terça-feira, 25 de maio de 2021

A tecnosfera e o distanciamento do divino


8ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira
Primeira Leitura (Eclo 35,1-15)
Responsório (Sl 49)
Evangelho (Mc 10,28-31)

<Não te apresentarás diante do Senhor de mãos vazias (Eclo 35, 6)>

As leituras do dia giram em torno da temática do sacrifício. Ao homem antigo sempre foi evidente a necessidade de se oferecer sacrifícios a divindade, tanto como sinal de gratidão, quanto para aplacar sua cólera. Imerso na natureza - sofrendo de forma mais direta o efeito de sinistros climáticos, ataque de feras e pestes - o homem de outrora tinha mais consciência de sua insignificância.

Com o avanço da tecnosfera, as estruturas constituídas pelo trabalho humano no espaço da biosfera, e o distanciamento cada maior ante a Criação, com o mito da ordem e da paz, o homem passa a esquecer-se de Deus, e a doutrina do sacrifício tornar-se para ele um mistério.

Que não julgue o leitor tratar-se aqui de uma crítica clichê com contornos ludistas a evolução tecnológica, como se o avanço da técnica fosse alguma forma de heresia. A técnica traz consigo benefícios incalculáveis, bem como guarda em si grande beleza. Recentemente fiquei maravilhado com os avanços da agricultura chinesa, onde a criação animal e o cultivo vegetal se dá em um complexo de  edifícios que pode chegar a 13 andares, contraste entre estas fazendas verticais, e as tradicionais fazendas brasileiras, onde tudo ainda é muito rústico, mesmo com o avanço do agronegócio, é imenso.



Digressões a parte, é inegável porém que tal avanço tecnológico - apesar de sua beleza e de seus inúmeros benefícios - vai isolando o homem da Criação, criando como que uma redoma artificial, um ambiente de fácil distração onde a descendência de Adão vai se esquecendo de seu Deus. Mas, vez ou outra a força da natureza, instrumento da Providência, fura a redoma da tecnosfera e recorda ao homem sua fragilidade, colocando-o uma vez mais a sombra da morte. Em tal cenário, tem ele a oportunidade de despertar de seu sono e uma vez mais clamar aos céus e ofertar sacrifícios a seu Criador. As mudanças climáticas, a peste do covid-19 são, pois, apelos ao homem para que desperte de seu sono, enquanto ainda é tempo, e não termine por se precipitar nos abismos do inferno.

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