sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Virtua Fighter, Artes Marciais e a Black Pill

Naquele tempo as o Ocidente revisitara o Oriente. As cultura das artes marciais estavam em seu auge, pululavam escolas dos mais diversos e curiosos estilos, prometendo técnicas secretas, milenares e mortais. Filmes, animes e games sobre o assunto eram variados e faziam um sucesso tremendo. O grande Bruce Lee codificava o seu Jet Kune Do ... É esse o ambiente cultural em que nasceu Virtua Fighter, anime o qual tive graça de assistir recentemente. O anime se torna tanto mais interessante quanto menos original, tano mais fiel se mostra aos clichês daquele tempo, maior a imersão estética do espectador hodierno.  Carros tunados, ninjas, máfias internacionais, mestres milenares, estilos diversos, robôs e experimentos humanos. Como que o compêndio simbólico de uma era. E não só isso, o roteiro também traz uma mensagem forte sobre liberdade e responsabilidade, do trilhar o próprio caminho, do potencial humano de superar a si mesmo, da superioridade do homem sobre a máquina.

Mas... Algo mudou de 95 para cá. O encanto ante as artes marciais passou, tantas fantasias e charlatões levaram-nas ao descrédito. Os estilos diversos deram lugar a padronização quase industrial do MMA, enquanto crescem as franquias de Jiu-Jitsu e Muay Thai, os diversos estilos de Kung Fu, o Karatê e tantos outros definham. A confiança nos punhos fora abalada, que pode o maior dos mestres ande um homem armado? As máfias soam tanto quanto infantis quando comparadas as maquinações totalitárias gestadas desde o interior dos órgãos oficiais. Não se teme mais as organizações a margem da lei, mas a própria lei, tanto mais iníqua, tanto mais elaborada desde uma perspectiva ideológica totalitária que busca moldar o comportamento humano nos seus mínimos detalhes.

Naquele tempo tudo parecia tão simples: bastava trocar alguns socos e poderíamos resolver os problemas do mundo. Algumas décadas depois, rimos de modo amargo e cínico daquela vã fantasia juvenil.

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