quarta-feira, 30 de junho de 2021

Simbolismo, bastardia e animais endemoniados


13ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (Gn 21,5.8-21)
Responsório (Sl 33)
Evangelho (Mt 8,28-34)

1. Há tantos ensinamentos e tamanho simbolismo envolto na primeira leitura de hoje que é suficiente para nos deixar com dor de cabeça... Estamos ante a cena em que Sara começa a ficar enciumada da escrava egípcia Agar e seu filho Ismael, torrarando a paciência de Abraão para que ele os mande embora.

Em primeiro plano vemos os problemas domésticos gerados pela poligamia e como esse tipo de relação gera um ambiente bem complicado. Se uma esposa brigando com o sujeito já é difícil, imagina duas brigando com ele entre si e os filhos de umas com as outras, agora imagine três ou quatro, um verdadeiro inferno emocional. 

Em segundo lugar há um ensinamento a respeito do direito natural contra o falso dogma da igualdade. O filho legítimo, o filho da promessa, tem tanto mais direitos que o bastardo. Isaac herdou o legado e a missão de Abraão, Ismael ficou excluído desta. Todavia, apesar disso, não deixou de receber a benção divina: tornou-se um hábil arqueiro e um poderoso guerreiro, bem como deu origem a uma descendência forte e numerosa. Bastardos não tem os mesmos direitos dos filhos legítimos, mas isso não significa de maneira alguma que se trate de uma existência amaldiçoada.

Em terceiro lugar vemos nos dois irmãos figuras da Igreja e da Sinagoga. Os judeus são Ismael, filhos de Abraão segundo a carne tão somente, os cristãos são Isaac, filhos segundo a promessa, que herdaram a fé no Senhor Javé e acolheram o seu Cristo.

Em quarto lugar, vemos certa ironia do destino... Ágar era uma egípcia escrava de uma família hebreia, daí há alguns séculos a situação iria se inverter, e os hebreus se veriam na condição de escravos dos egípcios. A história tem seus ciclos, nenhuma posição de poder terrena é estável e eterna - tal atributo, a estabilidade perpétua, é reservada tão somente aos pilares dos céus. 

2. E após expulsar os demônios dos possessos gadarenos eles se dirigiram aos porcos. A cena do Evangelho de hoje trás consigo uma informação um tanto quanto assustadora, além de atormentar pessoas e fazer uso de seus corpos, os demônios também podem usar dos animais.

Como vivemos na cidade e não mais nas matas, raramente tivemos de nos confrontar com um animal naturalmente enfurecido, talvez no muito algum cão mais ou menos descontrolado. Não tivemos de lidar com cobras, touros,  onças e javalis. Se o aspecto da fúria natural nos é estranho, e suficientemente apavorante, quão terrível não se mostrará o confronto com seres inflamados por uma fúria preternatural? Tomara que nunca tenhamos de lidar com tais criaturas, pois dificilmente sobreviveríamos para contar a história...

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Exercícios - Verbos (I)



VALORES DOS TEMPOS VERBAIS

01) (CESPE / UNB / TST / SUPERIOR / 2008) Articulação – Qual seria o conceito de trabalho mais apropriado para o movimento de mulheres? O que deveria estar presente nesse conceito?
Os tempos verbais usados nas perguntas apresentadas nas linhas de indicam que, na visão do entrevistador, as respostas a essas perguntas independem do entrevistado e são atemporais.

02) (CESPE / UNB / TST / TÉCNICO / 2008) Pesquisas constatam doses crescentes de pessimismo diante do que o futuro esteja reservando aos que habitam este mundo, com a globalização exacerbando a competitividade e colocando os Estados de bem-estar social nos corredores de espera de cumprimento da pena de morte.
Preserva-se a correção gramatical e a coerência textual ao se substituir “esteja” por está, mas perde-se a ideia de hipótese, de possibilidade que o modo subjuntivo confere ao verbo.

03) (CESPE / UNB / INCA / SUPERIOR / 2010) Um dos aspectos mais notáveis da aventura do homem ao longo da história tem sido seu constante anseio de buscar novas perspectivas, abrir horizontes desconhecidos, investigar possibilidades ainda inexploradas, enfim, ampliar o conhecimento. Seriam preservadas a correção gramatical do texto, bem como a coerência de sua argumentação, se, em lugar de “tem sido”, fosse usada a forma verbal é; no entanto, a opção empregada no texto ressalta o caráter contínuo e constante dos aspectos mencionados.

04) (CESPE / UNB / DELEGADO / PC / TO / 2008) Será que um computador também seria capaz de encontrar o verdadeiro assassino? Durante um curso da Universidade de Essen, os alunos testaram diversos programas concebidos em estudos sobre inteligência artificial (I(A).
Para isso, utilizaram o caso apresentado em O Mistério do Baú Espanhol, servindo-se da IA para desvendar as estratégias intelectuais do detetive Poirot. A grande questão era se a IA era capaz desse exercício intelectual ou se apenas fazia uma boa imitação da inteligência humana.
Interessava saber se apresentaria características que poderiam ser associadas a um comportamento inteligente. O objetivo era verificar se o software conseguiria descobrir o assassino tão rapidamente quanto Poirot.
No segmento “se a IA era capaz desse exercício intelectual ou se apenas fazia uma imitação da inteligência humana”, as formas verbais poderiam ser corretamente substituídas por seria e faria, respectivamente.

