quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Rozen Maiden: Chá, dolls e conflitos domésticas

Depois de tantos anos nesta indústria vital é raro que uma algo venha a nos surpreender. Se leu o título e viu a imagem que ilustra a postagem, já deve supor que eu estou a falar de anime, mas essa é uma regra que serve para praticamente qualquer coisa. A experiência nos torna elitistas, o contato com material de qualidade elevada nos faz ter imensa má vontade para com o medíocre. Se você gosta de algo, se realmente gosta de algo e se aprofunda nisso, seja algo importante ou uma bobeira, você vai compreender do que estou fazendo. Mas, se você é daquele tipo de pessoa superficial cujo gosto é pautado pelas modas e engole qualquer porcaria que lhe empurra a indústria cultural sob o rótulo de popular, pela "vibe" do momento... bem, o que raios faz por aqui? Vai ler um UOL da vida seu normiezinho patético!

Rozen Maiden não é uma obra particularmente genial. Temos uma vez mais criaturas mágicas lutando usando a energia vital de seus parceiros humanos, desta vez bonecas mágicas. A arte também não é suficientemente memorável, e tendo em vista que o anime é da mesma época de Digimon Tamers, há um abismo entre a forma em que ambas as obras retrataram e se apropriaram de Tokyo. Então se trata de uma obra medíocre? De maneira nenhuma. Ainda que deficiente em muitos aspectos, Rozen Maiden sabe qual é o fator essencial de qualquer história: bons personagens. Ainda que existam mistérios e épicas batalhas,  a maior parte dos episódios é dedicada ao convívio entre os personagens. É extremamente agradável ver a rotina de Sakurada Jun e a interação dele com Shinku e as demais bonecas, a forma como ele vai se transformando de um hikikomori egoísta e traumatizado - devido a bullying na infância - a uma pessoa virtuosa e heroica; Shinku e sua arrogância aristocrática em contraste com Hina Ichigo que é uma bebezona; a personalidade tímida e ao mesmo tempo manipuladora de Suiseiseki, e todos os conflitos domésticos na casa de Jun, cenário da maior parte do anime. O anime de deixa imerso na rotina daquela casa, a paixão de Shinku por chás, os planos e maquinações de Suiseiseki, as criancices de Hina Ichigo, e o show do Detitive Kun Kun protagonista da série televisiva favorita das bonecas. É tão triste quando essa rotina chega ao fim, quando essa desordem doméstica é perturbada pelo Jogo da Alice, que substitui o clima alegre por um pesado drama que vai ceifando a vida de cada uma das personagens...

Existem animes os quais lhe fazem pensar. Outros que lhe convidam a uma contemplação artística. Rozen Maiden não é destes nem daqueles, mas traz aquilo que no fundo todos nós procuramos quando buscamos o entretenimento japonês: momentos memoráveis, agradáveis e divertidos.

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Três parágrafos, eu já fui mais prolixo... 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O início da via purgativa - Pe. Roberth Hugh Benson

Al principio, como hemos dicho, el alma disfruta extraordinariamente con lo meramente externo, que considera santificado por la presencia de Cristo. Por ejemplo, la organización humana de la Iglesia, sus métodos, las funciones litúrgicas, la música y el arte religiosos, todo tiene para ella un sentido celestial y divino.

Con extraordinaria frecuencia, la primera señal de que ha empezado a recorrer la vía purgativa consiste en la sensación que experimenta el alma de lo que el mundo llama desilusión. Y esta sensación tiene causas muy distintas.

Por ejemplo, el alma se encuentra frente a unos hechos desconcertantes un sacerdote indigno, una congregación desunida, escándalos en la vida cristiana, etc., justamente en los ámbitos en los que Jesucristo debería ser el modelo supremo. Pensaba que la Iglesia era perfecta por ser la Iglesia de Cristo, o el sacerdocio inmaculado por pertenecer al orden de Melquisedec… Y para su decepción, se encuentra con la vertiente humana indefectiblemente asociada a las cosas divinas en la tierra.

