quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Tribalismo, Cura e Missão


22ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (1Cor 3,1-9)
Salmo Responsorial (Sl 32)
Evangelho (Lc 4,38-44)

1. Também na Igreja primitiva houve a tentação do tribalismo. Uns diziam-se discípulos de Paulo, outros de Apolo. É o que lemos na primeira leitura. O Apóstolo vem corrigir tal distorção. Quem é Paulo? Quem é Apolo? Meros operários de Cristo, um plantou outro regou... Mas a identidade do cristão não se reside neles, não se reside em quem lhes fez chegar o Evangelho, mas no próprio Evangelho.

Também hoje é assim. Uns se apegam a figura de determinado apostolado, outros de outro, há quem faça guerrinha em busca da hegemonia. Adoram atacar sobretudo apostolados famosos, figuras públicas, e mostrar como seu grupo , a tribo a qual  pertencem, é o mais puro, como seu ''mestre'' é o correto... Coisa de criancinha, de homens carnais.

Acaso importa quem nos converteu e nos levou a fé? Acaso pregam a sua própria doutrina ou a da Igreja? Porque esse apego humano, esse tribalismo, esse fiar-se a identidade em homens, esse dividir o que a doutrina da Igreja procura unir?

Somos, pois, todos católicos. Louvado seja Deus por todos os seus instrumentos, todos aqueles que escolheu para pregar publicamente, para levar seu Evangelho aos homens! Mas o Evangelho é de Cristo, a doutrina é da Igreja, e todos aqueles que a ela chegaram, seja pelos caminhos que for, seja qual for o temperamento, a personalidade ou as escolhas pessoais, são nossos irmãos de fé em Cristo Jesus, com os quais compartilhamos a mesma doutrina e os mesmos sacramentos.

Já é tempo de deixarmos essa infantilidade de homens carnais, e buscarmos verdadeiramente fazer-nos homens espirituais, que pensam não segundo a carne, mas guiados pelo espírito. Que não buscam outra coisa senão a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Cristo cura os doentes e expulsa os demônios. Como outrora assim o faz hoje, cura e liberta a todos que a ele recorrem com fé.

Pediram-lhe pela sogra de Pedro, ele a curou. Também nós deveríamos fazer o mesmo, rezar pelos doentes, apresentá-los ao Senhor para que os cure.

3. Depois das obras realizadas no Evangelho de hoje, o povo vai até Jesus, que orava em um local deserto. Queriam que ficasse mais, que ali se estabelecesse e continuasse as suas obras. Mas ele não fica muito tempo... Era preciso que pregasse nas demais cidades, foi para isso que fora enviado. E nós? Sabemos para que fomos enviados? Qual a nossa missão? Ou antes ficamos errantes por aí, em busca talvez de conforto, de um lugar onde sejamos queridos, buscando resolver tão somente nossos próprios problemas, ao invés de servir a Deus na pessoa do próximo? Para que eu fui enviado? Para que você foi enviado? Com certeza foi para nos preocuparmos com algo tanto mais importante que nós mesmos, não?

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