sábado, 14 de maio de 2022

O Último Chá de Rikyu - Kakuzo Okakura

Somente aquele que viveu com o belo pode morrer belamente. Os últimos momentos dos grandes mestres do chá foram repletos de apurada elegância, tanto quanto foram suas vidas. Ao procurar sempre se harmonizar com o grandioso ritmo do universo, estavam sempre prontos a penetrar o desconhecido. O “Último Chá de Rikyu” se destacará para sempre como expressão máxima da grandeza trágica.

Longa vinha sendo a amizade entre Rikyu e o xogum Hideyoshi, o Taiko, e alta a consideração que o grande guerreiro tinha pelo mestre do chá. Mas a amizade de um déspota é sempre uma honraria perigosa. Eram tempos em que traições abundavam e os homens não contavam nem em seus parentes mais próximos. Rikyu de modo algum era um cortesão servil, e ousou diferir com frequência do raciocínio de seu feroz patrão. Aproveitando-se de certa frieza que existiu durante algum tempo entre Taiko e Rikyu, os inimigos deste acusaram-no de estar envolvido numa conspiração para envenenar o déspota. Segredaram a Hideyoshi que a poção fatal lhe seria administrada numa xícara da bebida verde preparada pelo mestre do chá. Para Hideyoshi, uma suspeita era motivo suficiente para execução instantânea, e não houve meio de demover o raivoso xogum de sua decisão. Um único privilégio foi garantido ao condenado — a honra de morrer por suas próprias mãos

No dia destinado à autoimolação, Rikyu convidou seus principais discípulos para uma última cerimônia do chá. Pesarosos, os convivas se encontram no alpendre no horário combinado. Ao contemplar a aleia do jardim, parece-lhes que as árvores estremecem, e que fantasmas sem lar sussurram no farfalhar das folhas. As lanternas de pedra cinzenta postam-se solenes como sentinelas diante dos portões de Hades. Um sopro de raro incenso provém do aposento do chá; é o sinal que convoca os convivas, o pedido para que entrem. Um a um, eles avançam e tomam seus lugares. No nicho tokonoma pende um kakemono — maravilhosa caligrafia de um monge da Antiguidade que fala da impermanência de todas as coisas terrenas. O canto da chaleira que ferve sobre o braseiro lembra uma cigarra extravasando sua tristeza pelo verão que se vai. Logo, os convivas entram no aposento. Um a um, o chá é servido a todos, e cada um esgota a xícara em silêncio, o anfitrião por último. De acordo com a etiqueta, o conviva principal pede então permissão para examinar o equipamento do chá. Rikyu expõe os vários artigos diante deles, assim como o kakemono. Após todos expressarem admiração pela beleza dos objetos, Rikyu os dá como lembrança, um para cada um dos amigos ali reunidos. Só a tigela ele guarda para si. “Que esta xícara, conspurcada pelos lábios do infortúnio, nunca mais seja usada por um homem.” Assim dizendo, despedaça a vasilha.

A cerimônia termina; os convivas, a custo contendo as lágrimas, despedem-se pela última vez e deixam o aposento. Um único, o mais próximo e o mais querido, é solicitado a permanecer e a testemunhar o fim. Rikyu então despe a bata cerimonial, dobra-a com cuidado sobre o tatame e assim revela a mortalha imaculadamente branca que até então ocultava sob a roupa. Contempla com ternura a lâmina brilhante da adaga mortal, e a ela se dirige nestes requintados versos:

Eu vos saúdo,
Ó espada da eternidade!
Através de Buda,
E também de Dharma,
Vosso caminho abris.

Com um sorriso estampado no rosto, Rikyu seguiu rumo ao desconhecido.

- Kakuzo Okakura; O livro do Chá; p.66-68.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Habitar na casa do Senhor e contemplar o seu santuário


2ª Semana da Páscoa | Sexta-feira
Primeira Leitura (At 5,34-42)
Responsório (Sl 26)
Evangelho (Jo 6,1-15)

<Uma só coisa peço ao Senhor e peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida,  para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário. (Sl 26,4)>

A liturgia da palavra é como se fosse um grande sumário: diariamente lemos trechos da Sagrada Escritura e meditamos brevemente a respeito da vida dos santos. Mas, aqueles que podem, deviam ir mais além: além dos trechos litúrgicos selecionados, escolhendo um dos livros da Bíblia e meditando-o do início ao fim; além das breves hagiografias e panegíricos de pouco mais que três parágrafos, procurando um relato mais denso da vida de algum santo de nossa devoção, e - quando possível - a fonte primária, seus próprios escritos.

Pelo Batismo, passamos a habitar - como filhos adotivos - o Santuário do Senhor, a casa do Pai. Não é próprio das crianças "fuçar" na casa, investigar cada cômodo? Pois o universo da Igreja é tão amplo, uma obra do arquiteto divino, que vem sendo edificada a mais de dois mil anos. Há tanta coisa para vermos, é bom que sejamos curiosos como as crianças ao invés de visitas temerosas que não saem da sala de estar se alguém não nos disse o contrário. Somos, pois, filhos e amigos e não mais simples servos.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Gosick e a sublimidade da ideia ante a mediocridade do real

Nem sempre consigo expressar-me adequadamente os sentimentos e reflexões que experimento enquanto assisto um anime. Há obras maravilhosas que tive o prazer de acompanhar, todavia, ainda não consegui escrever uma linha a respeito, e há tantas outras sobre as quais escrevi e que todavia o texto é tão medíocre que não é capaz de expressas nem sequer um relance da profundidade das mesmas. Tenho a impressão de que esta postagem terá o mesmo destino.

Gosick é um anime de 2011 que mistura romance, drama e mistério. Acompanhamos a vida de Kazuya Kujo, um estudante de intercâmbio vindo do Japão para Sabure - um fictício país europeu - e sua amizade Victórica (ou Victorique) de Blois. Uma linda garota que possuí uma inteligência fora do comum e é frequentemente requisitada pelo inspetor Grevil para auxiliar a polícia na resolução de diversos crimes e mistérios. Os primeiros capítulos são relativamente inocentes, cuidando de apresentar os personagens, explorar as relações e a convivência entre eles, bem como a resolução dos mistérios, uma dinâmica que não por coincidência lembra bastante a série de livros Sherlock Holmes. Daqui para frente teremos alguns spoliers. Conforme a história avança, para além dos mistérios da semana, se vai revelando a trama de fundo: a complexa política interna do reino de Sabure, seus crimes durante a primeira guerra mundial, sua relação com a escravidão e o colonialismo, a fraqueza e a podridão de sua monarquia, bem como a disputa entre a Academia de Ciências e o Ministério do Ocultismo pelo domínio no país. Além disso, conhecemos um pouco mais do passado dramático de Victórica, e vemos o desenvolvimento de sua relação com Kujo. A trama envolvendo o Ministério do Ocultismo é interessantíssima: o Marquês de Blois está absolutamente consciente das limitações - ou antes da farsa de tais práticas - todavia como bom ilusionista, sabe aproveitar-se de tais truques e ressignificá-los para conseguir seus intentos.