05) (CESPE / UNB / Banco do Brasil S.A. / 2008) É apressado asseverar que essa expansão do segmento possa gerar maior concorrência no setor. Vale lembrar, apenas como comparação, que a chegada dos bancos estrangeiros (nos anos 90) não surtiu o efeito esperado quanto à concorrência bancária.
O emprego do subjuntivo em “possa” justifica-se por se tratar de uma afirmação hipotética.

06) (CESPE / UNB / 2008) Há algo que une técnicos e humanistas. Ambos se creem marcados por um fator distintivo, inerente a seus cérebros: o dom da inteligência, que os apartaria do trabalhador manual ou mecânico. Gramsci percebe nessa crença um ranço ideológico da divisão do trabalho:
A forma verbal “apartaria” está flexionada no futuro do pretérito porque denota uma ação que compõe uma hipótese, uma suposição.

07) (CESPE / UNB / TSE / 2007) A governabilidade só existe verdadeiramente com uma oposição atuante, que sinalize os problemas existentes e discuta os seus encaminhamentos.

O emprego do subjuntivo em “sinalize” e “discuta” justifica-se por compor um período de natureza explicativa.

08) (UnB / CESPE / SEAD / CEHAP / PB / 2009) Depósitos de lixo saem caro ao meio ambiente e ao orçamento da cidade, mesmo depois de desativados. Ecologistas e estudiosos do assunto alegam que a opção por aterros é uma aberração e um erro na condução do problema causado pelo lixo. Para eles, a educação seria uma das opções mais corretas e capazes de promover a preservação ambiental. O enfrentamento da questão, de maneira global, seria a saída para diminuir o volume de lixo produzido. O reúso e a reciclagem são outros componentes tidos como obrigatórios quando se planeja livrar a cidade das toneladas de lixo geradas diariamente. Elas se transformam em montanhas enormes, onde se misturam restos de alimentos com materiais que poderiam ter novas utilizações, levando a um novo ciclo econômico. Disso resultaria a oferta de oportunidades de trabalho, renda e dignidade para uma significativa parcela da população local.
O emprego do futuro do pretérito em “seria” e “resultaria” indica a possibilidade de realização, no futuro, das noções expressas por essas formas verbais.

09) (UnB / CESPE / TRE / GO / Analista Judiciário / 2009) No texto, um fato ou estado considerado em sua realidade está expresso pelo verbo sublinhado em

(A) “a verdade estaria inscrita”.
(B) “o interesse circunscrevia-se”.
(C) “não haveria mais uma verdade filosófica”.
(D) “o significado de verdade seria o de expressão”.

10) (UnB / CESPE / MRE / IRBr / 2009) A Organização dos Estados Americanos (OEA) naufraga em um mar de alternativas regionais, cujo acento maior é a exclusão dos EUA. É o caso da proposta de uma nova organização de países da América Latina e Caribe, que se junta a outras iniciativas do mesmo teor, como o Grupo do Rio e a UNASUL. O poder de Washington já fora avisado por instituições acadêmicas norte-americanas de que a OEA corre o risco de perder vigência. Seria a quebra do mais importante elo da cadeia de ações coletivas envolvendo América Latina e EUA, com a predominância histórica dos norte-americanos.

A forma verbal “Seria” está no futuro do pretérito e indica ma ação que provavelmente poderia ter acontecido no passado.

11) (UnB / CESPE / TCE RN / SUPERIOR / 2009) Por isso, ela continua sempre atual, continua a nos falar hoje sem que nenhum de nós também se julgue seu destinatário privilegiado ou seu decodificador absoluto.

O uso do modo subjuntivo em “julgue” é exigido pela estrutura sintática em que ocorre; se fosse retirada a conjunção “que” da oração subordinada, o modo empregado deveria ser o infinitivo: julgar.

12) (UnB / CESPE / IBAMA / 2009) Foi por participar de um ato público, em 1980, que Chico Mendes passou a ser fichado e perseguido pelos militares.

O verbo “participar” está empregado, no período, como termo substantivo.

13) (UnB / CESPE / FINEP / ANALISTA / 2009) Talvez possamos escapar das cobranças sendo mais naturais, cumprindo deveres reais.

A ideia de suposição ou hipótese seria retirada do texto, mas a coerência entre os argumentos e a correção gramatical seriam mantidas se, em lugar do subjuntivo, fosse usado o modo indicativo em “possamos”: podemos.

14) (UnB / CESPE / FUB / 2009) Escutai; a anedota é curta
A forma verbal “Escutai” está flexionada no modo subjuntivo e indica a incerteza do falante a respeito do que está dizendo.

15) (UnB / CESPE / SECONT ES / AUDITOR / 2009) ...a linha que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo, a 360 km/h, deverá ir a leilão até o fim do ano...
A substituição da locução verbal “deverá ir” pela forma verbal irá mantém a correção gramatical do texto e as ideias nele originalmente expressas.

16) (UnB / CESPE / BB / ESCRITURÁRIO / 2009) Ainda que os bancos continuem ganhando muito dinheiro com a dívida pública, os resultados espetaculares devem-se...
O emprego do modo subjuntivo em “continuem” indica que a argumentação ressalta uma hipótese; pois, se não o fosse, a opção correta seria pela forma de indicativo: continuam.

17) (UnB / CESPE / FINEP / ANALISTA / 2009) Talvez possamos escapar das cobranças sendo mais naturais, cumprindo deveres reais.
A ideia de suposição ou hipótese seria retirada do texto, mas a coerência entre os argumentos e a correção gramatical seriam mantidas se, em lugar do subjuntivo, fosse usado o modo indicativo em “possamos”: podemos.

