quarta-feira, 30 de junho de 2021

Simbolismo, bastardia e animais endemoniados


13ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (Gn 21,5.8-21)
Responsório (Sl 33)
Evangelho (Mt 8,28-34)

1. Há tantos ensinamentos e tamanho simbolismo envolto na primeira leitura de hoje que é suficiente para nos deixar com dor de cabeça... Estamos ante a cena em que Sara começa a ficar enciumada da escrava egípcia Agar e seu filho Ismael, torrarando a paciência de Abraão para que ele os mande embora.

Em primeiro plano vemos os problemas domésticos gerados pela poligamia e como esse tipo de relação gera um ambiente bem complicado. Se uma esposa brigando com o sujeito já é difícil, imagina duas brigando com ele entre si e os filhos de umas com as outras, agora imagine três ou quatro, um verdadeiro inferno emocional. 

Em segundo lugar há um ensinamento a respeito do direito natural contra o falso dogma da igualdade. O filho legítimo, o filho da promessa, tem tanto mais direitos que o bastardo. Isaac herdou o legado e a missão de Abraão, Ismael ficou excluído desta. Todavia, apesar disso, não deixou de receber a benção divina: tornou-se um hábil arqueiro e um poderoso guerreiro, bem como deu origem a uma descendência forte e numerosa. Bastardos não tem os mesmos direitos dos filhos legítimos, mas isso não significa de maneira alguma que se trate de uma existência amaldiçoada.

Em terceiro lugar vemos nos dois irmãos figuras da Igreja e da Sinagoga. Os judeus são Ismael, filhos de Abraão segundo a carne tão somente, os cristãos são Isaac, filhos segundo a promessa, que herdaram a fé no Senhor Javé e acolheram o seu Cristo.

Em quarto lugar, vemos certa ironia do destino... Ágar era uma egípcia escrava de uma família hebreia, daí há alguns séculos a situação iria se inverter, e os hebreus se veriam na condição de escravos dos egípcios. A história tem seus ciclos, nenhuma posição de poder terrena é estável e eterna - tal atributo, a estabilidade perpétua, é reservada tão somente aos pilares dos céus. 

2. E após expulsar os demônios dos possessos gadarenos eles se dirigiram aos porcos. A cena do Evangelho de hoje trás consigo uma informação um tanto quanto assustadora, além de atormentar pessoas e fazer uso de seus corpos, os demônios também podem usar dos animais.

Como vivemos na cidade e não mais nas matas, raramente tivemos de nos confrontar com um animal naturalmente enfurecido, talvez no muito algum cão mais ou menos descontrolado. Não tivemos de lidar com cobras, touros,  onças e javalis. Se o aspecto da fúria natural nos é estranho, e suficientemente apavorante, quão terrível não se mostrará o confronto com seres inflamados por uma fúria preternatural? Tomara que nunca tenhamos de lidar com tais criaturas, pois dificilmente sobreviveríamos para contar a história...

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