Há alguns elementos católicos no anime, mas seu propósito é meramente estético. Há belas igrejas, vitrais maravilhosos e um caso ambientado em um convento e incluso citações da escritura, todavia ali não se encontra nenhum católico autêntico. Os padres e freiras que ali aparecem estão envolvidos na trama do ministério do ocultismo, e não estão muito interessados na sã doutrina.

Falando em padres, durante o século XVIII ou XIX - a data realmente não importa - houve certa polêmica na Europa. Os padres franceses não gostavam muito que suas fiéis andassem por aí lendo romances, não tanto pela presença de cenas (se é que se pode usar esse vocábulo para livros sem gravuras) lascivas, mas pela idealização do amor. Os personagens do romance eram tão puros e heroicos, e os homens que elas encontravam pareciam tão sem graça ante tais vultos. As mocinhas da época acreditavam que isso era um problema particular delas, de forma que frustradas, iam procurar o amor em outra freguesia, não raro sendo iludidas e usadas por bons "atores" no jogo do amor, isso quando não caiam no adultério após a decepção com o casamento. Mas, que tem isso haver com o anime? Bem, a relação entre Kujo e Victorica é tão bela e intensa de forma que não se encontrará análogos neste mundo (ainda mais em uma era de degeneração como a nossa). Apesar de bela, Victorica é uma dona muito... chata. A convivência com ela seria impossível, todavia Kujo - que é um dos maiores betas da história dos animes - a suporta e a vence pela bondade, ensinando-a a amar. E quando a segunda tempestade - isto é, a segunda guerra mundial - desponta no horizonte e estes são separados, o amor é tão intenso que eles movem céus e terra para se reencontrarem e ficaram juntos novamente. Lindo, não? Mas uma experiência sem ecos na realidade contemporânea. Mulher alguma se encantaria pela postura inocente de Kujo, que fosse emulada no mundo real teria consequências nada agradáveis a seu usuário. Igualmente são poucas as moças - sobretudo hoje - que se manteriam fieis por tanto tempo em um cenário de guerra, sabemos pela história quão facilmente o soldado é esquecido, e as donas encontram facilmente um novo amor, isto quando este não vem das fileiras inimigas... Se em situações tanto menos dramáticas os relacionamentos já se rompem, quiçá numa guerra mundial. Há ainda outro aspecto belo do relacionamento entre os dois, apartada de seu amado, Victórica fica tão nervosa e apreensiva que acaba por desenvolver a Síndrome de Maria Antonietta, que para poupar o trabalho do leitor consiste no embranquecimento dos cabelos devido a uma situação de estresse intensa, assim os lindos cabelos loiros da moça adquirem uma coloração prateada. Sublime! Pergunto-lhe, caro leitor. alguma mulher experimentaria tal intensidade de sentimento pela sua ausência? Provavelmente não, como as coisas estão hoje em dia, se a dona chegar a chorar por você, dê-se por privilegiado. Triste.  Mas de que importa? De todo modo esse tipo de ficção é útil para mortificar nosso orgulho, lembrar da mediocridade de nossa existência e do sublime que pode ser vislumbrado na ideia.

Encerro esse texto justamente com o [primeiro] encerramento do anime: Resuscitated Hope.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Mistério


Anunciação do Senhor | Sexta-feira
Primeira Leitura (Is 7,10-14;8,10)
Responsório (Sl 39)
Segunda Leitura (Hb 10,4-10)
Evangelho (Lc 1,26-38)

Nem a Imaculada Virgem entendia perfeitamente os mistérios divinos, quiçá nós. Na cena da Anunciação, ela se perturba com a saudação do anjo e passa a meditar o significado desta em seu interior, bem como interroga-o - de modo absolutamente discreto - como ela daria luz a um filho, uma vez que já havia feito um voto perpétuo de virgindade. Na tradução para o português do hino eucarístico composto por Santo Tomás de Aquino (tradução esta que embora não o seja absolutamente literal, é artisticamente adequada), se lê: <Adoro-te devotamente, ó Divindade escondida>;  escondida, perplexidade, inquietações, mistério: palavras comuns em qualquer experiência espiritual autêntica. Ante uma realidade que muito difere da nossa, que é infinitamente superior a nossa compreensão, há como que uma névoa, todo um universo escondido, há dúvidas e interrogações. Quão triste - e arrogante - o é quando o pregador (ou nós mesmos) toma uma postura de quem tudo sabe, como se pudesse compreender e explicar nos mínimos detalhes as realidades divinas. Nos últimos dias temos visto isso com relação as profecias de Fátima, todo mundo tem uma opinião sobre, ninguém tem dúvidas, inquietações, ninguém precisa espera a consagração acontecer e observar seus efeitos... Amiguinho palestrinha, será que você pode - por obséquio - ficar quieto um instante e nos deixar comtemplar o espetáculo da ação divina sobre o mundo? Ele é um autor e um narrador infinitamente mais competente...

segunda-feira, 21 de março de 2022

A Providência, a guerra e as nações pagãs


3ª Semana da Quaresma | Segunda-feira
Primeira Leitura (2Rs 5,1-15a)
Responsório (Sl 41)
Evangelho (Lc 4,24-30)

<Naamã, general do exército do rei da Síria, gozava de grande prestígio diante de seu amo e era muito considerado, porque, por meio dele, o Senhor salvou a Síria. Era um homem valente, mas leproso. (2Rs 5,1) >

Naamã era um pagão. Não apenas um pagão, mas um general Sírio, um homem que vivia da guerra. E a escritura nos diz que Deus o usou para salvar a Síria. Você provavelmente não escutará muitos comentários a respeito disso hoje. Há uma tendência de se fazer uma leitura um tanto quanto míope das Sagradas Escrituras, demasiado afetada pela sensibilidade (no caso do Brasil, sempre exacerbada) da parte do pregador. As nações pagãs, por mais que estejam em má situação, não são ignoradas por Deus. A Providência governa sua história, inspira seus heróis. A guerra, pode servir aos planos do Altíssimo. A aceitação desses fatos de outrora, não implica necessariamente um juízo sobre os fatos do presente (a saber a guerra russo-ucraniana); o processo é um tanto mais longo e complexo... Todavia, quantos não fazem o caminho inverso temerosamente. Dotados de um juízo definitivo e universal sobre o presente, tratam de adulterar o passado e quiçá as escrituras, afim de revestir suas opiniões com a aura de uma lei eterna.

