terça-feira, 18 de maio de 2021

Jornada Gamer: Dawn of Souls

Durante o período de confinamento eu já vasculhei o continente, desci ao fundo do mar e subi até um castelo nos altos céus, explorei cavernas, descobrir os tesouros de uma antiga e avançada civilização, visitei templos antigos, examinei ruínas, andei de navio, barco e dirigível, lutei contra a tirania imperial, viajei no tempo e travei uma épica batalha contra monstros demônios afim de cumprir uma antiga profecia. Não que eu seja um herói ou algo do tipo, apenas estava a jogar Final Fantasy!

Final Fantasy é - ou era, meus últimos videogames foram o Nintendo DS e o PS2 - a elite dos games, a alta cultura dos rpg's, trazendo a cada novo jogo uma estética harmônica e ordenada, uma história complexa, personagens interessantes, um vasto mundo a explorar, desafiando e entretendo o jogador por horas e horas, embora é certo, não destituído de defeitos. Sendo fruto de uma cultura em que o cristianismo é algo marginal e minoritário, não raro tais jogos carregam em si referências ocultistas e ecos a certas calúnias anti-eclesiais, ainda que como uma obra renascentista, possa-se com algum esforço ignorar tais elementos, e desfrutar da estética fabulosa que permeia a maioria dos jogos.

Enquanto a crise sanitária nos obriga a ficar em casa, coloquei como meta zerar todos os Final Fantasy do princípio ao PS1, ignorando porém as séries paralelas, então basicamente será do 1 ao 9. Pouco antes disso, empreendi uma mega jornada no universo de Rockman/Megaman X, mas tive de parar antes de adentrar no PS2 (que tem os piores dois jogos da série), dado que minha máquina não suporta o emulador (se o leitor clicar nos anúncios e comprar os produtos dos parceiros anunciantes, quem sabe eu não consiga comprar um PC novo?)....

Voltando a Final Fantasy, o primeiro (Final Fantasy) jogo salvou a Square da falência e inaugurou muitos paradigmas da franquia, finalizei recentemente a versão melhorada (em questão de gráficos e correção de alguns bugs) no GBA. A história inaugural é relativamente simples: com o avançar dos séculos antigos demônios são despertados, cada qual exercendo seu poder sobre um dos quatro elementos, trazendo assim grande caos e destruição ao mundo. Uma antiga profecia fala sobre os guerreiros da luz, quatro personagens misteriosos trazendo com sigo 4 cristais, que virão para restaurar a ordem e trazer a paz ao mundo. A estrutura narrativa me lembra um conto de fadas... Apesar de não desenvolver muito os personagens (os protagonistas permanecem mudos a história inteira), a ideia da jornada, das profecias, de como acontecimentos míticos influência os destinos da terra, foi tudo tão agradável. E houve um plot twist interessantíssimo no final.

O segundo jogo (Final Fantasy II), presente no mesmo room de GBA, investe um pouco mais nos personagens e no desenvolvimento de uma história complexa. Ainda está longe do padrão de excelência que alcançaria a série, mas é um começo. Mateo o Imperador de Palamência empreende uma ambiciosa campanha militar em vistas da dominação mundial, mas suas ambições esbarram na persistência do Reino de Fynn, que sob a liderança da princesa Hilda pretende defender o direito a autodeterminação dos povos e bláblá... Três jovens órfãos se juntam as forças rebeldes para vingar a morte de seus pais e encontrar informações sobre o paradeiro de seu irmão desaparecido. O jogo é significativamente melhor que o anterior, mas a estrutura narrativa é um tanto ''cansativa''. Enquanto no primeiro jogo temos quase que um conto de fadas, no segundo é uma sucessão de operações militares com vistas a colocar fim ao império de Mateo. Em determinado ponto da história nossos heróis conseguem enfim derrotar Mateo, a alma do imperador então se divide em duas, a parte boa sob até aos céus (ou quase isso) enquanto a parte má desce ao inferno, mata o próprio demônio tomando o controle do submundo e emergindo de volta a terra para continuar sua conquista. Quanto ao lado ''bom'' do imperador, bem isso fica para o pós-game e foi outro detalhe que me deixou ligeiramente incomodado: os aliados mortos de nossos heróis tem de empreender uma misteriosa jornada submundo, onde por fim encontram o lado ''bom'' do imperador governando o palácio dos anjos caídos. Mateo, pede perdão ao time pelos mal que fez a eles em vida. Os personagens pensam em perdoá-lo, mas ao ter uma visão daqueles que deixaram para trás que os avisam ser uma armadilha, procuram acabar com o infeliz. Não fosse esse ''aviso'' não havia de fato indícios de ser uma armadilha, e o imperador parecia estar de fato arrependido. Fica uma mensagem meio anti-perdão e anti-misericórdia. Isso poderia ser ''arrumado'' se o imperador desse mais indícios que de fato não mudou e a coisa não fosse apenas baseada no ressentimento quanto ao mal sofrido e numa vaga visão que pode ser tanto real quanto ilusão do deabo. Todavia, isso ainda é pouca coisa perto das blasfêmias mal disfarçadas de Final Fantasy Tactics e Final Fantasy X, mas isso é assunto o futuro, há ainda muitos outros jogos pela frente...

Como pretendo jogar o FFIII e o FFIV no DS, para não sair do GBA o próximo post deve dar um salto e ir direto para FFV. Mas antes, preciso ganhar a liga Pokémon. 

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