segunda-feira, 5 de julho de 2021

Sonhos, promessas, relíquias, milagres...


14ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira
Primeira Leitura (Gn 28,10-22a)
Responsório (Sl 90)
Evangelho (Mt 9,18-26)

Até alguns anos atrás, a liturgia de hoje seria perfeitamente compreensível ao povo brasileiro, quase que uma expressão de algumas de nossas práticas religiosas... Hoje eu já não sei.

Na primeira leitura, Jacó tem em sonhos uma visão, uma experiência mística tremenda. Depois de acordar, faz uma promessa ao Senhor e consagra aquele lugar ao Altíssimo. No Evangelho, se repte a cena que comtemplamos alguns dias atrás, a ressureição da filha de Jairo, e a cura da hemorroíssa. A mulher é curada após tocar tão somente a orla do manto de Jesus.

Sonhos, promessas, relíquias, milagres... Em tempos medievais e, não tão remotamente. em um passado próximo em nosso país, o povo simples tinha tais elementos como parte essencial de sua prática religiosa. Quem nunca ouviu a história de um bisavô que após um determinado sonho resolve apostar no jogo do bicho ou empreender determinado negócio, e ao fim consegue prosperar? Ou então que ignorou alguns presságios anunciados também em sonho e teve grandes problemas? Quem não tem um parente que prometeu peregrinar até algum grande santuário caso viesse a alcançar determinada graça? Ou quem sabe um doente que atribui sua cura ao tocar determinada relíquia ou imagem milagrosa? Não há em muitas cidadezinhas do interior histórias curiosas sobre locais sagrados, onde palco de experiências místicas diversas?

Todavia, tais elementos parecem estar se apagando do imaginário popular e a religião vai se imanetizando: demandas por reformas sociais e conflitos entre ''times'' eclesiais vem ocupando o centro da vida da Igreja no Brasil... Estamos abandonando o espanto e admiração, o desejo de comtemplar e participar dos mistérios divinos, para embriagar-nos na disputa pelo poder. A religiosidade antiga soa as novas gerações como demasiado crédula e supersticiosa, e a religião moderna coloca o divino em segundo plano para focalizar em demasia o humano.

"É muita cachaça e pouca oração", disse recentemente o Papa brincando a respeito do povo brasileiro. Quem dera fosse a cachaça... Mas é algo tanto pior: muita política, pouca cachaça e pouca oração.

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