As "piedades liberais" (pacifismo, direitos humanos, fraternidade universal) ecoadas em nossas igrejas, por mais que sejam desvios compreensíveis nestes tristes tempos de guerra, não deixam de incomodar. E muito provavelmente isso persistirá para além do tempo tolerado, até hoje a cultura eclesial está imersa nos erros advindos da resposta sentimental ao trauma da segunda guerra mundial...

quarta-feira, 16 de março de 2022

Impresso x Digital

[...] A pesquisadora norueguesa Anne Mangen está investigando as diferenças cognitivas e afetivas entre a leitura de textos em versão impressa e na tela, com seus colegas Adriaan van der Weel, JeanLuc Velay, Gerard Olivier e Pascal Robinet. Os pesquisadores pediram a estudantes que respondessem um questionário após ler um conto com apelo universal sobre estudantes (uma história de amor francesa, cheia de sensualidade). Metade dos estudantes leram Jenny, Mon Amour num Kindle e a outra metade num livro de bolso.

Os resultados indicaram que os estudantes que tinham lido o livro superavam os leitores de tela na capacidade de reconstruir o enredo em ordem cronológica. Em outras palavras, o sequenciamento de certos detalhes que, às vezes, são ignorados numa história de ficção, foram descartados pelos estudantes que leram na tela. Pense o que aconteceria nos contos de O. Henry se você sobrevoasse os detalhes – como o da esposa que corta e vende seu cabelo para comprar um relógio de bolso para o marido enquanto este estava vendendo seu amado relógio para dar a ela um pente para seu lindo cabelo. A hipótese de Mangen e de um número crescente de pesquisadores é de que há uma tendência na leitura de tela de ler por alto, pular e fazer buscas. E que também na tela fica ausente a dimensão espacial e concreta do livro, que indica onde estão as coisas.

Ainda não está esclarecido como tudo isso afeta a compreensão dos estudantes. Alguns estudos recentes não encontraram diferenças significativas decorrentes da mídia na compreensão geral, pelo menos quando o texto é relativamente breve. Outros estudos, notadamente de pesquisadores israelenses, mostram diferenças mais específicas que dão vantagem à leitura no impresso, quando o tempo é levado em conta. Liu questiona se o comprimento dos textos poderia explicar os resultados diferentes entre os estudos feitos até o momento e se textos mais longos resultariam em desempenhos mais diversificados.

O que se pode afirmar, neste momento, é que, na pesquisa liderada por Mangen, o sequenciamento da informação e a lembrança dos detalhes mudam para pior quando os sujeitos leem na tela. Andrew Piper e David Ulin sustentam que a capacidade de sequenciar é importante – no mundo físico como na página impressa, embora menos nos dispositivos digitais. Na leitura como na vida, insiste Piper, os seres humanos precisam de uma “noção do caminho”, um conhecimento de onde se encontram no tempo e no espaço, noção essa que, sempre que necessário, permite que retomem questões inúmeras vezes e aprendam com elas. Piper se refere a isso como tecnologia da recorrência. 

Partindo de uma perspectiva muito diferente em seu instigante ensaio “Losing Our Way in the World”, o físico da Universidade de Harvard John Huth escreve sobre a importância mais universal de sabermos onde estamos no tempo e no espaço e sobre o que acontece quando não conseguimos conectar os detalhes desse conhecimento num quadro maior. “Muitas vezes, infelizmente, atomizamos o conhecimento em fragmentos que não têm lugar próprio num contexto conceitual mais amplo. Quando isso acontece, cedemos o sentido aos guardiães do conhecimento e ele perde seu valor pessoal”.

A questão que surge é se a diminuição desse conhecimento físico nos meios digitais – a sensação de estar ao mesmo tempo alhures e em lugar nenhum na tela – afeta negativamente o modo como os leitores captam os detalhes daquilo que leem e, num nível mais profundo, o modo como alcançam esse lugar quase palpável para onde a leitura pode transportarnos. O crítico literário Michel Dirda usa essa dimensão física para dirigir nossos pensamentos a algo muito mais profundo na experiência de ler. Depois de comparar a leitura eletrônica de livros com uma estadia em quartos assépticos de hotel, ele faz esta comparação comovente: “Os livros são um lar – coisas físicas reais que podemos amar e curtir”. A natureza fisicamente real dos livros contribui para nossa capacidade de entrar num espaço em que podemos morar sem ser julgados, com nossos pensamentos e emoções multifacetadas conquistados a duras penas, sentindo que encontramos nosso caminho para casa.

Nesse sentido, a materialidade proporciona algo que é tangível tanto de um ponto de vista psicológico quanto táctil. Piper, Mangen e a estudiosa da literatura Karin Littau elaboram isso dando ênfase ao papel inesperado que o toque exerce sobre o modo como abordamos as palavras e as compreendemos, no texto como um todo. Segundo Piper, a dimensão sensorial da leitura do texto impresso acrescenta à informação uma redundância importante – acrescenta às palavras uma espécie de “geometria” – e isso contribui para nossa compreensão global do que lemos. [...]

- Maryanne Wolf; O cérebro no mundo digital : os desafios da leitura na nossa era; p.93-95

quarta-feira, 9 de março de 2022

Exercícios - Acentuação (I)



01) (CESPE / UnB / IBAMA / 2009) As palavras “amazônico” e “viúva” acentuam-se de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

02) (CESPE / UnB / ADRAGRI / CE / 2009) Nas palavras “fitoterápico”, “líquido” e “álcool”, foi empregada a mesma regra de acentuação gráfica.

03) (CESPE / UnB / BB / ESCRITURÁRIO / 2009) As trocas simbólicas permitem a comunicação, geram relações sociais, mantêm ou interrompem essas relações...

O sinal de acentuação gráfica em “mantêm” marca o plural do verbo, que assim é acentuado para concordar com “trocas”.

04) (CESPE / UnB / MMA / MÉDIO / 2009) O emprego do acento agudo nos vocábulos país e aí justifica-se pela mesma regra de acentuação gráfica.

05) (CESPE / UnB / TRE / MA / ANALISTA / 2009) As palavras “Estágio”, “diária” e “após” são graficamente acentuadas devido à mesma regra.

06) (CESPE / UnB / TRE / MA / ANALISTA / 2009) O plural de “detém” grafa-se detem.

07) (CESPE / UnB / TRE / MA / ANALISTA / 2009) O país dispõe das melhores universidades do mundo, detém metade dos cientistas premiados com o Nobel e registra mais patentes do que todos os seus concorrentes diretos somados.

No termo “país”, o acento é obrigatório.

08) (CESPE / UNB / MRE / IRBr / 2009) As palavras “líderes”, “empréstimo”, “Econômico” e “públicas” recebem acento gráfico com base na mesma justificativa gramatical.

09) (CESPE / UnB / NECROTOMISTA / PB / 2009) Assinale a opção que apresenta palavras cuja acentuação não se explica pela mesma regra.

(A) Belém – Pará – até
(B) violência – própria – delinquência
(C) constituída – vândalos – subterfúgios
(D) protegê-los – vivê-las – estará
(E) cidadãos – situação – estarão

10) (CESPE / UNB / SEMAD / 2008) As palavras “inúmeras”, “críticas” e “científica” acentuam-se graficamente porque são paroxítonas terminadas em a, seguidas ou não de s.

11) (CESPE / UNB / PC / TO / 2008) A palavra “Ciência” é acentuada pelo mesmo motivo que a palavra “perícias”.

