segunda-feira, 19 de outubro de 2020

"E as coisas que ajuntastes, de quem serão?"

29ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira
Primeira Leitura (Ef 2,1-10)
Salmo Responsorial (Sl 99)
Evangelho (Lc 12,13-21)

''E as coisas que ajuntastes, de quem serão?''; é a pergunta que encerra o Evangelho de hoje. A maioria de nós conhece a parábola, e sabe que seu significado próximo, imediato, se trata de uma crítica a avareza, ao acúmulo de bens materiais, e mais que o acúmulo, mas sobretudo depositar neles a sua confiança. Todavia, não é apenas os encher os estoques um esforço vão, quando dissociado de Deus, há uma outra forma de fazer o mesmo, mais moderna e refinada, e até aparentemente pura, pois não envolve tanto dinheiro assim: a tentativa de edificar a sociedade perfeita. Quantos não se empenham, não gastam toda vida nisso, lutando por ideologias, lutando por um mundo novo o qual não viverão o suficiente para desfrutá-lo...

''E as coisas que ajuntastes, de quem serão?'' E o ''mundo novo'' que construíste? O sujeito bem poderia responder: "não porque as novas gerações.."; mas o que há aí? Um desejo de minar o sonho alheio, de escravizar as gerações futuras em seu próprio devaneio, de querer como que ''viver nelas''. Entretanto, assim não acontece, e não raro os herdeiros do mundo dos ideólogos são bárbaros que se encarregam de destruí-lo, tudo aquilo que o sujeito gastou a vida para construir, é destruído em questão de anos. Irônico, não? Pois é assim esse vale de lágrimas, não há permanência. Os homens passam, tal qual as suas obras. Não podemos, nós, edificar nada perene e duradouro.

Se é assim, e assim o é, então como viver? Como viver sem ambição, sem essa esperança de edificar algo perene? Viver sabendo que a caos e a decadência são como que uma lei da história? A resposta é simples: Verso l'alto ! O céu, lá onde não há traça que corrói, lá onde não há corrupção ou decadência, lá deve estar nosso tesouro, nossa esperança, nosso coração, e é para lá que devemos viver. Usando esse mundo que passa, almejando aquelas coisas que não passam. Lá também nós seremos eternos, e quiçá possamos desfrutar da companhia de nossos herdeiros, mas chegar lá, depende de cada qual...

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