segunda-feira, 31 de maio de 2021

Plural dos Substantivos Compostos


Em condições normais de temperatura e pressão, os substantivos, os adjetivos, os numerais e os pronomes que fazem parte do substantivo composto variam em número. Veja:
– Os tenentes-coronéis (subst. + subst.) foram convidados para a reunião.
– Estes alunos-mestres (subst. + subst.) desempenham bem o papel de professor.
– Comprei dois cachorros-quentes (subst. + adj.) bem saborosos naquela barraca.
– Ah, os arrozes-doces (subst. + adj.) da mamãe! Quanta saudade!
– Os capitães-mores (subst. + adj.) eram autoridades que comandavam certas milícias.
– Os baixos-relevos (adj. + subst.) são bastante utilizados na decoração arquitetônica.
– Todos os gentis-homens (adj. + subst.) são sedutores.
– Não tenho tratos com maus-caracteres (adj. + subst.), meu nobre!
– Convidaram os surdos-mudos (adj. + adj.) para o discurso em LIBRAS.
– Quem não odeia todas as segundas-feiras (num. + subst.)?
– Dentre os primeiros-ministros (num. + subst.) ingleses, Churchill marcou a história.
– Os meios-fios (num. + subst.) estão muito mal conservados.
– Os seus-vizinhos (pron. + subst.) ficam entre o dedo médio e o mínimo.
– Fizeram poucos-casos (pron. + subst.) dos rapazes.

●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●●
■■■ Se o substantivo composto formado por subst. + subst. indicar adição, como se houvesse um e entre eles, ambos irão variar: tenente-coronel (tenentes-coronéis), tio-avô (tios-avôs), abelha-mestra (abelhas-mestras), padre-mestre (padres-mestres), traqueia-artéria (traqueiasartérias), comandante-chefe (comandantes-chefes) etc. 

■■■ Certos pronomes invariáveis mantêm sua invariabilidade: “Vocês são dois joõesninguém.” ou “Esquecemos os cola-tudo na loja!”. Mas: “Não me importam os tudos-nadas (ou tudo-nadas).”.

■■■ Se o substantivo for invariável, também não varia no composto: “Foram comprados cinco porta-lápis, depois mais um porta-lápis”.
●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●●

Agora, em condições normais de temperatura e pressão, as demais classes gramaticais não variam em número (verbo, advérbio, conjunção, preposição, interjeição). Veja:
– Aquelas porta-bandeiras (verbo + subst.) sabem o que é samba.
– Nunca se viram beija-flores (verbo + subst.) tão garbosos como esses.
– Vamos lutar para os abaixo-assinados (adv. + adj.) serem aceitos.
– Os alto-falantes (adv. + adj.) foram desligados*.
– Não confie nestas três leva e traz (verbo + conjunção + verbo; sem hífen).
– Seus cães de guarda (subst. + prep. + subst.) continuam bem ferozes.
– O padre fez os garotos rezarem mais de dez ave-marias (interj. + subst.).

Como nem tudo são flores nesta vida, há certas regrinhas especiais para os substantivos compostos. Precisamos falar delas, meu nobre. Cuidado com algumas palavras que perderam o hífen! Vejamos:

1) Os não separados por hífen seguem as regras dos substantivos simples:
– fidalgos, madressilvas, pontapés, girassóis, mandachuvas, vaivéns, malmequeres
(mas: bem-me-quer > bem-me-queres, com hífen)

2) Se o 2° substantivo delimitar o 1° indicando semelhança/finalidade, normalmente, ambos os elementos poderão variar (é normal que só o 1° o varie nas provas de concurso):
– peixes-espada(s), papéis-moeda(s), homens-rã(s), bananas-maçã(s), pomboscorreio(s), salários-família(s), públicos-alvo(s), navio-escola(s), bombas-relógio(s), banhos-maria(s)...

3) Se o substantivo composto estiver formado por substantivo + preposição + substantivo, só o 1° irá variar:
– pés de moleque, mulas sem cabeça, comandantes em chefe, pores do sol, bolas ao cesto, calcanhares de aquiles, pais dos burros, bichos de sete cabeças, rosas dos ventos, mestres de cerimônias etc.

4) Os elementos abreviados grã-, grão-, bel-, dom-, são- são invariáveis; o outro elemento varia normalmente:
– grã-duquesas, grã-cruzes, grão-mestres, grão-priores, bel-prazeres, bel-valenses, domjuanescos, dom-rodrigos, são-beneditenses, são-bernardos...

