terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Efêmeras Hierarquias


4ª Semana do Advento | Terça-feira
Primeira Leitura (1Sm 1,24-28)
Salmo Responsorial (1Sm 2,1-8)
Evangelho (Lc 1,46-56)

Deus é hierárquico... mas nem tanto. É de seu agrado que exista uma ordem, que existam níveis e hierarquias. Mas, tais hierarquias não são ''direito adquirido'', e por vezes ele manifesta seu poder invertendo tal ordem. Lemos no magnificat que Ele derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes, que sacia de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias. Quantas vezes isso não acontece na história? Quantas dinastias não governaram o mundo por gerações e depois foram reduzidas a uma vida comum? Quantos ricos não terminaram na mendicância? Quantos pobres e humildes não foram elevados as alturas, a quantos não foram confiados poder e riquezas?

Davi era um pastor de ovelhas e terminou como rei. Pu Yi fora imperador chinês, terminou como um simples jardineiro. Nem a própria Igreja escapa a essa lógica, ora coroada e reconhecida pelos reis e imperadores, ora perseguida e marginalizada. A Basílica de Latrão fora um esplendoroso presente dado pelo Imperador Constantino ao Papa. Em determinada época ela se tornou um estábulo para cavalos. Quantas lindas catedrais outrora frequentadas por reis e nobres não se tornaram tristemente academias, livrarias, e pistas de skate?

As hierarquias não são estáveis. Deus em sua providência permite tanta coisa que escapa a nossa compreensão. Quem pode estar seguro de sua posição? Ninguém! Se Deus permitiu a nobreza de Israel, a descendência de Davi, a São José e a Santíssima Virgem, viverem na pobreza, suportarem a perseguição, viverem como imigrantes, refugiados em uma nação estrangeira, podemos nós reclamar algum privilégio? Nenhum.

As hierarquias existem, mas são instáveis e sujeitas a inversão durante a história... Triste de quem dedica a vida para conquistar algo tão efêmero.

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