18) (UnB / CESPE / TRT 17 / MÉDIO / 2009) Novos valores culturais, que poderão vir a ajudar a reduzir o déficit e as desigualdades existentes em nosso país...
Mantêm-se a correção gramatical e o sentido do texto ao se substituir a expressão “poderão vir a ajudar” por ajudarão.

19) (UnB / CESPE / TRE MA / ANALISTA / 2009) O Brasil não dispunha de uma lei que regulamentasse claramente os direitos e deveres das empresas...
Em “O Brasil não dispunha”, o verbo dispor está no presente.

20) (UnB / CESPE / MRE / IRBr / 2009) Em meio a uma crise global sem precedentes, nossos países estão descobrindo que não são parte do problema.
A substituição de “estão descobrindo” por descobrem prejudica a correção gramatical do período.

21) (UnB / CESPE / ABIN / 2008) Um homem do século XVI ou XVII ficaria espantado com as exigências de identidade civil a que nós nos submetemos com naturalidade.
A ideia de suposição expressa na forma verbal “ficaria” permite o emprego de submetermos, forma verbal no modo subjuntivo, em lugar de “submetemos”, sem que se prejudiquem a coerência e a correção gramatical do texto.

22) (UnB / CESPE / NECROTOMISTA / PB / 2009) ...estabeleciam aquele tipo de situação em que cidadãos sentem-se nocauteados...
A forma verbal “estabeleciam” é derivada do verbo estar e está no futuro do pretérito.

23) (UnB / CESPE / NECROTOMISTA / PB / 2009) Configurava-se, assim, uma dupla violência: uma é aquela que ceifa vidas, que mutila, que estropia, lesiona com gravidade pessoas inocentes...

A forma verbal “lesiona” está no presente do subjuntivo de um verbo da primeira conjugação.

24) (UnB / CESPE / NECROTOMISTA / PB / 2009) ...manifesta-se quando a sociedade sente-se imobilizada...
A forma verbal “imobilizada” está utilizada como particípio de um verbo irregular: imobilizar.

25) (UnB / CESPE / SEAD CEHAP / SUPERIOR / 2009) O ser, de modo geral, só é possível nas dimensões reais e objetivas do espaço e do tempo.
O termo “só é possível” indica que “ser” está empregado como verbo, não como substantivo, sinônimo de pessoa.

26) (UnB / CESPE / TCE AC / ANALISTA / 2009) A verdade é que a culpa acabará genericamente atribuída à tecnologia.
O uso do futuro do presente em “acabará” expressa que a verdade referida ainda não foi comprovada.

27) (CESPE / UNB / IRBr) Na forma verbal “revelaria”, a terminação –ria exprime ideia de hipótese ou possibilidade.

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GABARITO

1) E
2) C
3) C
4) C
5) C
6) C
7) E
8) C
9) B
10) E
11) C
12) E
13) E
14) E
15) E
16) E
17) E
18) E
19) E
20) E
21) E
22) E
23) E
24) E
25) E
26) E
27) C

Exercícios - Tipologia Textual


Entre os maiores obstáculos ao pleno desenvolvimento do Brasil, está a educação. Este é o próximo grande desafio que deve ser enfrentado com paciência, mas sem rodeios. É a bola da vez dentro das políticas públicas prioritárias do Estado. Nos anos 90 do século passado, o país derrotou a inflação — que corroía salários, causava instabilidade política e irracionalidade econômica. Na primeira década deste século, os avanços deram-se em direção a uma agenda social, voltada para a redução da pobreza e da desigualdade estrutural. Nos próximos anos, a questão da melhoria da qualidade do ensino deve ser uma obrigação dos governantes, sejam quais forem os ungidos pelas decisões das urnas.

01) (CESPE / UnB / INCA / MÉDIO / 2010) A expressão “bola da vez” é empregada, no texto, em sentido denotativo ou literal.

02) (CESPE / UnB / INCA / MÉDIO / 2010) A palavra “ungidos”, que, no dicionário, significa consagrados, foi empregada em sentido conotativo e equivale a escolhidos, convalidados.

Criada em 1983 pela doutora Zilda Arns, a Pastoral da Criança monitora atualmente cerca de 2 milhões de crianças de até 6 anos de idade e 80 mil gestantes, com presença em mais de 3,5 mil municípios em todo o país, graças à colaboração de 155 mil voluntários. A importância da Pastoral é palpável: a média nacional de mortalidade infantil para crianças de até 1 ano, que é de 22 indivíduos por mil nascidos vivos, cai para 12 por mil nos lugares atendidos pela instituição. Na primeira experiência da Pastoral, em Florestópolis, no Paraná, a mortalidade infantil despencou de 127 por mil nascimentos para 28 por mil — em apenas um ano. Sua metodologia é simples — por meio de conversas frequentes com a família, o voluntário receita cuidados básicos para evitar que a criança morra por falta de conhecimento, como os hábitos de higiene, a administração do soro caseiro e a adoção da farinha de multimistura na alimentação, que se tornou uma solução simples e emblemática contra a desnutrição. Mas o seu segredo é um só: a persistência.

03) (CESPE / UnB / INCA / MÉDIO / 2010) Esse texto é  predominantemente narrativo.

