quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Prosperidade, Política e Provação


1ª Semana do Advento | Quinta-feira
Primeira Leitura (Is 26,1-6)
Responsório (Sl 117)
Evangelho (Mt 7,21.24-27)

1. <Ele derrubou os que habitavam nas alturas e destruiu a cidade soberba, derrubou-a por terra e ao nível do chão a reduziu. Ela é calcada aos pés pela plebe, sob os passos dos indigentes. (Is 26, 5-6)>

É curioso pensar - ao menos para mim que sou um individualista convicto - como um ente coletivo e abstrato como uma cidade pode apresentar características antropomórficas. A cidade soberba, ou se preferir a tradução do Pe. Matos Soares: a cidade altiva. Mas, de fato assim o é. Nem todas as terras são iguais, há lugares onde a atmosfera cultural está abarrotada de pestilência, onde uma espécie de contaminação social parece corromper seus habitantes. Há lugares relativamente mais saudáveis, onde o "clima social" parece favorecer a prática de determinada virtude. Nem toda a terra, nem toda cidade, nem toda nação é igual. Assim como determinadas plantas só crescem em um tipo muito específico de solo sob certas condições climáticas também muito particulares, bem se pode dizer o mesmo sobre determinadas almas. Igualmente sob as pragas que a atacam a lavoura e a sociedade...

2. <Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra (Sl 117, 9)>

A tradução da Vulgata do Pe. Matos Soares é tanto mais precisa ao trocar "grandes da terra" por "príncipes", sobretudo se o leitor tiver um vago conhecimento sobre a obra de Hobbes e Maquiavel. Mais vale procurar refúgio no Senhor que confiar na política. Todavia, tem gente que gosta de se iludir. Paciência...

3. Pode pedir dinheiro para Deus? Pode, desde que não se esqueça da Salvação. Mas se você vai receber ou não, aí é com Ele. De todo modo, canta o salmista:

<Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! (Sl 117, 25)>

4. A tempestade vem para todo mundo, o que muda é se o sujeito foi prudente e se preparou para o caos. Escutamos no Evangelho: um alicerçou sua casa sobre a rocha, o outro sob a areia. Nenhuma das duas foi poupada da provação. Aquela permaneceu de pé, já esta, grande foi sua ruína. Nossos métodos, nossas escolhas, serão constantemente testados nas diversas circunstâncias da vida, a provação e a oportunidade estão aí para o bom e o mal, para o justo e o injusto. Quiçá sejamos nós prudentes e não insensatos.

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