5) Se o substantivo indicar origem, só o 2° irá variar:
– nova-iorquinos, afro-brasileiros, ítalo-americanos, anglo-americanos, afro-asiáticos...

6) Em substantivos compostos por verbos iguais, ambos podem variar (em prova de concurso, é normal só o 2° variar):
– corre(s)-corres, ruge(s)-ruges, pega(s)-pegas, pisca(s)-piscas... mas: lambe-lambes.

7) Em substantivos formados por onomatopeias, só o último elemento varia:
– tique-taques, pingue-pongues, bangue-bangues, reco-recos, bem-te-vis...

8) Em substantivos compostos formados por frases substantivadas, não haverá pluralização de nenhum elemento; só o determinante indicará o plural:
– as maria vai com as outras, os bumba meu boi, as leva e traz, os entra e sai, os disse me disse, os chove não molha, as comigo-ninguém-pode (espécie botânica é com hífen).

9) Se o substantivo composto estiver formado por guarda (verbo) + substantivo, só o 2° elemento irá variar; se guarda (subst.) + adjetivo, ambos variam:
– guarda-chuvas, guarda-roupas, guarda-cartuchos...; guardas-civis, guardas-noturnos, guardas-florestais...

10) Alguns casos especiais: os arco-íris, os sem-terra, os sem-teto, os sem-dinheiro, os sem-sal, os sem-vergonha (tais vocábulos não pluralizam, pois são adjetivos compostos substantivados), os mapas-múndi, claros-escuro(s), xequesmate(s), padre(s)-nossos, salvo(s)-condutos, mal-estares, bem-estares, micos-leão-dourados ou micos-leões-dourados, todo-poderosos (Todo-poderoso – invariável, Deus).

●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●●

EXERCÍCIOS

4. (MP-RJ – Secretário de Promotoria e Curadoria I – 2002) Os vocábulos mão-de-obra, infanto-juvenil e bolsa-escola apresentam como formas plurais adequadas:
a) mãos-de-obras / infanto-juvenis / bolsas-escolas;
b) mãos-de-obra / infanto-juvenis / bolsas-escola;
c) mão-de-obras / infantos-juvenis / bolsas-escolas;
d) mão-de-obras / infantos-juvenis / bolsas-escola;
e) mãos-de-obra / infantos-juvenis / bolsas-escola

6. (FCC – TRT (20R) – Técnico Judiciário – 2002) Assinale a frase em que o plural do substantivo composto está INCORRETO:
a) Os brasileiros não são cucas-frescas, como se pensa.
b) Esses são pontos-chave para evitar o nervosismo.
c) São coletes salvam-vidas contra os fatores de stress.
d) Os chefes são geralmente todo-poderosos no serviço.
e) As causas de sofrimento não são simples lugares-comuns.

7. (FCC – TRT (5R) – Auxiliar Judiciário – 2003) Na época em que alguns trabalhadores recebiam suas ...... não existiam os ...... .
a) meia-tigelas – vale-refeições;
b) meia-tigelas – valem-refeição;
c) meias-tigelas – vales-refeições;
d) meias-tigelas – valem-refeições;
e) meias-tigela – vales-refeição.

9. (Cesgranrio – MPE/RO – Analista de Sistemas – 2005) Dentre os plurais dos nomes compostos, o único flexionado de modo adequado é:
a) guarda-chuvas;
b) olhos azuis-turquezas;
c) escolas-modelos;
d) surdo-mudos;
e) pores-dos-sóis.

10. (FCC – TRT/MS (24R) – Auxiliar Judiciário – 2006) O município de Bonito é exemplo de preservação de suas belezas naturais, com ...... de visão magnífica, verdadeiros ...... .
a) quedas d’água – cartões-postal;
b) quedas d’água – cartões-postais;
c) queda d’águas – cartões-postais;
d) quedas d’água – cartão-postais;
e) queda d’águas – cartão-postais.

11. (FCC – TRT (24R) – Técnico Judiciário – 2006) A forma correta de plural dos substantivos compostos mico-leão-dourado e ararinha-azul é:
a) micos-leão-dourados e ararinhas-azul;
b) micos-leão-dourado e ararinha-azuis;
c) mico-leões-dourados e ararinha-azuis;
d) mico-leão-dourados e ararinhas-azul;
e) micos-leões-dourados e ararinhas-azuis.

