quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Os três negociantes de Gúbio

Infelizmente o deus dos nossos tempos é o dinheiro. Quão numerosos são os que se prostram diante dele e lhe oferecem adoração em todo tempo e lugar! 

O resultado é que, correndo atrás deste ídolo, esquecem o verdadeiro DEUS, e, por conseqüência, precipitam-se num abismo de desgraças e perdem toda a felicidade, enquanto que, na afirmação do profeta e rei, aqueles que buscam a DEUS antes de tudo, não caem em nenhum verdadeiro mal e têm acréscimo de todos os bens, Inquirentes Dominum non minuentur omni bono (Sl 33,11). Esta palavra se verifica ainda mais naqueles que , antes de se entregarem a seu trabalho ou a seus negócios, têm o cuidado de assistir ativa e atentamente à Santa Missa.

É o que prova a história dos três negociantes de Gúbio. Dirigiram-se a uma feira que se realizava num burgo chamado Cisterno. Depois de vender suas mercadorias, dois deles começaram a pensar na volta e resolveram partir no dia seguinte de madrugada, a fim de estarem em casa ao cair da tarde. O terceiro discordou desta resolução e declarou que, sendo o dia seguinte um domingo, não se punha a caminho se antes ter assistido à Santa Missa.
 
E exortou os outros, se queriam voltar como tinham vindo, teriam primeiro que assistir à Santa Missa; em seguida fariam uma refeição e partiriam abençoados. Além disso, se não pudessem chegar naquela mesma noite a Gúbio, não faltariam albergues confortáveis no caminho. 

Os companheiros não se renderam aos conselhos salutares e sensatos; mas, decididos a chegar naquela mesma noite a seus lares, responderam que DEUS havia de perdoar-lhes se pro aquela vez faltassem à Santa Missa. Assim, no domingo, antes da aurora, sem entrar sequer na igreja, montaram a cavalo e tomaram a estrada para sua terra. 

Em breve chegaram à torrente de Corfuone, que a chuva torrencial da noite anterior engrossara a ponto de fazer transbordar. A água, em corrente impetuosa, sacudira e deslocara bastante a ponte de madeira. 
Os dois negociantes meteram-se por ela com suas alimárias, mas, bem não tinham chegado ao meio, rompeu-se o madeirame à pressão da água e os dois cavaleiros precipitaram-se no rio onde se afogaram, perdendo assim dinheiro, mercadorias e a vida. 

Ao fragor desta catástrofe, acorreram os camponeses, e por meio de ganchos e varapaus conseguiram retirar os cadáveres que deixaram estendidos na margem, para que fossem identificados e se lhes pudesse dar sepultura. 

O terceiro, entretanto, que se deixara ficar para cumprir o preceito de assistir à Santa Missa, pôs-se a caminho alegre e animado. Ao chegar à mesma torrente, viu na margem os dois mortos, e por curiosidade se deteve para olhá-los. Reconheceu imediatamente seus dois amigos e ouviu emocionado a descrição da tragédia. 

Levantou, então, as mãos ao céu, agradecendo a DEUS que tão misericordiosamente o preservara de semelhante desgraça, e abençoou mil vezes, a hora que consagrara à Santa Missa, à qual devia estar são e salvo.

Ao chegar a sua cidade, comunicou a triste notícia e excitou em todos os corações um vivo desejo de assistir todos os dias à Santa Missa. 

- São Leonardo de Porto-Maurício. As Excelências da Santa Missa; p. 70-72.

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