A disseminação do vírus H1N1, causador da gripe denominada Influenza A, ocorre, principalmente, por meio das gotículas expelidas na tosse e nos espirros, do contato com as mãos e os objetos manipulados pelos doentes e do contato com material gastrointestinal. O período de incubação vai de dois a sete dias, mas a maioria dos pacientes pode espalhar o vírus desde o primeiro dia de contaminação, antes mesmo do surgimento dos sintomas, e até aproximadamente sete dias após seu desaparecimento. Adverte-se, pois, que as precauções com secreções respiratórias são de importância decisiva, motivo pelo qual são recomendados cuidados especiais com a higiene e o isolamento domiciliar ou hospitalar, segundo a gravidade de cada caso.

04) (CESPE / UnB / INCA / MÉDIO / 2010) Esse texto é predominantemente dissertativo.

Ética, cidadania e segurança pública são valores entrelaçados. Não pode haver efetiva vigência da cidadania em uma sociedade que não se guie pela ética. Não vigora a ética onde se suprima ou se menospreze a cidadania. A segurança pública é direito do cidadão, é requisito de exercício da cidadania. A segurança pública é também um imperativo ético.
A luta pela ética, pela construção da cidadania e pela preservação da segurança pública não constitui dever exclusivo do Estado. Cabe ao povo, às instituições sociais, às comunidades, participar desse processo político de sedimentação de valores tão essenciais à vida coletiva.
Internet: <www.dhnet.org.br> (com adaptações).

05) (CESPE / UnB / INCA / MÉDIO / 2010) Esse texto é predominantemente narrativo.

A análise realizada em diferentes amostras de bandeiras do Brasil vai ao encontro das diretrizes do Programa de Análise de Produtos, no que diz respeito à seleção de produtos consumidos intensiva e extensivamente pela população. As bandeiras, oficiais ou não, são usadas em particular em períodos comemorativos, na maioria das vezes relacionados aos esportes, ou em datas festivas, tais como a Copa do Mundo de Futebol e o dia da Independência do Brasil.
Existiram diferentes versões da Bandeira Nacional, antes da que conhecemos, que foi instituída logo após a proclamação da República, no dia 15 de novembro de 1889. Ela ainda sofreu algumas influências da bandeira utilizada nos tempos do Império, e a frase “Ordem e Progresso” inspira-se diretamente no lema do movimento positivista de Auguste Comte, ocorrido na França, no século XIX: “o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”.
As quatro cores da Bandeira Nacional representam, simbolicamente, as famílias reais das quais descende D. Pedro I, idealizador da bandeira do Império. Com o passar do tempo, essa informação foi sendo substituída por uma adaptação feita pelo povo brasileiro. Dentro desse contexto, o verde passou a representar as matas; o amarelo, as riquezas do Brasil; o azul, o seu céu e o branco, a paz que deve reinar no país.
As constelações que figuram na Bandeira Nacional correspondem ao aspecto do céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 20 h 30 min do dia 15 de novembro de 1889. As 27 estrelas da nossa bandeira foram inspiradas nas constelações presentes no céu do Rio de Janeiro e representam simbolicamente os 26 estados e o Distrito Federal.
De acordo com a legislação brasileira que trata da Bandeira Nacional, seu hasteamento — obrigatório em órgãos públicos em dias de festa ou de luto nacional — deve ser realizado pela amanhã e seu recolhimento, na parte da tarde. A bandeira não pode ficar exposta à noite, a não ser que esteja bem iluminada.
Há alguns anos, o INMETRO analisou aspectos dimensionais de bandeiras nacionais expostas à venda na época. Naquele momento, todas as marcas analisadas foram consideradas não conformes aos requisitos dimensionais estabelecidos pela legislação brasileira.
Este relatório contém informações sobre as amostras analisadas e os ensaios realizados, apresenta e discute os resultados obtidos, além de fornecer informações úteis para o consumidor para que se entenda o significado do seu símbolo nacional e para que se realize uma compra satisfatória, ao observar se a bandeira brasileira a ser adquirida está de acordo com as especificações técnicas.
Internet: <www.inmetro.gov.br> (com adaptações).

06) (CESPE / UnB / INMETRO / SUPERIOR / 2010) Predomina no texto o caráter informativo, visto que ele usa linguagem figurada e metafórica para abordar o tema da Bandeira Nacional.

07) (CESPE / UnB / INMETRO / SUPERIOR / 2010) Predomina no texto o gênero descritivo, tendo em vista que ele apresenta com pormenores fatos históricos e características materiais da bandeira do Brasil.

08) (CESPE / UnB / INMETRO / SUPERIOR / 2010) Predomina no texto o tipo textual argumentativo, já que se defende a importância do conhecimento das especificidades da Bandeira Nacional.

09) (CESPE / UnB / INMETRO / SUPERIOR / 2010) Predomina no texto o aspecto expositivo, pois ele se limita a apresentar fatos relativos ao significado dos elementos que compõem a Bandeira Nacional e à análise realizada pelo INMETRO.

10) (CESPE / UnB / INMETRO / SUPERIOR / 2010) Predomina no texto a narração, pois ele conta a história da Bandeira Nacional.

Nosso primeiro contato com os índios juruna falhou. Descíamos o Xingu e, abaixo do rio Maritsauá, vimos um acampamento na praia, muito bonito. Fomos até lá e os índios fugiram em canoas. Saímos com nossos barcos a motor atrás de uma canoa com dois índios. Quando perceberam que estavam sendo seguidos, encostaram a canoa na margem e fugiram para a mata.
Visão, 10/2/1975

11) (CESPE / UnB / ADAGRI / CE / SUPERIOR / 2010) O parágrafo acima é predominantemente argumentativo.