19. (Consulplan – Advogado – 2010) “Que emigrado da roça não sentiu uma indefinível estranheza e talvez um secreto mal-estar a primeira vez...”
Assinale a alternativa que faz o plural da mesma forma que a palavra sublinhada anteriormente:
a) guarda-civil;
b) amor-perfeito;
c) guarda-roupa;
d) obra-prima;
e) pombo-correio.

23. (MP/PE – Penum (Estágo Nível Universitário) – 2011) Os compostos estão corretamente pluralizados em:
a) pés-de-moleques, guarda-roupas, ex-diretores;
b) grão-duques, bananas-maçã, piscas-piscas;
c) pés-de-moleque, bananas-maçã, canetas-tinteiro;
d) pés-de-moleques, canetas tinteiros, tique-taques;
e) pés-de-cabras, pores do sol, porta-bandeiras.

26. (Cesgranrio – FINEP – Analista Jurídica – 2011) A formação do plural da palavra cartão-postal é a mesma que ocorre em:
a) abaixo-assinado;
b) alto-falante;
c) porta-voz;
d) cavalo-vapor;
e) guarda-civil.

27. (Cesgranrio – SEEC/RN – Professor de Língua Portuguesa – 2011)Quanto à formação do plural de substantivos compostos, algumas normas devem ser observadas. O grupo de palavras compostas que seguem a mesma regra de flexão de número de lugares-comuns é:
a) obra-prima, navio-petroleiro, água-marinha;
b) amor-próprio, vice-presidente, beija-flor;
c) salário-mínimo, cartão-postal, sempre-viva;
d) segunda-feira, bate-boca, tenente-coronel;
e) vitória-régia, amor-perfeito, abaixo-assinado.

31. (Cesgranrio – Petrobras – Técnico de Contabilidade Júnior – 2012) A respeito da formação do plural dos substantivos compostos, quando os termos componentes se ligam por hífen, podem ser flexionados os dois termos ou apenas um deles.
O substantivo composto que NÃO apresenta flexão de número como matéria-prima é:
a) água-benta;
b) batalha-naval;
c) bate-bola;
d) batata-doce;
e) obra-prima.
●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●●

GABARITO

4. B
6. C
7. C
9. A
10. B
11. E
19. C
23. C
26. E
27. A
31. C
 ■

sábado, 29 de maio de 2021

O caminho da sabedoria e o método da confissão


8ª Semana do Tempo Comum | Sábado
Primeira Leitura (Eclo 51,17-27)
Responsório (Sl 18,8-11)
Evangelho (Mc 11,27-33)

A liturgia de hoje é como que um itinerário pelo caminho da sabedoria. Na primeira leitura temos o relato do Eclesiástico e de como ele a buscou desde a juventude. No salmo há o louvor aos preceitos de Deus, fonte tremenda de sensatez e sabedoria acessíveis até mesmo aos simples, preceitos mais preciosos que o ouro e tão saborosos como o mel. E no Evangelho, como que na coroação desta jornada, há a exemplificação do chamado método da confissão, que é algo assustadoramente simples: para chegar a uma verdade você precisa partir desde outra, confessar o que sabe. Os fariseus perguntam a Cristo com que autoridade realiza Ele suas obras. A resposta virá, mas antes os fariseus devem responder se o batismo de João vem do céu. Ao examinar a questão em nenhum momento os fariseus se preocupam com a verdade, mas antes com os efeitos sociais da resposta, o eco ante o povo de uma resposta negativa, a cobrança por coerência que uma resposta positiva exigiria. E então respondem de forma evasiva: não sabemos! E por tal mentira, não recebem eles a resposta a sua primeira indagação a respeito da autoridade de Cristo. Se agirmos como os fariseus, com pouca consideração a verdade e demasiada preocupação pela imagem pública, vamos terminar igual eles, longe da verdade, na obscuridade do pecado e da ignorância, sem obter resposta alguma para as próprias preguntas.

terça-feira, 25 de maio de 2021

A tecnosfera e o distanciamento do divino


8ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira
Primeira Leitura (Eclo 35,1-15)
Responsório (Sl 49)
Evangelho (Mc 10,28-31)

<Não te apresentarás diante do Senhor de mãos vazias (Eclo 35, 6)>

As leituras do dia giram em torno da temática do sacrifício. Ao homem antigo sempre foi evidente a necessidade de se oferecer sacrifícios a divindade, tanto como sinal de gratidão, quanto para aplacar sua cólera. Imerso na natureza - sofrendo de forma mais direta o efeito de sinistros climáticos, ataque de feras e pestes - o homem de outrora tinha mais consciência de sua insignificância.

