos, o ruído do moinho irá enfraquecer, a amendoeira florescerá, os guardas começarão a tremer. Que significa?  É uma analogia para com a velhice. Cada membro do corpo é personificado. Os guardas a tremer são as pernas a enfraquecer e a bambear, a amendoeira a florescer são os cabelos brancos, etc etc... Não vou detalhar o significado de todas essas figuras pois o Pe. Matos Soares já faz isso em seu comentário bíblico, de todo o modo, isso me lembrou o anime Hataraku Saibou, e mais especificamente sua versão ''Black''. No anime, as células do corpo são personificadas, o mesmo recurso literário utilizado outrora pelo Eclesiastes. Muito legal, não? 


2. No Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo torna a ensinar aos apóstolos a respeito de sua Paixão e Morte, mas eles não o entenderam; esse ensinamento, essa palavra, ''era-lhes obscura'' e eles tinham medo de perguntar.  Os apóstolos, assim como ocorre conosco, tinham dificuldades em lidar com más notícias. Antes esperemos o melhor, o progresso, um mundo onde tudo irá bem; onde o sofrimento, a dor, o caos e a morte nunca irão bater a nossa porta. Mas, não é assim que as coisas funcionam. Uma boa história tem sua parcela de drama, e cá estamos em um drama cósmico, vivendo no desterro em meio a uma sangrenta batalha entre as milícias celestes e as potências infernais (ou Reino Negro, como denominou o Eduardo Fauzi). É uma história de guerra e não um conto infantil, não a vida no mundinho dos Teletubbies, de tal forma que o roteiro não ira se desenrolar de forma infantil. Temos de estar preparados a acolher as más notícias, enfrentar com coragem a escuridão que se aproxima, parar de iludir-nos a respeito de dias felizes. Se não formos capazes de fortalecer nossa alma e preparar o nosso espírito, vai acabar que na hora do herói, vamos amarelar. Como fizeram os apóstolos, com exceção de São João, na hora da Crucificação do Divino Mestre. 

Que Deus nos dê coragem, pois não há vitória sem luta, não há ressureição sem morte, não é possível chegar ao céu sem antes passar pela cruz.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

"O que aconteceu é o que há de acontecer"

25ª Semana do Tempo Comum | Quinta-feira
Primeira Leitura (Ecl 1,2-11) 
Salmo Responsorial (Sl 89) 
Evangelho (Lc 9,7-9) 
 
<O que foi é o que será. O que aconteceu é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol. Se é encontrada alguma coisa da qual se diz: "Veja, isto é novo", ela já existia nos tempos passados. (Ecl 1, 9-10)>

Assim o é. Embora exista hoje um avanço da técnica - o qual aliás, não é constante, seguro e imperecível - o repertório de ideias do homem é limitado. Que são tantas novas doutrinas, modernas, progressistas, senão um remake de velhas heresias? O que foi é o que será, de tal modo que a história, o passado, se nos mostra como um código do futuro. O Eclesiastes é a antípoda do mito do progresso. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Virtua Fighter, Artes Marciais e a Black Pill

Naquele tempo as o Ocidente revisitara o Oriente. As cultura das artes marciais estavam em seu auge, pululavam escolas dos mais diversos e curiosos estilos, prometendo técnicas secretas, milenares e mortais. Filmes, animes e games sobre o assunto eram variados e faziam um sucesso tremendo. O grande Bruce Lee codificava o seu Jet Kune Do ... É esse o ambiente cultural em que nasceu Virtua Fighter, anime o qual tive graça de assistir recentemente. O anime se torna tanto mais interessante quanto menos original, tano mais fiel se mostra aos clichês daquele tempo, maior a imersão estética do espectador hodierno.  Carros tunados, ninjas, máfias internacionais, mestres milenares, estilos diversos, robôs e experimentos humanos. Como que o compêndio simbólico de uma era. E não só isso, o roteiro também traz uma mensagem forte sobre liberdade e responsabilidade, do trilhar o próprio caminho, do potencial humano de superar a si mesmo, da superioridade do homem sobre a máquina.

Mas... Algo mudou de 95 para cá. O encanto ante as artes marciais passou, tantas fantasias e charlatões levaram-nas ao descrédito. Os estilos diversos deram lugar a padronização quase industrial do MMA, enquanto crescem as franquias de Jiu-Jitsu e Muay Thai, os diversos estilos de Kung Fu, o Karatê e tantos outros definham. A confiança nos punhos fora abalada, que pode o maior dos mestres ande um homem armado? As máfias soam tanto quanto infantis quando comparadas as maquinações totalitárias gestadas desde o interior dos órgãos oficiais. Não se teme mais as organizações a margem da lei, mas a própria lei, tanto mais iníqua, tanto mais elaborada desde uma perspectiva ideológica totalitária que busca moldar o comportamento humano nos seus mínimos detalhes.