(...) Enquanto a linguagem científica, ao mesmo tempo em que coibia qualquer afirmação inconsistente e subjetiva, moldava-se na forma de prosa a fim de poder refletir o real, o mundo da physis moderna consistia em um mundo essencialmente a-histórico, regular, ordenado e organizado por leis fixas, onde não havia espaço para a contradição ou considerações subjetivas. Assim, as formas de conhecimento que buscassem se submeter ao estatuto científico deveriam proceder a um exorcismo quanto a todas as noções equivocadas presentes em seus corpos. A astronomia deveria se divorciar da astrologia, como a química da alquimia e a medicina das noções místicas.
Outros ramos do conhecimento, como a filosofia, o direito, as artes, a literatura, a teologia e o senso comum não gozavam do mesmo status da confiabilidade da ciência, pois a divisão do paradigma os havia situado no universo incerto da subjetividade.
Maurício S. Neubern. In: Complexidade & Psicologia Clínica. Brasília: Plano, 2004, p. 21-3 (com adaptações).

Julgue os seguintes itens, a respeito da organização das ideias no texto acima.

12) (CESPE / UnB / ANAC / SUPERIOR / 2010) A seguinte afirmação preenche coerentemente o lugar da indicação de supressão do trecho inicial do texto: Na evolução da mitologia para a ciência, ao sistematizar o conhecimento científico, a humanidade palmilhou caminhos de subjetividade e poesia para explicar as origens do homem e justificar a história de sua existência no mundo.

13) (CESPE / UnB / ANAC / SUPERIOR / 2010) Nesse fragmento, predominantemente argumentativo, a utilização de ilustrações que comprovam a tese defendida aparece sob a forma de trechos narrativos, como os seguintes: “moldava-se na forma de prosa a fim de poder refletir o real” e “A astronomia deveria se divorciar da astrologia, como a química da alquimia e a medicina das noções místicas”.

14) (CESPE / UnB / ANAC / SUPERIOR / 2010) Na argumentação do texto, são construídas, por meio de estruturas linguísticas e relações lógicas, verdades que se legitimam dentro do universo textual apresentado, independentemente de essas ideias serem comprovadas no mundo empírico.

15) (CESPE / UnB / ANAC / SUPERIOR / 2010) Infere-se, a partir das relações de significação do texto, que as “noções equivocadas presentes em seus corpos” são as características a-históricas, organizadas por leis fixas que exorcizam “Outros ramos do conhecimento”.

16) (CESPE / UnB / ANAC / SUPERIOR / 2010) A organização lógica que norteia a orientação argumentativa do texto opõe formas de conhecimento consideradas de prestígio a formas de conhecimento menos prestigiadas; enquanto o prestígio das primeiras baseia-se na objetividade do estatuto científico, o desprestígio das segundas fundamenta-se na valorização do universo incerto da subjetividade.

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GABARITO

1) Errado
2) Certo
3) Errado
4) Certo
5) Errado
6) Errado
7) Errado
8) Errado
9) Certo
10) Errado
11) Errado
12) Errado
13) Errado
14) Certo
15) Errado
16) Certo

terça-feira, 22 de junho de 2021

Desprezo


12ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira
Primeira Leitura (Gn 13,2.5-18)
Responsório (Sl 14)
Evangelho (Mt 7,6.12-14)

Senhor, quem há de morar em vosso tabernáculo?
Quem habitará em vossa montanha santa?
[...]
O que tem por desprezível o malvado,
mas sabe honrar os que temem a Deus (Sl 14, 1. 4ab.)

Pena que nem sempre aprendemos a desprezar. Há quem esteja de tal maneira sobressocializado que acredite ser uma espécie de pecado não fazer coro a louvação que se dá a certas figuras mundanas, porém populares, que nada tem de admiráveis desde uma perspectiva cristã. Outros há que confundem desprezo com ódio e fazem da vida uma militância contra tais figuras, acabando por fim, vivendo em função delas.

O desprezo é uma forma de desdém, de indiferença. Que os idiotas estejam louvando o palhaço da semana é problema deles, há mais o que fazer. Devemos pois direcionar nossa admiração aqueles que temem a Deus, tanto mais se eles forem gente comum, que passa despercebida ante o teatro profano, e cuja nossa admiração possa se manifestar em auxílio concreto. O que, contudo, não exclui nossa admiração aqueles que já não estão entre nós e foram elevados a honra dos altares, que devem ter sua memória perpetuada entre os bons.

domingo, 20 de junho de 2021

Digressões Ecológicas

12º Domingo do Tempo Comum
Primeira Leitura (Jó 38,1.8-11)
Responsório (Sl 106)
Segunda Leitura (2Cor 5,14-17)
Evangelho (Mc 4,35-41)

A liturgia de hoje é bem interessante, pois ressalta a soberania de Deus e seu domínio sobre a criação. Na primeira leitura temos um trecho extraído do livro de Jó, onde de forma poética é narrado como Deus estabeleceu os limites dos mares. O salmo trás um trecho que até então me havia passado despercebido, basicamente é a história (cantada) de um grupo de marinheiros, que pegos por uma assustadora tempestade, oraram a Deus e foram salvos. Eu sinceramente não conhecia esse salmo, e olha que me considero velho nesse negócio de catolicismo. E no Evangelho temos a cena em que Cristo repreende vento e manda que o mar se cale, colocando fim a uma tempestade que aterrorizava os apóstolos.