Com o avanço da tecnosfera, as estruturas constituídas pelo trabalho humano no espaço da biosfera, e o distanciamento cada maior ante a Criação, com o mito da ordem e da paz, o homem passa a esquecer-se de Deus, e a doutrina do sacrifício tornar-se para ele um mistério.

Que não julgue o leitor tratar-se aqui de uma crítica clichê com contornos ludistas a evolução tecnológica, como se o avanço da técnica fosse alguma forma de heresia. A técnica traz consigo benefícios incalculáveis, bem como guarda em si grande beleza. Recentemente fiquei maravilhado com os avanços da agricultura chinesa, onde a criação animal e o cultivo vegetal se dá em um complexo de  edifícios que pode chegar a 13 andares, contraste entre estas fazendas verticais, e as tradicionais fazendas brasileiras, onde tudo ainda é muito rústico, mesmo com o avanço do agronegócio, é imenso.



Digressões a parte, é inegável porém que tal avanço tecnológico - apesar de sua beleza e de seus inúmeros benefícios - vai isolando o homem da Criação, criando como que uma redoma artificial, um ambiente de fácil distração onde a descendência de Adão vai se esquecendo de seu Deus. Mas, vez ou outra a força da natureza, instrumento da Providência, fura a redoma da tecnosfera e recorda ao homem sua fragilidade, colocando-o uma vez mais a sombra da morte. Em tal cenário, tem ele a oportunidade de despertar de seu sono e uma vez mais clamar aos céus e ofertar sacrifícios a seu Criador. As mudanças climáticas, a peste do covid-19 são, pois, apelos ao homem para que desperte de seu sono, enquanto ainda é tempo, e não termine por se precipitar nos abismos do inferno.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Escolas Filosóficas


Eu respondi: — Vou te dizer o que é claro para mim. De fato, a filosofia é o maior e o mais precioso bem diante de Deus, para o qual somente ela nos conduz e nos associa. Na verdade, santos são aqueles que consagram à filosofia a própria inteligência. No entanto, o que seja a filosofia e o motivo pelo qual ela foi enviada aos homens muitos o ignoram, pois do contrário não existiriam platônicos, nem estóicos, nem teóricos, nem pitagóricos, sendo ela uma única ciência. Quero explicar porque ela passou a ter muitas cabeças. A questão é que aos primeiros que a ela se dedicaram e se tornaram famosos em sua profissão, seguiram outros que não fizeram mais nenhuma investigação sobre a verdade. Ao contrário, levados pela admiração da constância, do domínio de si e da raridade das doutrinas de seus mestres, só aceitaram como verdade o que cada um tinha deles aprendido. Então, transmitindo a seus sucessores doutrinas semelhantes às primitivas, cada escola tomou o nome daquele que foi o pai da doutrina.

- São Justino, Diálogo com Trifão (2,1-2).

terça-feira, 18 de maio de 2021

Jornada Gamer: Dawn of Souls

Durante o período de confinamento eu já vasculhei o continente, desci ao fundo do mar e subi até um castelo nos altos céus, explorei cavernas, descobrir os tesouros de uma antiga e avançada civilização, visitei templos antigos, examinei ruínas, andei de navio, barco e dirigível, lutei contra a tirania imperial, viajei no tempo e travei uma épica batalha contra monstros demônios afim de cumprir uma antiga profecia. Não que eu seja um herói ou algo do tipo, apenas estava a jogar Final Fantasy!

Final Fantasy é - ou era, meus últimos videogames foram o Nintendo DS e o PS2 - a elite dos games, a alta cultura dos rpg's, trazendo a cada novo jogo uma estética harmônica e ordenada, uma história complexa, personagens interessantes, um vasto mundo a explorar, desafiando e entretendo o jogador por horas e horas, embora é certo, não destituído de defeitos. Sendo fruto de uma cultura em que o cristianismo é algo marginal e minoritário, não raro tais jogos carregam em si referências ocultistas e ecos a certas calúnias anti-eclesiais, ainda que como uma obra renascentista, possa-se com algum esforço ignorar tais elementos, e desfrutar da estética fabulosa que permeia a maioria dos jogos.

