sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Uma nova Idade Média? Não mais...


34ª Semana do Tempo Comum | Sexta-feira
Primeira Leitura (Ap 20,1-4.11-21,2)
Salmo Responsorial (Sl 83)
Evangelho (Lc 21,29-33)

28. Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à proteção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados em si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.

Assim se expressa o Papa Leão XIII em sua encíclica Immortale Dei sobre o período hoje conhecido como a Idade Média. Que bom seria se algo assim viesse a se repetir no futuro. O Pe. Robert Hugh Benson põe-se a especular a respeito em sua utopia Alba Triunfante, onde pinta o cenário fantástico de uma nova cristandade, vitoriosa sob a iniquidade moderna... Curiosamente, tal civilização nasce com a vitória do Império Austro-Húngaro durante a primeira guerra mundial, todavia aconteceu justamente o contrário, tendo a maçonaria triunfado sob as antigas monarquias. O próprio Benson não alimentava tais esperanças utopicas, declarando repetidas vezes que a distopia apocalíptica retratada em O Senhor do Mundo como tanto mais provável. Tenho eu a mesma opinião. 

Lemos hoje no livro do Apocalipse de São João:

Eu vi descer do Ceo hum Anjo, que tinha a chave do abysmo, e huma grande cadeia na sua mão. E elle tomou o Dragão, a serpente antiga, que he o Diabo, e Satanás, e o amarrou por mil annos. E metteo-o no abysmo, e fecho-o, e poz sello sobre elle, para que não engane mais as gentes, até que sejão cumpridos os mil annos: e depois disto convem, que elle seja desatado por hum pouco de tempo. (Ap 20, 1-3).

A Idade Média foi possível não apenas por esforços humanos, mas por desígnios divinos. Era o tempo em que o dragão, em que Satanás, estava como que aprisionado. Todavia, tal período chegou ao fim, tendo sido o dragão liberto para que se tenha início o Drama do Fim dos Tempos. Não haverá uma restauração senhores, o mundo está destinado a danação, cabe pois zelar pelas almas para escapem a perdição eterna, e sufragar as almas do purgatório, cujo sofrimento é tremendo. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

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