Em outra ocasião já falei eu a respeito do conceito de tecnosfera. É a camada sintética construída pelo homem sobre a terra e, com o avançar das eras, está se distanciando cada vez mais da criação ou da natureza, se preferirem o termo dos incautos. E durante essa pandemia, com as medidas quarentenárias estamos mais imersos na tecnosfera do que nunca. Isso não constituí em si pecado, mas esse nosso estilo de vida vai nos deixando meio bobos. No mar, sob o perigo de uma dolorosa tormenta, sob a ameaça de furacões, ante a  o risco do ataque iminente de feras no mato, sob a dinâmica do ciclo das estações no campo, o homem aprende a ser mais paciente, humilde e piedoso, e se lembra de Deus mais facilmente. Dentro dessa nossa redoma tecnológica, recheada de tantas distrações, apartada do contato com a criação, esquecemos d' Ele, focamos demais em nossos problemas ''sociais'' esquecendo os dados da natureza, a tal ponto de muitos caírem na loucura de acharem que o mundo é uma massinha de modelar pronto a ser moldado segundo nossas fantasias não muito saudáveis. Creio que apartar-se um pouco dessa redoma social-tecnocrática, ainda que por breves períodos, e ter mais contato com o mundo natural, com  a criação, fariam de nossos contemporâneos ficarem um pouquinho melhores da cabeça, tipo como aquela pintura gnóstica de doutrina ruim, mas arte bacana, sabe?

Nesse sentido a encíclica Laudato Si' tinha potencial. Mas, infelizmente foi mau aproveitado, o documento foi absorvido com viés político cafona, e gerou aquelas pachamamadas e outras bobagens sincréticas. Mas o texto não era também muito bom (embora não fosse absolutamente ruim), tive a impressão que o pontífice e seus ghost writer's escreveram uma teologia ecológica de gabinete, com base mais nas ideias meio românticas da própria cabeça, que uma vivência e um contato íntimo com a criação. Sobre a tal espiritualidade ecológica, por exemplo, não tinha nada que macaquear as superstições pagãs dos índios sul-americanos, bastava valorizar alguns elementos tradicionais e esquecidos da mística cristã. Quer exemplo maior de interação com o meio natural que o jejum das quatro têmporas? Um período de jejum e penitência calculado numa relação entre as festas litúrgicas e as estações do ano.

Pretendo retornar ao tema em postagens futuras, agradeço ao leitor que acompanhou o texto até o final, você é top, forte abraço! 

domingo, 13 de junho de 2021

Conservadorismo e Idolatria


Conservadorismo... isso é tão 2013. O entusiasmo para essa bobagem parece ter passado dado ao desastroso mandato do atual presidente (escrevo esse texto em meados 2021, caro leitor do futuro, e o clima social é de grande decepção e raiva ante as tolices de Bolsonaro, sobretudo no que diz respeito a sua péssima gestão e boicote a medidas de combate a pandemia de covid-19) e, ao que tudo indica, veremos um retorno da esquerda marcusiana para castigar ainda mais este país impenitente. De todo modo a atitude - mais do que a ideologia - conservadora é uma constante na espécie humana e é sobre isso que quero me deter. Já que estamos transcendendo os limites de nosso onde e quando, trago aos senhores uma notícia da última década vinda da Malásia e de fora da grei da Igreja:

Um partido conservador islâmico da Malásia está exortando os homens muçulmanos a se casarem com mães solteiras como esposas adicionais ao invés de se casarem com “jovens virgens”, o um oficial do estado afirmou.

Wan Ubaidah Omar, uma ministra de gabinete do norte de Kelantan, no qual o partido controla, disse que a proposta levantada no parlamento do estado esta semana é necessária para ajudar mães solteiras e viúvas naquela região sub desenvolvida.

“Muçulmanos geralmente gostam de meninas novas ou virgens como esposas adicionais, então sugerimos que ao invés de escolheres estas jovens virgens, porque eles não se casam com mães solteiras como suas segundas ou terceiras esposas?” ela diz.

“Isto irá diminuir a carga em cima das mães solteiras pois assim os homens poderiam ajudá-las a tomarem conta das crianças. As mulheres solteiras não tem esta carga,” disse Wan Ubaidah, que está no comando dos assuntos das mulheres, família e saúde do estado.[1]

O episódio é ilustrativo e o fato de vir do Islã mostra que o conservadorismo não é apenas um problema cristão. Consegue notar a lógica por trás do ocorrido? A mentalidade idólatra do conservadorismo? Pois explico: o que caracteriza o conservadorismo é o culto unilateral a sociedade, e mais especificamente ao status quo, o conservador é o melhor amigo da sociedade, e faz de tudo para defender a perpetuação do presente e para tal exige dos cidadãos uma grande dose de heroísmo e auto sacrifício. Mas, ele jamais se pergunta sobre a legitimidade de tal sociedade, se o modelo que ele quer conservar é de fato digno de ser conservado ou se aqueles de quem ele exige sacrifícios em prol de um ''bem maior'' de fato consideram aquilo um bem ante o qual valha a pena se sacrificar. Na notícia em questão, o partido conservador maometano da Malásia quer que os homens transformem o casamento em uma espécie de programa social, que ele seja motivado não por questões amorosas ou religiosas, não por preferências pessoais, mas para desafogar o Estado e remediar a sociedade. Vemos uma atitude semelhante em muitos cristãos em um discurso casamenteiro e fatalista exacerbado tendo em vista não a Deus, mas antes o "salvar a civilização ocidental'', há, incluso análogos japoneses em uma revolta constante contra o que eles denominam de uma geração de jovens parasitas que não querem cumprir seus ''deveres sociais'' (mas sobre isso, pretendo escrever em outra ocasião).