Enquanto a crise sanitária nos obriga a ficar em casa, coloquei como meta zerar todos os Final Fantasy do princípio ao PS1, ignorando porém as séries paralelas, então basicamente será do 1 ao 9. Pouco antes disso, empreendi uma mega jornada no universo de Rockman/Megaman X, mas tive de parar antes de adentrar no PS2 (que tem os piores dois jogos da série), dado que minha máquina não suporta o emulador (se o leitor clicar nos anúncios e comprar os produtos dos parceiros anunciantes, quem sabe eu não consiga comprar um PC novo?)....

Voltando a Final Fantasy, o primeiro (Final Fantasy) jogo salvou a Square da falência e inaugurou muitos paradigmas da franquia, finalizei recentemente a versão melhorada (em questão de gráficos e correção de alguns bugs) no GBA. A história inaugural é relativamente simples: com o avançar dos séculos antigos demônios são despertados, cada qual exercendo seu poder sobre um dos quatro elementos, trazendo assim grande caos e destruição ao mundo. Uma antiga profecia fala sobre os guerreiros da luz, quatro personagens misteriosos trazendo com sigo 4 cristais, que virão para restaurar a ordem e trazer a paz ao mundo. A estrutura narrativa me lembra um conto de fadas... Apesar de não desenvolver muito os personagens (os protagonistas permanecem mudos a história inteira), a ideia da jornada, das profecias, de como acontecimentos míticos influência os destinos da terra, foi tudo tão agradável. E houve um plot twist interessantíssimo no final.

O segundo jogo (Final Fantasy II), presente no mesmo room de GBA, investe um pouco mais nos personagens e no desenvolvimento de uma história complexa. Ainda está longe do padrão de excelência que alcançaria a série, mas é um começo. Mateo o Imperador de Palamência empreende uma ambiciosa campanha militar em vistas da dominação mundial, mas suas ambições esbarram na persistência do Reino de Fynn, que sob a liderança da princesa Hilda pretende defender o direito a autodeterminação dos povos e bláblá... Três jovens órfãos se juntam as forças rebeldes para vingar a morte de seus pais e encontrar informações sobre o paradeiro de seu irmão desaparecido. O jogo é significativamente melhor que o anterior, mas a estrutura narrativa é um tanto ''cansativa''. Enquanto no primeiro jogo temos quase que um conto de fadas, no segundo é uma sucessão de operações militares com vistas a colocar fim ao império de Mateo. Em determinado ponto da história nossos heróis conseguem enfim derrotar Mateo, a alma do imperador então se divide em duas, a parte boa sob até aos céus (ou quase isso) enquanto a parte má desce ao inferno, mata o próprio demônio tomando o controle do submundo e emergindo de volta a terra para continuar sua conquista. Quanto ao lado ''bom'' do imperador, bem isso fica para o pós-game e foi outro detalhe que me deixou ligeiramente incomodado: os aliados mortos de nossos heróis tem de empreender uma misteriosa jornada submundo, onde por fim encontram o lado ''bom'' do imperador governando o palácio dos anjos caídos. Mateo, pede perdão ao time pelos mal que fez a eles em vida. Os personagens pensam em perdoá-lo, mas ao ter uma visão daqueles que deixaram para trás que os avisam ser uma armadilha, procuram acabar com o infeliz. Não fosse esse ''aviso'' não havia de fato indícios de ser uma armadilha, e o imperador parecia estar de fato arrependido. Fica uma mensagem meio anti-perdão e anti-misericórdia. Isso poderia ser ''arrumado'' se o imperador desse mais indícios que de fato não mudou e a coisa não fosse apenas baseada no ressentimento quanto ao mal sofrido e numa vaga visão que pode ser tanto real quanto ilusão do deabo. Todavia, isso ainda é pouca coisa perto das blasfêmias mal disfarçadas de Final Fantasy Tactics e Final Fantasy X, mas isso é assunto o futuro, há ainda muitos outros jogos pela frente...

Como pretendo jogar o FFIII e o FFIV no DS, para não sair do GBA o próximo post deve dar um salto e ir direto para FFV. Mas antes, preciso ganhar a liga Pokémon. 

domingo, 9 de maio de 2021

Um filme "radtrad"?