12) (CESPE / UNB / PGE / PA / 2007) As palavras “Tamuataí”, “Uruará” e “Guajará” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

13) (CESPE / UNB / TRT / 9ª R / 2007) As palavras “público”, “créditos”, “dióxido” e “domésticas” exigem acento gráfico com base na mesma regra gramatical.

14) (CESPE / UNB / TRE / AP / 2007) Os vocábulos a seguir são acentuados porque são palavras proparoxítonas: “números”, “créditos”, “públicas”, “elétrica” e “técnica”.

15) (CESPE / UNB / TRE / AP / 2007) No texto, são acentuados por serem paroxítonos terminados em ditongo os seguintes substantivos abstratos: “órgão”, “área”, “agrária”, “famílias” e “período”.

16) (CESPE / UNB / TRT / ANALISTA / 2008) Com referência à ortografia oficial e às regras de acentuação de palavras, assinale a opção incorreta.

(A) Os vocábulos lágrima e Gênesis seguem a mesma regra de acentuação.
(B) As palavras oásis e lápis são acentuadas pelo mesmo motivo.
(C) A grafia correta do verbo correspondente a ressurreição é ressucitar.
(D) Apesar de a grafia correta do verbo poetizar exigir o emprego da letra “z”, o feminino de poeta é grafado com s.
(E) O vocábulo traz corresponde apenas a uma das formas do verbo trazer; a forma trás é empregada na indicação de lugar.

17) (CESPE / UNB / MPE / AM / 2008) Diferentes regras de acentuação justificam o emprego de acento gráfico em “princípios” e “fenômenos”.

18) (CESPE / UNB / MPE / AM / 2008) A palavra “circuito” aparece sem acento no texto, mas sua forma com acento no segundo i (circuíto) também é correta.

19) (CESPE / UNB / SEBRAE / 2008) Em “reúne”, o sinal gráfico marca a ocorrência da vogal como sílaba tônica, separada da vogal anterior; mas palavras da mesma família, como reunião e reunir, não precisam de acento gráfico, pois, nestes casos, a vogal u não ocorre como sílaba tônica.

20) (CESPE / UNB / SEBRAE / 2008) Estas indagações, possivelmente existentes desde que o homem começou a pensar, têm ocupado o tempo e o esforço de elaboração dos filósofos ao longo dos séculos.

A forma verbal “têm” é acentuada porque concorda com “Estas indagações”.

21) (CESPE / UNB / ABIN / 2008) As palavras “última”, “década” e “islâmica” recebem acento gráfico com base em regras gramaticais diferentes.

22) (CESPE / UNB / GDF / 2008) Nas palavras “histórico”, “pedagógica” e “didático”, foi empregada a mesma regra de acentuação gráfica.

23) (CESPE / UNB / CBMDF / Médico / 2007) Os termos “competência”, “círculo”, “mínimo” e “máximo” acentuamse graficamente porque terminam em vogal átona.

24) (CESPE / UNB / DIPLOMATA / 2007) O emprego de acento gráfico na forma verbal “crêem” atende à mesma regra que determina a acentuação gráfica das seguintes formas verbais flexionadas no plural: têm, vêem, vêm e dêem.

25) (CESPE / UNB / INCA / MÉDIO / 2010) As palavras “Único”, “críticas” e “público” recebem acento gráfico porque têm sílaba tônica na antepenúltima sílaba.

26) (CESPE / UNB / TRE / BA / SUPERIOR / 2010) Nas palavras “referência” e “espécie”, o emprego do acento atende à mesma regra de acentuação gráfica.

27) (CESPE / UNB / SAD / PE / SUPERIOR / 2010) As palavras “pública” e “órgãos” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

28) (CESPE / UNB / MINISTÉRIO DA SAÚDE / SUPERIOR / 2010) Em última análise: isso quer dizer que há um descompasso entre as decisões pessoais, as funções desempenhadas (profissões, papéis) e os fins últimos perseguidos.

O uso do acento agudo em “análise” é obrigatório para distinguir esse substantivo do possível uso da flexão do verbo analisar, analise, nessa estrutura sintática.

29) (CESPE / UNB / PMV / 2007) Em “a ciência pôde finalmente observar”, o acento, no verbo poder, é utilizado para se diferenciar o tempo passado desse verbo do tempo presente.

30) (CESPE / UNB / IEMA / MÉDIO / 2007) As palavras “política”, “América”, “intérpretes” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação.

●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●● 

GABARITO

1) E
2) C
3) C
4) C
5) E
6) E
7) C
8) C
9) C
10) E
11) C
12) E
13) C
14) C
15) E
16) C
17) C
18) E
19) C
20) C
21) E
22) C
23) E
24) E
25) C
26) C
27) E
28) E
29) C
30) C

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Exercícios - Colocação Pronominal (I)


01) (CESPE / UNB / TRE / PA) No universo unificador da mídia, os políticos não se destacam por sua experiência, pelo programa de seu partido, nem mesmo por sua capacidade de liderança, mas pela simpatia que os marketeiros conseguem suscitar nos grandes auditórios. A colocação do pronome “se” logo após a forma verbal “destacam” atenderia à prescrição gramatical. 

02) (CESPE / UNB / TST / SUPERIOR / 2008) Baseando-se unicamente nessa perspectiva, pode-se supor que a sociedade tecnológica seria caracterizada por um contexto no qual o trabalho passaria a ser uma necessidade exclusiva da classe trabalhadora. Mantém-se a noção de voz passiva, assim como a correção gramatical, ao se substituir “seria caracterizada” por caracterizaria-se. 

03) (CESPE / UNB / DIPLOMATA / 2007) Em cada um dos itens abaixo é apresentada, em relação a trechos do texto, uma alternativa de colocação pronominal. Com base na prescrição gramatical, julgue (C ou E) cada proposta apresentada. 
(A) “Ambos se creem marcados” / Ambos creem-se marcados 
(B) “que os apartaria” / que apartá-los-ia 
(C) ‘Não se pode separar’ / Não pode-se separar
(D) “um e outro se irão fechando” / um e outro irão-se fechando 

04) (CESPE / UNB / SEAD / CEHAP / SUPERIOR / 2009) As ruas não se deixam modelar pela sinuosidade e pelas asperezas do solo: impõem-lhes antes o acento voluntário da linha reta. Preservam-se a correção gramatical e a coerência textual ao se deslocar o pronome átono, em “se deixam”, para depois do verbo, escrevendo: deixam-se. 

05) (CESPE / UNB / SERPRO / 2008) A seguinte reescritura da explicação da psicóloga Ana Maria Rossi está sintaticamente correta: a ansiedade alerta-nos de que há eventuais perigos e nos mobiliza à tomada de medidas necessárias a enfrentá-los. 