O conservador, pois, sofre daquilo que Kaczynski chama de sobressocialização; é um ser tão imerso no coletivo, que já não mais é capaz de pensar em termos de ''eu'', mas sempre em um ''nós''. Tanto que sua crave moral gira em torno da ridícula discussão entre ''altruísmo'' e ''egoísmo''. Também é igualmente ridícula a oposição destes (conservadores) ao liberalismo que se dá pelos motivos errados, não porque os liberais violariam os mandamentos divinos com requisições de uma liberdade exacerbada, mas antes porque seriam ''egoístas'' e pouco engajados no coletivo.

É certo que não raro o ''eu'' pode se transformar em um ídolo, mas substitui-lo por um ''nós'' não resolve o problema, na verdade até piora. Só a Deus devemos oferecer nossos sacrifícios e é na medida que a Ele se submete que a sociedade adquire sua dignidade, tanto mais se esta d'Ele se afasta os apelos daquela  pelo heroísmo de seus membros se tornam vazios. Se o leitor quer sacrificar sua vida em prol da colmeia, se acredita que suas decisões mais íntimas como se vira a se casar e com quem o fará, como vai adquirir sua renda, e como vai empregar seu tempo livre devem ser feitas pensando no bem social, que siga seu caminho (e case com uma mãe solteira, trabalhando para criar o filho dos outros). Mas, eu e minha casa serviremos ao Senhor. E naquilo que o Senhor não define como mandamento, seguirei o que julgo que é melhor para mim e os meus, e não há nada de errado com isto. 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Se é lícito a um convertido continuar a observar os costumes judaicos

Trifão perguntou:
 — E se alguém quiser observar essas coisas, sabendo que é certo o que dizes, embora reconhecendo que Jesus é o Cristo, crendo nele e obedecendo-lhe, esse se salvaria?
Eu lhe respondi:
— Trifão, segundo o meu parecer, afirmo que essa pessoa se salvaria, contanto que não pretenda que os outros homens, isto é, os que vêm das nações, estejam circuncidados do erro por Jesus Cristo e tenham a todo custo que observar o mesmo que ele observa, afirmando que se não observarem não poderão salvar-se. É o que fizeste no começo de nosso diálogo, afirmando que eu não me salvaria se não observasse a vossa lei.
Ele me replicou:
— Então por que disseste: “Segundo o meu parecer”? Há quem diga que tais pessoas não se salvarão?
Eu respondi:
— Sim, Trifão. E há pessoas que não se atrevem a dirigir a palavra, nem a oferecer seu lar a elas. Mas eu não concordo com essas pessoas. Se pela fraqueza de sua inteligência continuam ainda observando o que lhes é possível da lei de Moisés, o que sabemos ter sido ordenado por causa da dureza de coração do povo, e juntamente com isso esperem em Cristo e queiram guardar o que eterna e naturalmente é justo e piedoso, e se decidam a conviver com os cristãos e fiéis, e não procurem, como já disse, persuadir os outros a se circuncidarem como eles, a guardar os sábados e outras prescrições da lei, estou de acordo com os que afirmam que se deve recebê-los e manter completa comunhão com eles, como homens que têm os mesmos sentimentos que nós e são irmãos na fé.
Em troca, Trifão, aqueles de vossa raça que dizem crer em Cristo, mas a todo custo pretendem obrigar aqueles de todas as nações que acreditaram nele a viver conforme a lei de Moisés, ou que não se decidem a conviver com estes, também eu não aceito esses como cristãos.
Todavia, aqueles que foram persuadidos por estes a viver conforme a lei, suponho que talvez se salvem, contanto que conservem a fé no Cristo de Deus. Os que digo que não podem absolutamente se salvar são os que, depois de confessar e reconhecer que Jesus é o Cristo, por uma causa qualquer passam a observar a lei, negando a Cristo e não se arrependem antes de morrer. Da mesma forma, afirmo que não se salvarão, por mais que sejam descendência de Abraão, os que vivem segundo a lei, mas não crêem em Cristo antes de morrer, e principalmente aqueles que nas sinagogas anatematizaram e anatematizam os que crêem nesse mesmo Cristo para alcançar a salvação e livrar-se do castigo do fogo.
Com efeito, a bondade, a amizade de Deus e a imensidão de sua riqueza fazem com que aquele que se arrepende dos próprios pecados, como ele deixou claro através de Ezequiel, se torne justo e sem pecado. Em troca, aquele que passa da piedade e da justiça para a iniqüidade e a impiedade, ele o considera pecador, iníquo e ímpio. Por isso, nosso Senhor Jesus Cristo também diz: “No estado em que eu vos surpreender, aí também vos julgarei”

- São Justino, Diálogo com Trifão (47).