La novedad empieza a disiparse, y ahora el alma siente que las cosas que creía más directamente relacionadas con su nuevo amigo son ajenas, temporales y transitorias en sí mismas. Su amor por Cristo era tan grande como para hacer brillar todas aquellas cosas externas que ambos compartían; ahora, ese brillo empieza a apagarse y las ve mucho más terrenales. Y cuanto más intenso fue su amor imaginativo, más intensa es su decepción actual.

Esta es, pues, la primera etapa de la vía purgativa; el alma siente desilusión ante las cosas humanas y considera que los cristianos deberían ser —y después de todo no son— otros Cristos.

El primer peligro se presenta inmediatamente: no hay procedimiento de limpieza que no implique cierto poder destructor. Y si el alma es un poco superficial, perderá la amistad con Cristo (la que tenía) además de las atenciones y regalos con los que Ella obsequiaba y complacía. En el mundo hay almas débiles que fallan en esta prueba, que confunden un enamoramiento humano con el Amor esencial, y en cuanto Cristo se despoja de sus adornos, se separan de El. Pero si son almas más firmes, habrán aprendido la primera lección: que la divinidad no radica en las cosas materiales y que el amor de Cristo es algo mucho más profundo que los mismos regalos que El hace a sus nuevos amigos.

- Robert H. Benson. La amistad de Cristo; p.12.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Prosperidade, Política e Provação


1ª Semana do Advento | Quinta-feira
Primeira Leitura (Is 26,1-6)
Responsório (Sl 117)
Evangelho (Mt 7,21.24-27)

1. <Ele derrubou os que habitavam nas alturas e destruiu a cidade soberba, derrubou-a por terra e ao nível do chão a reduziu. Ela é calcada aos pés pela plebe, sob os passos dos indigentes. (Is 26, 5-6)>

É curioso pensar - ao menos para mim que sou um individualista convicto - como um ente coletivo e abstrato como uma cidade pode apresentar características antropomórficas. A cidade soberba, ou se preferir a tradução do Pe. Matos Soares: a cidade altiva. Mas, de fato assim o é. Nem todas as terras são iguais, há lugares onde a atmosfera cultural está abarrotada de pestilência, onde uma espécie de contaminação social parece corromper seus habitantes. Há lugares relativamente mais saudáveis, onde o "clima social" parece favorecer a prática de determinada virtude. Nem toda a terra, nem toda cidade, nem toda nação é igual. Assim como determinadas plantas só crescem em um tipo muito específico de solo sob certas condições climáticas também muito particulares, bem se pode dizer o mesmo sobre determinadas almas. Igualmente sob as pragas que a atacam a lavoura e a sociedade...

2. <Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra (Sl 117, 9)>

A tradução da Vulgata do Pe. Matos Soares é tanto mais precisa ao trocar "grandes da terra" por "príncipes", sobretudo se o leitor tiver um vago conhecimento sobre a obra de Hobbes e Maquiavel. Mais vale procurar refúgio no Senhor que confiar na política. Todavia, tem gente que gosta de se iludir. Paciência...

3. Pode pedir dinheiro para Deus? Pode, desde que não se esqueça da Salvação. Mas se você vai receber ou não, aí é com Ele. De todo modo, canta o salmista:

<Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! (Sl 117, 25)>

4. A tempestade vem para todo mundo, o que muda é se o sujeito foi prudente e se preparou para o caos. Escutamos no Evangelho: um alicerçou sua casa sobre a rocha, o outro sob a areia. Nenhuma das duas foi poupada da provação. Aquela permaneceu de pé, já esta, grande foi sua ruína. Nossos métodos, nossas escolhas, serão constantemente testados nas diversas circunstâncias da vida, a provação e a oportunidade estão aí para o bom e o mal, para o justo e o injusto. Quiçá sejamos nós prudentes e não insensatos.