O cinema é uma arte cara, de modo que a maioria dos filmes são produzidos tanto para ''estourar'' as bilheterias, quando para propagar a cosmovisão da classe dominante, é raro que grupos marginais façam uso do cinema para expressar suas angústias, ou oferecer um compêndio simbólico da interpretação de determinado período histórico; mas as vezes isso acontece. É o caso deste filme em particular: Católicos do diretor Jack Gold.

Não se trata de nenhuma obra prima, a fotografia é normalzinha, os personagens água com açúcar, a trilha sonora pouco marcante, não fosse o caso da obra expressar as angústias e medos tradicionalistas com relação as mudanças introduzidas na Igreja Católica pelo Concílio Vaticano II (angústias essas que se mostraram completamente justificadas), seria um filme a ser esquecido. Mas, como é uma propaganda do ''nosso lado'', cá estou eu a perpetuar a memória dessa encrenca, que só encontrei, aliás, com o áudio em castelhano. O roteiro é o seguinte: O Concílio Vaticano II IV radicalizou as reformas progressistas na Igreja, de forma que está se transformou numa espécie de ONU das religiões, onde a fé verdadeira vai se apagando pouco a pouco. Mas, um mosteiro irlandês insiste em se manter fiel as velhas tradições - isto é ao catolicismo - de forma que a congregação enviou um interventor do Vaticano, afim de lhes impor uma adequação aos novas diretrizes. Segue o filme mostrando o contraste entre esse ''neocatolicismo'' - nada católico - e a tradição. Como referência a teologia da libertação, é dito que o interventor, fora formado no seminário por um padre guerrilheiro exilado nos EUA, padre este que havia sido torturado pelos militares do Brasil, também há menções aos tais encontros interreligiosos hoje tão ''comuns'', haveria na história um congresso de espiritualidade Católico-Budista, e seria bom que o tradicionalismo da ordem fosse extirpado sem barulho midiático... Aliás, o método de oração do padre interventor não é outro senão a meditação zen budista.


Apesar de resistentes as mudanças, ao longo do filme vemos que o abade que dirige a comunidade havia perdido a fé e, usando da regra da obediência, aceitara impor a comunidade as novas diretrizes. Tal como no filme, é uma noção torta de obediência tem feito com que tantos fiéis aceitem as bobagens vaticanosegundistas, como bem notou Dom Marcel Lefebrve:

[...] O golpe de mestre de Satanás será, por conseguinte, difundir os princípios revolucionários introduzidos na Igreja pela autoridade da própria Igreja, pondo esta autoridade em uma situação de incoerência e de contradição permanente; enquanto este equívoco não for dissipado, os desastres se multiplicarão na Igreja. Ao se tornar equívoca a liturgia, se torna equívoco o sacerdócio, e tendo ocorrido o mesmo com o catecismo, a Fé, que não se pode manter senão na verdade, se dissipa. A própria Hierarquia da Igreja vive em um equívoco permanente entre a autoridade pessoal, recebida pelo sacramento da Ordem e a Missão de Pedro ou do Bispo e os princípios democráticos.

É preciso reconhecer que a trapaça foi bem feita e que a mentira de Satanás foi utilizada maravilhosamente. A Igreja vai destruir a si mesma por via da obediência. A Igreja vai se converter ao mundo herege, judeu, pagão, pela obediência, mediante uma Liturgia equívoca, um catecismo ambíguo e cheio de omissões e de novas instituições baseadas sobre princípios democráticos. [1]

É, esse artigo ficou maior do que eu esperava, não imaginei que ia gastar tantas palavras com esse filme que serve mais para ser citado, que de fato comentado. Não sei bem como concluir esse texto, uma vez que a crise eclesial persiste, e ficção cinematográfica está cada vez mais próxima da realidade...

Que Deus destrua a obra dos hereges!

sábado, 1 de maio de 2021

Lógica Proposicional - Exercícios (VI)


99. (FCC – 2008 – TRT-18ª Região (GO) – Técnico Judiciário – Tecnologia da Informação) Em lógica de programação, denomina-se ...... de duas proposições p e q a proposição representada por “p ou q” cujo valor lógico é a falsidade (F), quando os valores lógicos das proposições p e q são ambos falsos ou ambos verdadeiros, e o valor lógico é a verdade (V), nos demais casos.