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Sobresocialização


9ª Semana do Tempo Comum | Sexta-feira
Primeira Leitura (Tb 11,5-17)
Responsório (145)
Evangelho (Mc 12,35-37)

A ação nasce da reflexão, própria ou alheia. Um indivíduo culto ordena os princípios em seu interior, traça um plano e dele deriva sua atividade. Um indivíduo inculto ''pensa'' com ''a inteligência coletiva'' age de forma a refletir os valores da sociedade no entorno, da educação que recebeu. O segundo caso me parece mais o de um animal adestrado, um poodle de circo, do que de fato um indivíduo humano, livre. E há quem se contente em ser assim e que a todo momento clame por alguém que lhe diga o que fazer, como se comportar, e procura escapar de todo e qualquer pensamento mais ou menos abstrato, da qual não se possa extrair uma consequência prática imediata. Tal homem seria aquilo que o eco-terrorista Unabomber (que não nasceu terrorista, mas foi transformado em um depois de ser vítima de um experimento de lavagem cerebral da CIA, o programa MK Ultra) chamaria de sobressocializado.

SOBRESOCIALIZAÇÃO

24. Os psicólogos usam o termo "socialização" para designar o processo pelo qual as crianças são treinados para pensar e agir como a sociedade exige. Uma pessoa diz-se ser bem socializada se ela acredita e obedece ao código moral da sua sociedade e encaixa-se bem como uma parte funcional da sociedade. Pode parecer sem sentido dizer que muitos esquerdistas são excessivamente-socializados, uma vez que o esquerdista é percebido como um rebelde. No entanto, a posição pode ser defendida. Muitos esquerdistas não são tão rebeldes quanto parecem.

25. O código moral da nossa sociedade é tão exigente que ninguém pode pensar, sentir e agir de uma maneira completamente moral. Por exemplo, não é suposto odiarmos ninguém, mas quase todo mundo odeia alguém em algum momento ou outro, quer ele admita para si mesmo ou não. Algumas pessoas são tão altamente socializadas que a tentativa de pensar, sentir e agir moralmente impõe uma pesada carga sobre eles. A fim de evitar sentimentos de culpa, eles continuamente têm de enganar-se sobre os seus próprios motivos e encontrar explicações morais para sentimentos e acções que na realidade não têm uma origem moral. Usamos o termo "excessivamente-socializados" para descrever essas pessoas. [2]

26. A sobresocialização pode levar a baixa auto-estima, um sentimento de impotência, derrotismo, culpa, etc. Um dos meios mais importantes pelos quais a nossa sociedade socializa as crianças é, fazendo-as sentir vergonha do comportamento ou da fala que é contrária às expectativas da sociedade. Se isso é exagerado, ou se uma criança em particular é especialmente susceptível a tais sentimentos, acaba por sentir vergonha de SI MESMO. Além disso, o pensamento e o comportamento da pessoa sobresocializada estão mais restritos por expectativas da sociedade que os da pessoa levemente socializada. A maioria das pessoas envolve-se numa quantidade significativa de comportamento impróprio. Elas mentem, cometem pequenos furtos, violam as leis de trânsito, faltam ao trabalho, odeiam alguém, dizem coisas maldosas ou usam algum truque para ter vantagem sobre outra pessoa. A pessoa sobresocializada não pode fazer essas coisas, ou se as faz ele gera em si mesmo um sentimento de vergonha e auto-ódio. A pessoa sobresocializada não pode sequer experimentar, sem culpa, pensamentos ou sentimentos que são contrárias à moralidade aceites; ela não pode ter pensamentos "impuros". E socialização não é apenas uma questão de moralidade; estamos socializados para estar em conformidade com muitas normas de comportamento que não se enquadram sob o título de moralidade. Assim, a pessoa sobresocializada é mantida numa correia psicológica e passa a vida correndo sobre os trilhos que a sociedade criou para ela. Em muitas pessoas sobresocializadas isso resulta numa sensação de constrangimento e de impotência que pode ser uma grave dificuldade. Nós sugerimos que a sobresocialização está entre as mais graves crueldades que os seres humanos causam um ao outro.

[...]

32. Os problemas da esquerda são indicativos dos problemas da nossa sociedade como um todo. Baixa auto-estima, tendências depressivas e derrotismo não se restringem à esquerda. Embora eles são especialmente perceptíveis na esquerda, eles são comuns na nossa sociedade. E a sociedade de hoje tenta nos socializar em maior medida do que qualquer sociedade anterior. Somos até informados por especialistas como comer, como exercitar, como fazer amor, como educar os nossos filhos e assim por diante.

A verdadeira religião não nos quer assim. A moral deriva do conhecimento de Deus, não seguimos regras comportamentais porque sim, porque é certo e bláblá.... Em primeiro lugar somos introduzidos nos mistérios da divindade, aprendemos sobre as maravilhas que Deus realizou na história, a discernir a ação das forças de natureza espiritual, a investigar os princípios que regem o cosmos, a sondar o poder oculto e profundo dos sacramentos, e então da posse de todas essas verdades, só depois de nos maravilharmos com tudo isso, é que vem os mandamentos. Tanto que a maior parte do texto das Sagradas Escrituras são narrativas, sendo a injunção restrita a trechos muito específicos e pouco numerosos. No Evangelho de hoje, por exemplo, a cena que comtemplamos é o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo a respeito de teologia dogmática, expondo o sentido das profecias de Davi. E ao fim é dito que a multidão o escutava com prazer. Temos nós a mesma atitude ao sondar os mistérios divinos, ou antes já nos tornamos poodles de circo, que não tem tempo para ''teoria'' e querem logo que alguém lhes diga o que fazer, que lhes dê uma tarefa a cumprir?