domingo, 9 de maio de 2021

Um filme "radtrad"?

O cinema é uma arte cara, de modo que a maioria dos filmes são produzidos tanto para ''estourar'' as bilheterias, quando para propagar a cosmovisão da classe dominante, é raro que grupos marginais façam uso do cinema para expressar suas angústias, ou oferecer um compêndio simbólico da interpretação de determinado período histórico; mas as vezes isso acontece. É o caso deste filme em particular: Católicos do diretor Jack Gold.

Não se trata de nenhuma obra prima, a fotografia é normalzinha, os personagens água com açúcar, a trilha sonora pouco marcante, não fosse o caso da obra expressar as angústias e medos tradicionalistas com relação as mudanças introduzidas na Igreja Católica pelo Concílio Vaticano II (angústias essas que se mostraram completamente justificadas), seria um filme a ser esquecido. Mas, como é uma propaganda do ''nosso lado'', cá estou eu a perpetuar a memória dessa encrenca, que só encontrei, aliás, com o áudio em castelhano. O roteiro é o seguinte: O Concílio Vaticano II IV radicalizou as reformas progressistas na Igreja, de forma que está se transformou numa espécie de ONU das religiões, onde a fé verdadeira vai se apagando pouco a pouco. Mas, um mosteiro irlandês insiste em se manter fiel as velhas tradições - isto é ao catolicismo - de forma que a congregação enviou um interventor do Vaticano, afim de lhes impor uma adequação aos novas diretrizes. Segue o filme mostrando o contraste entre esse ''neocatolicismo'' - nada católico - e a tradição. Como referência a teologia da libertação, é dito que o interventor, fora formado no seminário por um padre guerrilheiro exilado nos EUA, padre este que havia sido torturado pelos militares do Brasil, também há menções aos tais encontros interreligiosos hoje tão ''comuns'', haveria na história um congresso de espiritualidade Católico-Budista, e seria bom que o tradicionalismo da ordem fosse extirpado sem barulho midiático... Aliás, o método de oração do padre interventor não é outro senão a meditação zen budista.


Apesar de resistentes as mudanças, ao longo do filme vemos que o abade que dirige a comunidade havia perdido a fé e, usando da regra da obediência, aceitara impor a comunidade as novas diretrizes. Tal como no filme, é uma noção torta de obediência tem feito com que tantos fiéis aceitem as bobagens vaticanosegundistas, como bem notou Dom Marcel Lefebrve:

[...] O golpe de mestre de Satanás será, por conseguinte, difundir os princípios revolucionários introduzidos na Igreja pela autoridade da própria Igreja, pondo esta autoridade em uma situação de incoerência e de contradição permanente; enquanto este equívoco não for dissipado, os desastres se multiplicarão na Igreja. Ao se tornar equívoca a liturgia, se torna equívoco o sacerdócio, e tendo ocorrido o mesmo com o catecismo, a Fé, que não se pode manter senão na verdade, se dissipa. A própria Hierarquia da Igreja vive em um equívoco permanente entre a autoridade pessoal, recebida pelo sacramento da Ordem e a Missão de Pedro ou do Bispo e os princípios democráticos.

É preciso reconhecer que a trapaça foi bem feita e que a mentira de Satanás foi utilizada maravilhosamente. A Igreja vai destruir a si mesma por via da obediência. A Igreja vai se converter ao mundo herege, judeu, pagão, pela obediência, mediante uma Liturgia equívoca, um catecismo ambíguo e cheio de omissões e de novas instituições baseadas sobre princípios democráticos. [1]

É, esse artigo ficou maior do que eu esperava, não imaginei que ia gastar tantas palavras com esse filme que serve mais para ser citado, que de fato comentado. Não sei bem como concluir esse texto, uma vez que a crise eclesial persiste, e ficção cinematográfica está cada vez mais próxima da realidade...

Que Deus destrua a obra dos hereges!

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