Naquele tempo tudo parecia tão simples: bastava trocar alguns socos e poderíamos resolver os problemas do mundo. Algumas décadas depois, rimos de modo amargo e cínico daquela vã fantasia juvenil.

sábado, 12 de setembro de 2020

Extra Ecclesiam nulla salus

Transcrevo aqui alguns comentários de Carl Gustav Jung a respeito de uma interpretação "psicológico-simbólica" do dogma “extra ecclesiam nulla salus”:

[...] Mas “extra ecclesiam nulla salus” (fora da Igreja não há salvação), então as coisas ficam realmente terríveis, porque não estamos mais protegidos, não estamos mais no consensus gentium (consenso dos povos), não estamos mais no seio da mãe compassiva. Estamos sós, e todas as forças do inferno estão soltas. Isto é o que as pessoas não sabem. Por isso dizem que temos neuroses de ansiedade, medos noturnos, compulsões e tantas coisas mais. A alma ficou solitária; ela está extra ecclesiam e num estado de não salvação. E as pessoas não sabem disso. Consideram seu estado patológico e os médicos confirmam esta suposição. Quando eles o dizem e quando todos são da mesma opinião de que isto é neurótico e patológico, então temos de entrar nessa linguagem.
- Carl Gustav Jung. A vida simbólica: escritos diversos; pág. 299.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Tribalismo, Cura e Missão


22ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (1Cor 3,1-9)
Salmo Responsorial (Sl 32)
Evangelho (Lc 4,38-44)

1. Também na Igreja primitiva houve a tentação do tribalismo. Uns diziam-se discípulos de Paulo, outros de Apolo. É o que lemos na primeira leitura. O Apóstolo vem corrigir tal distorção. Quem é Paulo? Quem é Apolo? Meros operários de Cristo, um plantou outro regou... Mas a identidade do cristão não se reside neles, não se reside em quem lhes fez chegar o Evangelho, mas no próprio Evangelho.

Também hoje é assim. Uns se apegam a figura de determinado apostolado, outros de outro, há quem faça guerrinha em busca da hegemonia. Adoram atacar sobretudo apostolados famosos, figuras públicas, e mostrar como seu grupo , a tribo a qual  pertencem, é o mais puro, como seu ''mestre'' é o correto... Coisa de criancinha, de homens carnais.

Acaso importa quem nos converteu e nos levou a fé? Acaso pregam a sua própria doutrina ou a da Igreja? Porque esse apego humano, esse tribalismo, esse fiar-se a identidade em homens, esse dividir o que a doutrina da Igreja procura unir?

Somos, pois, todos católicos. Louvado seja Deus por todos os seus instrumentos, todos aqueles que escolheu para pregar publicamente, para levar seu Evangelho aos homens! Mas o Evangelho é de Cristo, a doutrina é da Igreja, e todos aqueles que a ela chegaram, seja pelos caminhos que for, seja qual for o temperamento, a personalidade ou as escolhas pessoais, são nossos irmãos de fé em Cristo Jesus, com os quais compartilhamos a mesma doutrina e os mesmos sacramentos.

Já é tempo de deixarmos essa infantilidade de homens carnais, e buscarmos verdadeiramente fazer-nos homens espirituais, que pensam não segundo a carne, mas guiados pelo espírito. Que não buscam outra coisa senão a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Cristo cura os doentes e expulsa os demônios. Como outrora assim o faz hoje, cura e liberta a todos que a ele recorrem com fé.

Pediram-lhe pela sogra de Pedro, ele a curou. Também nós deveríamos fazer o mesmo, rezar pelos doentes, apresentá-los ao Senhor para que os cure.

3. Depois das obras realizadas no Evangelho de hoje, o povo vai até Jesus, que orava em um local deserto. Queriam que ficasse mais, que ali se estabelecesse e continuasse as suas obras. Mas ele não fica muito tempo... Era preciso que pregasse nas demais cidades, foi para isso que fora enviado. E nós? Sabemos para que fomos enviados? Qual a nossa missão? Ou antes ficamos errantes por aí, em busca talvez de conforto, de um lugar onde sejamos queridos, buscando resolver tão somente nossos próprios problemas, ao invés de servir a Deus na pessoa do próximo? Para que eu fui enviado? Para que você foi enviado? Com certeza foi para nos preocuparmos com algo tanto mais importante que nós mesmos, não?

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Origem do nome Lúcifer

De mayor interés es outro nombre que damos en español al diablo, es decir, Lucifer. Es un nombre demasiado bonito para um enimigo nuestro tan perverso. Lucifer significa lucero o, más a letra, portador de luz. ¿De dónde ha surgido la idea de darle tan bello apelativo?

Hay un pasaje en el profeta Isaías en el cual se pinta al rey de Babilonia caído del mayor esplendor a la mayor miseria. Esa caida del rey la tomaraon los Santos Padres como ejemplo, como símbolo o semejanza de la caida de Satanás del cielo al inferno, y por lo mismo le aplicaron también el mismo epiteto que el profeta aplica en su texto al rey de Babilonia. El profeta usando de un hebraismo dice: ¿Como has caído del cielo, astro brillante, hijo de la aurora? (Isaías 14,12)

Hay aquí yum indudablemente, una alusion clarísima al planeta Venus, que en ciertas ocasiones surge brillantísimo por las mañanas al miesmo tiempo que la aurora. De ahi que los hebreos, prácticamente, lo llamen hijo suyo. En rigor, podria tambien decirse lo mismo de Mercurio; pero por ser Venus mucho más brillante, a el es a quien mejor le cuadra ese apelativo.

Pero, ¿cómo pasamos de la expresión astro brillantte, hijo de la aurora, al nombre de Lucifer? Muy sencillamente. Los Padres griegos no se servian, en sus explicaciones de la Biblia, del original hebreo, sino de la versión griega de la misma. Los traductores griegos del original hebreo pusieron, en vez de hijo de la aurora, portador de la aurora; y los latinos dijeron sencillamente Lucifer o portador de la luz. Con esto tenemos ya designado al rey de Babilonia con apelativo de Lucifer, lucero matutino, y como el rey de Babilonia es tomado como ejemplo de Satanás, este ultimo es llamado tambiem Lucifer. El nombre Luzbel, que se da al diablo con menos frecuencia que el anterior, viene a tener la misma significacion, es decir, luz bella, como la del planeta Venus.

- Pe. Jesus Bujanda; Angeles, Demonios, Magos... y Teologia Católica; p.86-87.