06) (CESPE / UNB / PETROBRAS / SUPERIOR / 2008) Os países em desenvolvimento têm de atuar em um contexto em que se amplia o fosso entre a maioria das nações industrializadas e aquelas em desenvolvimento em matéria de recursos, em que o mundo industrializado impõe as regras que regem as principais organizações internacionais — e já usou grande parte do capital ecológico do planeta. Sem prejuízo para a coerência e a correção gramatical do texto, a relação entre as ideias nele apresentadas permite que se desloque o pronome “se” para depois do verbo e se escreva amplia se o fosso. 

07) (CESPE / UNB / PETROBRAS / SUPERIOR / 2008) O interessante é que passam os anos, mas não se alteram muito as posturas dos grupos que entre si se opõem relativamente às formas de exploração e de produção do petróleo no país. Caso se suprimisse da oração o advérbio “não”, o pronome “se” deveria, obrigatoriamente, em respeito às regras gramaticais, ser utilizado depois do verbo: alteram-se. 

08) (CESPE / UNB / DPF AGENTE / 2009) ...não há como pensar que existimos previamente a nossas relações sociais: nós nos fazemos em teias e tensões relacionais... Para se evitar a sequência “nós nos”, o pronome átono poderia ser colocado depois da forma verbal “fazemos”, sem que a correção gramatical do trecho fosse prejudicada, prescindindo-se de outras alterações gráficas. 

09) (CESPE / UNB / DPEES / 2009) Uma sociedade que tem medo desses momentos, que não é mais capaz de compreendê-los, é uma sociedade que procura reduzir a política a um mero acordo referente às leis que atualmente temos e aos modos que atualmente temos para mudá-las. Preservam-se as relações entre as ideias, bem como o respeito às regras gramaticais, ao se escrever os compreender, em lugar de “compreendê-los”, e as mudar, em lugar de “mudá-las”. 

10) (CESPE / UNB / FUB / 2009) Esta busca deve ser feita com outros seres que também procuram ser mais e em comunhão com outras consciências, caso contrário se faria de umas consciências objetos de outras. Por não ter sido usada a vírgula depois de “contrário”, não é obrigatório que o pronome átono venha antes do verbo, e estaria igualmente correto e coerente escrever-se faria-se. 

11) (CESPE / UNB / FUB / 2009) ...se não estiver bastante clara a responsabilidade dos alunos pela sociedade em que vivem e que os criou, a sua formação terá sido, sem dúvida, deficiente. Os pronomes empregados em “os criou” e “a sua formação” referem-se a “alunos”. 

12) (CESPE / UNB / MI / 2009) Atualizando um pouco a distinção, poder-se-ia dizer que é como se os animais viessem com um software instalado... A substituição de “poder-se-ia dizer” pela forma menos formal poderia se dizer preservaria a correção gramatical do texto, desde que fosse respeitada a obrigatoriedade de não se usar hífen, para se reconhecer que o pronome se está antes do verbo dizer, e não depois do verbo poderia. 

13) (CESPE / UNB / BB / ESCRITURÁRIO / 2009) ...chega-se aos resultados do ano passado, com os quais as instituições financeiras do país se elevaram à condição de instituições mais rentáveis do planeta. As regras gramaticais de emprego dos pronomes átonos permitem também a redação de elevaram-se à condição, em lugar de “se elevaram à condição”, sendo ambas as construções apropriadas a documentos oficiais. 

14) (CESPE / UNB / TRE GO / ANALISTA / 2009) Por muitos anos, pensávamos compreender o que era interpretado, o que era uma interpretação; inquietávamo-nos, eventualmente, a propósito de uma dificuldade em particular... Preserva-se a correção gramatical e a coerência das ideias do texto ao se deslocar o pronome átono em “inquietávamo-nos” para antes do verbo, escrevendo nos inquietava. 

15) (CESPE / UNB / AUDITOR INTERNO / ES / 2009) Não menos temeroso é o conhecimento que se transmite por gerações por meio da arte. A colocação do pronome átono antes do verbo, em “se transmite”, é obrigatória devido à presença do pronome relativo “que” no início da oração subordinada. 

16) (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) Elas sempre se estão transformando a partir dos conflitos e das contradições que as fazem mover-se e transformar-se. Preservam-se a coerência dos argumentos e a correção gramatical do texto ao se deslocar o pronome “as” para depois do verbo “fazem” do seguinte modo: fazem as mover-se. 

17) (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) Não mais direitos que apenas se cristalizam em leis ou códigos, mas que se constituem a partir de conflitos, que traduzem as transformações e os avanços históricos da humanidade. Não se pode mais entendê-los como fruto de uma sociedade abstrata... Em “entendê-los”, o pronome substitui o vocábulo “conflitos”. 

18) (CESPE / UNB / AUGE / SUPERIOR / 2009) Não menos temeroso é o conhecimento que se transmite por gerações por meio da arte. A colocação do pronome átono antes do verbo, em “se transmite”, é obrigatória devido à presença do pronome relativo “que” no início da oração subordinada. 

19) (CESPE / UNB / HEMOBRAS / SUPERIOR / 2008) A preocupação é pertinente porque em todo o mundo graves problemas vêm-se instalando e demandando dos governos novos mecanismos de avaliação para a incorporação tecnológica na assistência médico-hospitalar de alta complexidade e de alto custo em geral. Em “vêm-se”, a substituição do hífen por espaço provoca erro gramatical, por deixar o pronome átono sem apoio sintático. 

20) (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) As sociedades humanas são complexas e os seus membros se atraem ou se repelem em função de sua pertinência. O desenvolvimento do texto permite que o pronome “se” em “se repelem” seja retirado e fique apenas subentendido. 

●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●● 

GABARITO 

1) E
2) E
 3) C / E / E / E 
4) E 
5) C 
6) E 
7) E 
8) E 
9) C 
10) E 
11) C 
12) C 
13) C 
14) E 
15) C 
16) E 
17) E 
18) C 
19) E 
20) C

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Exercícios - Crase (I)



01) (CESPE / UNB / Auditor Fiscal do Tesouro Municipal / 2007) Entre os projetos bancados pelo FACITEC, estão desde uma pesquisa que levantou o perfil empreendedor da grande Vitória a pesquisas socioambientais para reurbanização de áreas degradadas. Sem prejuízo para a correção gramatical, a passagem “a pesquisas socioambientais” poderia ser substituída por às pesquisas socioambientais.


02) (CESPE / UNB / Auditor Fiscal do Tesouro Municipal / 2007) “O rio Jucu, devido a sua potencialidade como fonte de geração de energia hidrelétrica, é estratégico para todas as atividades econômicas”. O trecho ‘devido a sua potencialidade’ ficaria incorreto se fosse colocado sinal indicativo de crase em ‘a’. 

03) (CESPE / UNB / Banco da Amazônia S.A. / Área: Direito) Uma empresa até pode se parecer com uma máquina, quando existe uma tarefa contínua a ser desempenhada. “Uma empresa até pode se parecer com uma máquina” por Até uma empresa pode assemelhar-se à uma máquina. 

