quarta-feira, 14 de julho de 2021

Fuga para o campo, pudor ante o sagrado e a mística dos pobres


15ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira 
Primeira Leitura (Êx 3,1-6.9-12) 
Responsório (Sl 102,1-7) 
Evangelho (Mt 11,25-27) 

1. Depois do incidente com o egípcio, Moisés foi para o campo, onde permaneceu por décadas. Foi, pois, cuidar de seus assuntos. Casou, fixou-se em uma propriedade e ali permaneceu até que Deus o chamou. Moisés não buscou o poder, não mais procurou bancar o herói por iniciativa própria, foi simplesmente cuidar de sua vida. A iniciativa veio de Deus. No tempo determinado, Ele chamou a Moisés, Ele lhe deu poder, Ele o enviou ao Faraó, Ele libertou o seu povo da escravidão. O mesmo ocorreu com Davi, estava o rapaz pastoreando os campos e Deus por meio do profeta Samuel o unge como rei. Mas, há quem se incomode com isso. Há pouco tempo as redes sociais foram inundadas de rancor contra aqueles que buscam o que buscou Moisés, ir para o campo e lá permanecer com sua família. Estão, pois, abdicando da luta, desistindo da busca pelo poder, dizem os opositores indignados. Mas, por que alguém deveria se meter nessa encrenca senão em obediência a um mandato divino? Se houver uma restauração da Igreja antes do fim, será por iniciativa divina e não obra de mãos humanas... E se não houver, há que se cuidar da família, dar esmola aos pobres e suportar as perseguições que antecedem o fim. 

2. Antes de aproximar-se do Horeb, Deus ordena a Moisés que tire as sandálias, pois está a adentrar em um lugar santo. O profeta também cobre o rosto, é dito que não ousava olhar para Deus. Existe uma saudável dose de pudor e temor na lida com o sagrado. Nosso povo é um tanto quanto irreverente, e isso é perigoso... Estamos lidando com poderes que escapam a nossa compreensão e onde qualquer erro pode ter consequências dramáticas e catastróficas para a nossa vida tanto no tempo quanto na eternidade. 

3. Há que se ter cuidado para não cair na tentação democratista, a idolatria do povo, tão comum neste continente que no século passado se manifestou por meio da Teologia da Libertação e foi responsável pela vulgarização da arte litúrgica, seja na música, seja na oratória e na arquitetura. Dito isto, porém, não se deve desprezar o povo. Há de fato uma mística nos simples. Há realidades as quais Deus esconde dos sábios e entendidos mas revela aos pobres e pequeninos. Se não estamos neste último grupo, deveríamos pelo menos nos aproximar deles com sadia curiosidade, e procurar apreender aqueles mistérios o quais a Providência quis lhes confiar.

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