Preenche corretamente a lacuna acima:
(A) disjunção inclusiva.
(B) proposição bicondicional.
(C) negação.
(D) disjunção exclusiva.
(E) proposição bidirecional.

100.A negação de “todos os homens dirigem bem” é:
(A) existem homens que dirigem mal.
(B) existem homens que dirigem bem.
(C) todas as mulheres dirigem bem.
(D) todas as mulheres dirigem mal.
(E) todos os homens dirigem mal.


101. (FCC) Considere as seguintes frases:
I. Ele foi o melhor jogador do mundo em 2005.
II. (x+y)/5 é um número primo.
III. João da Silva foi o Secretário da Fazenda do estado de São Paulo em 2000.

É verdade APENAS:
(A) I e II são sentenças abertas.
(B) I e III são sentenças abertas.
(C) II e III são sentenças abertas.
(D) I é uma sentença aberta.
(E) II é uma sentença aberta.

102. Sabe-se que existem pessoas desonestas e que existem corruptos. Admitindo-se verdadeira a frase
“Todos os corruptos são desonestos”, é correto concluir que:
(A)quem não é corrupto é honesto.
(B) existem corruptos honestos.
(C) alguns honestos podem ser corruptos.
(D) existem mais corruptos do que desonestos.
(E) existem desonestos que são corruptos.

103. (CESPE) Nas sentenças abaixo, apenas A e D são proposições.

A: 12 é menor que 6.
B: Para qual time você torce?
C: x + 3 > 10.
D: Existe vida após a morte.

( ) Certo ( ) Errado

104. (FCC) O avesso de uma blusa preta é branco. O avesso de uma calça preta é azul. O avesso de uma bermuda preta é branco. O avesso do avesso das três peças de roupa é:

(A) branco e azul.
(B) branco ou azul.
(C) branco.
(D) azul.
(E) preto.

105. (FCC) Leia atentamente as proposições P e Q:

P: o computador é uma máquina.
Q: compete ao cargo de técnico judiciário a construção de computadores.

Em relação às duas proposições, é correto afirmar que:
(A) a proposição composta “P ou Q” é verdadeira.
(B) a proposição composta “P e Q” é verdadeira.
(C) a negação de P é equivalente à negação de Q.
(D) P é equivalente a Q.
(E) P implica Q.

106. (IBFC EBSERH 2014) Se o valor lógico de uma proposição p é verdadeiro e o valor lógico de uma proposição q é falso, então o valor lógico da proposição composta [(p → q) v ~ p ] ∧ ~ q é:

(A) Falso e verdadeiro.
(B) Verdadeiro.
(C) Falso.
(D) Inconclusivo.

107. (CESPE ANS 2013) A frase “A religião produz um cerceamento da liberdade individual e a falta de religião torna a sociedade consumista e degradada” estará representada, de maneira logicamente correta, na forma P∧Q, em que P e Q sejam proposições convenientemente escolhidas.

( ) Certo ( ) Errado

108. (CESPE ANS 2013) A frase “O perdão e a generosidade são provas de um coração amoroso” estará corretamente representada na forma P∧Q, em que P e Q sejam proposições lógicas convenientemente escolhidas.

( ) Certo ( ) Errado


109. (UEPA PC-PA 2013) Considere as proposições seguintes:

p: Paulo apresentar uma queixa.
q: o Delegado investigará.
r: Ricardo será preso.

A linguagem simbólica da proposição composta “Não é o caso em que, se Paulo apresentar uma queixa, então, o delegado investigará e Ricardo será preso” é:

(A) ~[ p ↔(q ∧ r) ].
(B) ~[ p → (q ∧ r) ].
(C) ~[ p ∨ (q ∧ r) ].
(D) ~[ p ∧ (q ∨ r) ].
(E) ~[ p → (q ∨ r) ].

110. (FJG-RIO 2013) Considere as seguintes proposições:

p: O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa.
q: Os turistas amam o Rio de Janeiro.

A sentença que representa a proposição ~ p ∧ q está indicada na seguinte alternativa:

(A) O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa e os turistas não amam o Rio de Janeiro.
(B) O Rio de Janeiro não é uma cidade maravilhosa e os turistas amam o Rio de Janeiro.
(C) O Rio de Janeiro não é uma cidade maravilhosa ou os turistas amam o Rio de Janeiro.
(D) O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa ou os turistas não amam o Rio de Janeiro.