04) (CESPE / UNB / Banco da Amazônia S.A. / Técnico Bancário / 2007) Julgue os fragmentos de texto contidos nos seguintes itens quanto à grafia, à acentuação e ao emprego do sinal indicativo de crase. 
I) Os dias estão mais quentes. Nesta década, foram registradas altíssimas temperaturas. A previsão é de que, até o ano de 2100, as temperaturas estarão destinadas a aumentarem até seis graus, o que poderia trazer consequências devastadoras. 
II) Os cientistas dizem que alguns fenômenos naturais, como errupções vulcânicas, possuem um efeito temporário sobre o clima. Porém, afirmam também que o clima está sofrendo mudanças por causa do aquecimento global. 
III) A causa do aquecimento da Terra, em geral, é a liberação de gases e vapores produzidos atravez de queimadas nas matas e poluição provocada por carros e industrias, que são os grandes culpados disso tudo. 
IV) Eles destroem, com isso, à “Camada de Osônio”, que tem a função de proteger a Terra dos raios solares. Com a destruição dessa camada, a Terra fica mais exposta ao Sol e, consequentemente, a temperatura aumenta. 
V) Quando o Sol esquenta a Terra, alguns gases da atmosfera atuam como o vidro de uma estufa, absorvendo o calor e conservando o planeta quente o suficiente para manter a vida na Terra. Esse fenômeno se torna um problema quando, devido às suas concentrações excessivas, os gases-estufa que isolam a Terra evitam que o calor escape, o que faz com que a temperatura do planeta aumente assustadoramente. 

05) (CESPE / UNB / TST / 2008) O cenário econômico otimista levou os empresários brasileiros a aumentarem a formalização do mercado de trabalho nos últimos cinco anos. As contratações com carteira assinada cresceram 19,5% entre 2003 e 2007, enquanto a geração de emprego seguiu ritmo mais lento e aumentou 11,9%, segundo estudo comparativo divulgado pelo IBGE. 
In: Correio Braziliense, 25/1/2008 (com adaptações). 

No primeiro período do texto, a partícula “a” ocorre tanto como preposição quanto como artigo: a primeira ocorrência é uma preposição exigida pelo emprego do verbo “levou”; a segunda ocorrência é um artigo que determina “formalização”. 

06) (CESPE / UNB / STF / 2008) Evidentemente, isso leva a perceber que há um conflito entre a autonomia da vontade do agente ético (a decisão emana apenas do interior do sujeito) e a heteronomia dos valores morais de sua sociedade (os valores são dados externos ao sujeito). É pela acepção do verbo levar, em “leva a perceber”, que se justifica o emprego da preposição “a” nesse trecho, de tal modo que, se for empregado o substantivo correspondente a “perceber”, percepção, a preposição continuará presente e será correto o emprego da crase: à percepção. 

07) (CESPE / UNB / ABIN / SUPERIOR / 2008) Mudado seu modo de pensar, o pesquisador já não concebe aquele tema da mesma forma e, assim, já não é capaz de estabelecer uma relação exatamente igual à do experimento original. Em “à do experimento”, o sinal indicativo de crase está empregado de forma semelhante ao emprego desse sinal em expressões como à moda, às vezes, em que o uso do sinal é fixo. 

08) (CESPE / UNB / Agente da Polícia Federal / 2009) A inserção do sinal indicativo de crase em "existimos previamente a nossas relações sociais" preservaria a correção gramatical e a coerência do texto, tornando determinado o termo "relações". 

09) (CESPE / UNB / ABIN / MÉDIO / 2008) Sem o contínuo esforço supranacional para integrar e coordenar ações conjuntas de repressão, o terrorismo internacional continuará, por tempo indeterminado, a ser fator de ameaça aos interesses da comunidade internacional e à segurança dos povos. Em “à segurança”, o sinal indicativo de crase justifica-se pela regência de “ameaça” e pela presença de artigo definido feminino singular. 

10) (CESPE / UNB /PC / Agente de Polícia Civil / 2006) Assinale a opção em que a reescritura das ideias do segundo parágrafo está correta quanto ao emprego do sinal indicativo de crase. 
(A) Os agentes públicos às vezes aparentam desrespeitar a pessoa. 
(B) O combate à alguns direitos humanos é o grande desafio do momento. 
(C) Com referência a segurança social urbana, à polícia deve partir o exemplo. 
(D) É impossível, à uma pessoa vencida pelo medo, à vivência plena dos direitos humanos. 

11) (CESPE / UNB / PC / Perito Médico-Legal) Assinale a opção correta quanto ao emprego do sinal indicativo de crase. 
(A) É indiscutível a importância da atividade médicopericial à uma análise das questões de natureza técnica surgidas no curso do processo. 
(B) Hoje se propugna pela necessidade e conveniência de médico-legista comparecer, se convocado, à audiências de julgamento, na condição de parte técnica e não como testemunha. 
(C) A atividade principal do perito legista é a descrição e interpretação dos fatos médicos, visando à correta aplicação da justiça. 
(D) A consulta ao perito é imprescindível, já que, às vezes, as evidências não se explicam por si sós, e à autoridade que preside o julgamento não poderá opinar acerca dos fatos. 

12) (CESPE / UNB / TST / SUPERIOR / 2008) Eu acho que poderá corresponder àquilo que sempre foi.... O sinal indicativo de crase em “àquilo” é resultado da presença da preposição a, regendo o complemento do verbo “corresponder” e do pronome demonstrativo aquilo. 

13) (CESPE / UNB / SEMPLAD / SEMED / SUPERIOR / 2008) São incalculáveis as possibilidades de desenvolvimento de produtos que a TV digital passa a oferecer à indústria e à criatividade brasileira. Em “à indústria e à criatividade”, o sinal indicativo de crase justifica-se pela regência do verbo “oferecer”, que exige preposição, e pela presença de artigo definido feminino. 

14) (CESPE / UNB / TST / MÉDIO / 2008) Os trabalhadores cada vez mais precisam assumir novos papéis para atender às exigências das empresas. Preservam-se a coerência textual e a correção gramatical do texto, ao se substituir a expressão verbal “para atender” pela equivalente nominal em atendimento, desde que seja retirado o sinal indicativo de crase em “às exigências”. 

15) (CESPE / UNB / MPE / AM / 2008) Ao conectar-se, o internauta passa a ter acesso a informações diversas, relacionadas a cultura, turismo, educação, lazer, viagem, televisão, cinema, arte, informática, política, religião, enfim, um mundo paralelo ao nosso, onde a informação é compartilhada de diferentes maneiras. Não foi empregado o acento grave em “relacionadas a cultura” porque o termo “cultura” está empregado em sentido geral, sem anteposição de artigo definido, tal como as demais palavras da enumeração — “turismo, educação, lazer, viagem, televisão, cinema, arte, informática, política, religião”. 

16) (CESPE / UNB / TST / SUPERIOR / 2008) Na sociedade capitalista, a produtividade do trabalho aumentou simultaneamente a tão forte rotinização, apequenamento e embrutecimento do processo de trabalho de forma que já não há nada que mais nos desagrade do que trabalhar. A ausência do sinal indicativo de crase em “a tão forte” indica que nesse trecho não foi empregado artigo, mas apenas preposição. 

