domingo, 7 de março de 2021

A Cólera Divina


3º Domingo da Quaresma
Primeira Leitura (Êx 20,1-17)
Salmo Responsorial (Sl 18)
Segunda Leitura (1Cor 1,22-25)
Evangelho (Jo 2,13-25)

1. A liturgia de hoje trata de um tema um tanto quanto impopular entre os teólogos modernos: a cólera divina. Empanturrados de uma teologia ruim, de um liberalismo pacifista e irresponsável, pregam aos fiéis tão somente um lado do Pantocrator, falam da misericórdia e negligenciam a justiça, acabando transformando a Igreja numa casa de tolerância, que aceita tudo em seu interior, cúmplice das mais nefastas abominações.

A primeira leitura traz a recordação dos mandamentos, e o primeiro e mais importante deles, é hoje tão negligenciado. Diz o Senhor Javé Deus dos Exércitos: <Não terás Deoses estrangeiros diante de mim. (Ex 20, 3)>; mas não é o exato oposto do que se tem praticado atualmente? Sob a desculpa de ecumenismo, o clero, o alto clero, introduz, no Templo Santo do Senhor religiões estranhas, convidam idolatras e adoradores de demônios a recitar orações aos seus deuses pela paz, sobre o aplauso da mídia - que não é outra coisa senão uma sanfona do inferno - e de fiéis tolos e incautos. E tal como diz o Apóstolo na segunda leitura, a sabedoria de Deus parece loucura a estes homens: veem o zelo da doutrina como intolerância, a fidelidade ao Senhor como fanatismo. Estes homens abandonaram os caminhos de Deus e a fidelidade a sua palavra para ouvir o mundo e seus demônios, acaso ficarão sem castigo? De maneira alguma! Não é pois, a pandemia que assola nosso país um sinal dos céus, uma primeira de uma série de pragas para castigar as iniquidades deste povo infiel?

2. O Evangelho, nos traz a cena de Nosso Senhor a expulsar os mercadores do templo... Quiçá nos fossemos capazes de imitar tamanho zelo, ecoar alguma valentia, e não sermos contados entre os covardes que nada fazem enquanto os chacais disfarçados de pastores devoram as almas do rebanho. Acaso é preciso sinal mais claro, que somos governados por traidores, que as numerosas blasfêmias protagonizadas pelo mesmos bispos durante está chamada campanha da iniquidade?

3. Termino, essas reflexões com um poema de Álvarez de Azevedo, em louvor a cólera divina. Louvemos, o Senhor nosso Deus, o soberano que domina toda a terra:
A TEMPESTADE
FRAGMENTO

Profeta escarnecido pelas turbas
Disse-lhes rindo — adeus!
Vim adorar na serrania escura
A sombra de meu Deus!

O céu enegreceu: lá no ocidente
Rubro o sol se apagou;
E galopa o corcel da tempestade
Nas nuvens que rasgou...

Da gruta negra a catarata rola,
Alaga a serra bronca,
Esbarra pelo abismo, escuma uivando
E pelas trevas ronca...

O chão nu e escarvado p’las torrentes
Trêmulo se fendeu...
Da serrania a lomba escaveirada
O raio enegreceu.

Cede a floresta ao arquejar fremente
Do rijo temporal,
Ribomba e rola o raio, nos abismos
Sibila o vendaval.

Nas trevas o relâmpago fascina,
A selva se incendeia...
Chuva de fogo pelas serras hirtas
Fantástica serpeia...

Amo a voz da tempestade,
Porque agita o coração...
E o espírito inflamado
Abre as asas no trovão!

A minh’alma se devora
Na vida morta e tranqüila...
Quero sentir emoções,
Ver o raio que vacila!

Enquanto as raças medrosas
Banham de prantos o chão,
Eu quero erguer-me na treva,
Saudar glorioso trovão!

Jeová! derrama em chuva
Os teus raios incendidos!
Tua voz na tempestade
Reboa nos meus ouvidos!

É quando as nuvens ribombam
E a selva medonha está,
Que no relâmpago surge
A face de Jeová!

A tuba da tempestade
Rouqueja nos longos céus,
De joelhos na montanha
Espero agora meu Deus!

O caminho rasgou-se: mil torrentes
Rebentam bravejando,
Rodam na espuma as rochas gigantescas
Pelo abismo tombando.

Como em noite do caos, os elementos 
incandescentes lutam.
Negra — a terra, o céu — rubro, o mar — vozeia
— E as florestas escutam...

Tudo se escureceu e pela treva,
No chão sem sepultura,
Os mortos se revolvem tiritando
Na longa noite escura.

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Profeta escarnecido pelas turbas
Disse-lhes rindo — adeus!
Vim fitar ao clarão da tempestade
— A sombra de meu Deus!

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