111. (CESPE IBAMA 2013) Considere que as proposições sejam representadas por letras maiúsculas e que se utilizem os seguintes símbolos para os conectivos lógicos: ∧ – conjunção; ∨ – disjunção; ⇒ – condicional; ⇔ – bicondicional.

A proposição “Se João implica com Maria e Maria implica com João, então evidencia-se que a relação entre João e Maria é conflituosa” pode ser corretamente representada por [P ⇒ Q) ∧ (Q ⇒ P)] ⇒R.

( ) Certo ( ) Errado

112. (FUMARC CEMIG 2010) Sejam p e q duas proposições. Sabe-se que p é verdadeira e sabe-se também que “p→q” é verdadeira. Então, decorre necessariamente destas duas veracidades que:

(A) A proposição “q →p” é verdadeira.
(B) A proposição q é falsa.
(C) A proposição “p e q” é falsa.
(D) A proposição “~p ou ~q” é verdadeira.

113. (FCC) Sejam as proposições:

p: atuação compradora de dólares por parte do Banco Central.
q: fazer frente ao fluxo positivo.

(A) a atuação compradora de dólares por parte do Banco Central é condição necessária para fazer frente ao fluxo positivo.
(B) fazer frente ao fluxo positivo é condição suficiente para a atuação compradora de dólares por parte do Banco Central.
(C)a atuação compradora de dólares por parte do Banco Central é condição suficiente para fazer frente ao fluxo positivo.
(D) fazer frente ao fluxo positivo é condição necessária e suficiente para a atuação compradora de dólares por parte do Banco Central.
(E) a atuação compradora de dólares por parte do Banco Central não é condição suficiente e nem necessária para fazer frente ao fluxo positivo.

114. (ICMS FCC 2006) Das cinco frases a seguir, quatro delas têm uma mesma característica lógica em comum, enquanto uma delas não tem característica.

I. Que belo dia!
II. Um excelente livro de raciocínio lógico.
III. O jogo terminou empatado?
IV. Existe vida em outros planetas da terra.
V. Escreva uma poesia.

A frase que não possui essa característica comum é:
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) IV.
(E) V.

116. (CVM/2000) Dizer que a afirmação “todos os economistas são médicos” é falsa, do ponto de vista lógico, equivale a dizer que a seguinte afirmação é verdadeira:

(A) Pelo menos um economista não é médico.
(B) Nenhum economista é médico.
(C) Nenhum médico é economista.
(D) Pelo menos um médico não é economista
(E) Todos os não médicos são não economistas.

117. (CESPE) Considere as seguintes proposições.

I. Se 3 < 5, então 4 < 2.
II.Se 5 é par, então todo palmeirense é são-paulino.
III. Se São Paulo é a capital do Rio de Janeiro, então Brasília fica na Região Centro-Oeste.

Nesse caso, há apenas uma proposição F

( ) Certo ( ) Errado

118.ESAF Gestor Fazendário MG/2005) Considere a afirmação P:

P: “A ou B”.

Onde A e B, por sua vez, são as seguintes afirmações:

A: “Carlos é dentista”.
B: “Se Enio é economista, então Juca é arquiteto”.

Ora, sabe-se que a afirmação P é falsa. Logo:

(A) Carlos não é dentista; Enio não é economista; Juca não é arquiteto.
(B) Carlos não é dentista; Enio é economista; Juca não é arquiteto.
(C) Carlos não é dentista; Enio é economista; Juca é arquiteto.
(D) Carlos é dentista; Enio não é economista; Juca não é arquiteto.
(E) Carlos é dentista; Enio é economista; Juca não é arquiteto.

119. (FCC ICMS 2006) Considere a proposição “Paula estuda, mas não passa no concurso”. Nessa proposição, o conectivo lógico é:

(A) Disjunção inclusiva.
(B) Conjunção.
(C) Disjunção exclusiva.
(D) Condicional.
(E) Bicondicional.

***

GABARITO

99. D 
100. A
101. A 
102. E 
103. C 
104. E 
105. A 
106. C 
107. Certo
108. Errado 
109. B 
110. B
111. Errado 
112. A 
113. C 
114. D 
116. A 
117. Certo 
118. B 
119. B