17) (CESPE / UNB / MCT / SUPERIOR / 2008) À mudança se contrapõem as entidades de defesa do meio ambiente, que alegam que os estudos para aprovação de obras como uma usina hidrelétrica são mesmo demorados e devem ser feitos com muito cuidado, com a análise detalhada de todos os impactos sobre a natureza. O sinal indicativo de crase em “À mudança” justifica-se pela regência de “se contrapõem”, que exige a preposição a, e pela presença de artigo definido feminino antes de “mudança”. 

18) (CESPE / UNB / MCT / MÉDIO / 2008) As organizações do terceiro setor, inclusive as mais conhecidas, as organizações não-governamentais (ONGs), prestam relevantes serviços à sociedade. O emprego do sinal indicativo de crase em “à sociedade” justifica-se pela regência de “prestam”, que exige a preposição a, e pela presença de artigo definido feminino. 

19) (CESPE / UNB / SESA / SUPERIOR / 2008) Até hoje respondíamos à questão QUANDO COMEÇA A VIDA? A presença do sinal indicativo de crase em “à questão” indica que o verbo responder, como está empregado no texto, exige o uso de ao, se, mantida a coerência textual, o vocábulo “questão” for substituído por questionamento. 

20) (CESPE / UNB / 2008) O instituto é uma garantia de Primeiro Mundo à carreira dos funcionários públicos contra as injunções políticas que certamente decorrem das mudanças de governo. O sinal indicativo de crase em “à carreira” justifica-se pela regência da palavra “garantia” e pela presença de artigo definido feminino singular. 

21) (CESPE / UNB / 2008) A capital dá exemplo, também, às empresas privadas controladoras de pequenas centrais elétricas e de projetos de biomassa, que poderiam se enquadrar nesse sistema, fortalecendo a presença do Brasil no mercado de créditos de carbono. O emprego de sinal indicativo de crase em “às empresas” justifica-se pela regência de “capital” e pela presença de artigo definido feminino singular. 

25) (CESPE / UNB / TRE GO / ANALISTA / 2009) ...tendem a hostilizar formas de pensamento e de comportamento que, de alguma forma, não se conformam àquela “verdade”. Justifica-se o sinal indicativo de crase em “àquela” pela exigência de iniciar o complemento de “se conformam” com a preposição a. 

26) (CESPE / UNB / MRE / IRBr / 2009) A decisão foi tomada durante um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o paraguaio Fernando Lugo, paralelamente à Cúpula da América Latina e Caribe. O sinal indicativo de crase em “à Cúpula” justifica-se pela regência de “paralelamente”, que exige preposição a, e pela presença de artigo definido feminino singular. 

27) (CESPE / UNB / MRE / IRBr / 2009) A Alemanha vai enfrentar a pior recessão desde a 2.ª Guerra Mundial e já planeja, para 2009, um novo pacote de estímulo à economia. O sinal indicativo de crase em “à economia” justifica-se pela regência de “planeja” e pela presença de artigo definido feminino. 

28) (CESPE / UNB / MRE / IRBr / 2009) José Genoíno disse que o isolamento da Venezuela poderia levar a uma crise e a um fundamentalismo. Em “a um fundamentalismo”, o emprego de preposição deve-se à regência de “levar”, e não exige sinal indicativo de crase porque antecede artigo indefinido masculino. 

29) (CESPE / UNB / IBRAM / SUPERIOR / 2009) Essas políticas eram, em sua maioria, voltadas para a infraestrutura urbana, a saber: habitação e saneamento. Em “voltadas para a infraestrutura urbana”, a preposição “para” poderia ser excluída, o que exigiria o uso do acento grave indicativo de crase, para que fosse mantida a correção gramatical do texto. 

30) (CESPE / UNB / SEGER ES / SUPERIOR / 2009) Em uma outra frente, surgiram funções relativas a assuntos ambientais, como a do consultor de sustentabilidade, profissional... Caso a expressão destacada no trecho “surgiram funções relativas a assuntos ambientais” fosse substituída por questão ambiental, deveria ser empregado o acento grave, indicativo de crase — à questão ambiental. 

31) (CESPE / UNB / AUDITOR INTERNO / ES / 2009) Cada indivíduo, assim, é um ser único, que vislumbra as ocorrências à sua volta e dá tratamento específico às informações e ao conhecimento que tenha condições de absorver. O uso do sinal indicativo de crase em “à sua volta” e “às informações” indica que tais expressões são dois complementos do predicado iniciado pelo verbo vislumbrar. 

32) (CESPE / UNB / INPE / SUPERIOR / 2009) ...creio também que se pode questionar, não somente quanto à aplicação de conhecimentos científicos com finalidades destrutivas ou nocivas à humanidade e à natureza, mas também quanto à distribuição desses benefícios entre diferentes setores da sociedade. As ocorrências de crase em “à aplicação” e “à humanidade e à natureza” justificam-se pelo uso obrigatório da preposição a nos complementos de “questionar”. 

33) (CESPE / UNB / INPE / MÉDIO / 2009) Decorre daí que a ciência, como “saber contemplativo” — isto é, como pura teoria — se achava vinculada à reflexão filosófica. A retirada do sinal indicativo da crase em “à reflexão” preservaria a correção gramatical e a coerência textual, apesar de alterar a relação semântica de “reflexão filosófica” com as demais ideias do texto. 

35) (CESPE / UNB / TCE RN / SUPERIOR / 2009) Mas até o Iluminismo, no século XVIII, a humanidade não recorreu a teses raciais para justificar a escravidão — tratava-se de uma decorrência natural das conquistas militares. A ausência do sinal indicativo de crase em “a teses” indica que o substantivo está sendo usado em sentido generalizado, sem a determinação marcada pelo artigo. 

36) (CESPE / UNB / TRE PR / MÉDIO / 2009) ...passou por longo processo de evolução até chegar à atual etapa de informatização.O emprego do acento grave em “à atual” é exigido pela regência de “chegar” e pela presença de artigo definido feminino. 

37) (CESPE / UNB / TRE GO / ANALISTA / 2009) O conceito era sempre aplicado, isto é, remetia a uma história vivida que pudesse ou não ser comprovada. Preservam-se as relações de regência de “remetia”, bem como a correção gramatical do texto, ao se inserir um sinal indicativo de crase em “a uma história”. 

38) (CESPE / UNB / TRE MA / ANALISTA / 2009) Julgue os itens a seguir quanto ao emprego do acento grave nas frases neles apresentadas. 
I - Acostumado à vida parlamentar, o senador resistiu à reação desproporcional pretendida pela bancada oposicionista. 
II - A rotina, à qual o ator aderira em 2001, era igual à de sua parceira de novelas. 
III - Inúmeros países, à partir daí, não criaram obstáculos à paz. 
IV - A globalização financeira, associada à melhores instituições e à estabilidade macroeconômica, contribuiu para elevar a taxa de investimento do Brasil. 

Estão certos apenas os itens 
(A) I e II. 
(B) I e III. 
(C) I e IV. 
(D) II e IV. 
(E) III e IV. 

39) (CESPE / UNB / TRE MA / MÉDIO / 2009) Devemos ir à raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível na construção de uma sociedade... O sinal indicativo de crase em “à raiz” justifica-se pela regência da forma verbal “Devemos” e pelo emprego do artigo definido. 

40) (CESPE / UNB / DELEGADO / PB / 2009) ...seu compromisso com os direitos humanos; e seu comprometimento com a ciência e a tecnologia. Preservam-se a coerência do texto e o atendimento às regras gramaticais da língua portuguesa ao se inserir sinal indicativo de crase em “a ciência e a tecnologia”: à ciência e à tecnologia. 

41) (CESPE / UNB / DELEGADO / PB / 2009) No passado, o calcanhar-de-aquiles do Brasil se situou naquela terceira esfera, a dos direitos humanos. Preservam-se a coerência do texto e o atendimento às regras gramaticais da língua portuguesa ao se inserir sinal indicativo de crase em “a dos direitos”: à dos direitos. 

42) (CESPE / UNB / DELEGADO / PB / 2009) Esse nascimento violento deixou um legado de enormes divisões étnicas entre as elites de ascendência europeia, as comunidades indígenas e as populações de origem africana, descendentes de escravos. Preservam-se a coerência do texto e o atendimento às regras gramaticais da língua portuguesa ao se inserir sinal indicativo de crase em “as comunidades indígenas e as populações de origem africana”: às comunidades e às populações de origem africana. 

43) (CESPE / UNB / DELEGADO / PB / 2009) As desigualdades associadas a raça e etnia configuram um abismo... Preservam-se a coerência do texto e o atendimento às regras gramaticais da língua portuguesa ao se inserir sinal indicativo de crase em “As desigualdades”: Às desigualdades. 

44) (CESPE / UNB / TRE GO / ANALISTA / 2009) De acordo com essa concepção, a verdade estaria inscrita na essência, sendo idêntica à realidade e acessível apenas ao pensamento, e vedada aos sentidos. Tanto o uso da crase em “à realidade” como da contração em “ao pensamento” justificam-se pelas relações de regência de “idêntica”. 

45) (CESPE / UNB / NECROTOMISTA / PB / 2009) Assinale a opção correta quanto ao emprego do sinal indicativo de crase. 
(A) Às pessoas estavam entregues àquela conhecida delinquência juvenil. 
(B) Deu-se o enfrentamento à constantes arruaças. 
(C) Eles não sabiam mais à qual recurso apelar. 
(D) Os jovens vivem as pressas e às soltas pelas ruas. 
(E) Às vezes, em grupos, saem às ruas a pichar prédios públicos e particulares. 

46) (CESPE / UNB / PROFESSOR / PB / 2009) Pode-se empregar o acento grave indicativo de crase para marcar a fusão da preposição a com os pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo. Assinale a opção em que a frase apresentada não obedece a essa regra. 
(A) Entreguei o bilhete àquele homem. 
(B) Deram emprego àquela senhora. 
(C) Não pertenço àquele grupo. 
(D) O livro de que preciso está sobre àquela mesa. 
(E) Assistiram àquilo calados. 

47) (CESPE / UNB / DELEGADO SUBSTITUTO / RN / 2009) Schelling denominou brinkmanship (de brink, extremo) a estratégia de deliberadamente levar uma situação... No trecho “denominou brinkmanship (de brink, extremo) a estratégia”, o “a” deveria levar a marca gráfica de crase. 

48) (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) Por sinal, o mesmo raciocínio estende-se às relações, tanto pessoais quanto profissionais. Preservam-se a coerência da argumentação bem como a correção gramatical do texto ao retirar o sinal indicativo da crase em “às relações”, generalizando o termo. 

49) (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) Por isso, é possível associar a superfície ao superficial. O emprego do verbo “associar” permite a inserção do sinal indicativo da crase em “a superfície”, sem que se provoque erro gramatical ou incoerência textual. 

50) (CESPE / UNB / ADRAGRI /CE / 2009 ) “O líquido, obtido após a maceração das folhas e o descanso em uma solução com álcool, é indicado para muitas aflições”. A correção gramatical do texto seria mantida se, no trecho “após a maceração”, fosse empregado acento indicativo de crase, dado que a expressão nominal está antecedida da palavra “após”, a qual faculta o uso desse acento. 

51) (CESPE / UNB / FINEP / ANALISTA / 2009) As lendas urbanas são, assim, resultantes da criação contemporânea, modernamente adaptadas ao universo do século XXI e seus problemas. Preservam-se a correção gramatical do texto e a coerência entre os argumentos ao marcar a relação semântica entre “seus problemas” e “adaptadas”, inserindo à antes de “seus”, escrevendo-se (...) adaptadas ao universo do século XXI e à seus problemas. 

52) (CESPE / UNB / DETRAN DF / 2009) A exposição das gestantes à poluição, em especial nos três primeiros meses de gestação, leva à diminuição do peso dos bebês ao nascer, um dos principais determinantes da saúde infantil. O emprego de sinal indicativo de crase em “à poluição” deve-se à regência da palavra “exposição”, que exige preposição, e à presença de artigo definido feminino no singular. 

53) (CESPE / UNB / DPEES / 2009 ) Se esse Leviatã mantiver hábitos regulares, agindo, portanto, segundo formas de ação previsíveis, acabaremos por aprender a conviver com ele, adaptando-nos a suas idiossincrasias e a seus padrões reativos. As relações sintático-semânticas do verbo adaptar, no contexto em questão, permitem que o acento grave indicativo de crase seja empregado no “a” que antecede “suas idiossincrasias”, mas não no “a” que vem antes de “seus padrões”. 

54) (CESPE / UNB / IBAMA / 2009 ) Francisco Alves Mendes Filho ainda não era um mito da luta contra a devastação da Amazônia quando foi preso, em 1981, acusado de subversão e incitamento à luta de classes no Acre, em plena ditadura militar. O emprego do sinal indicativo de crase em “à luta de classes” justifica-se pela regência dos termos “subversão” e “incitamento” e pelo gênero do substantivo “classe”. 

55) (CESPE / UNB / FUB / SUPERIOR /2009) Isto leva-o à sua imperfeição. O uso do sinal indicativo de crase em “à sua” mostra que o artigo definido feminino, facultativo antes de pronomes possessivos, foi usado. 


●●●●●●● ■ ■ ■ ●●●●●●● 

GABARITO

1) C
2) E
3) E 
4) C / C / E / E / C 
5) C
6) C 
7) E 
 8)E 
 9)C 
10) A
11) C 
12) C 
13) C 
14) E 
15) C
16) C 
17) C 
18) E 
19) C 
20) C
25) C
26) C
27) E 
28) C 
29) C 
30) C 
31) E 
32) E 
33) C 
35) C 
36) C 
37) E 
38) A 
39) E 
40) E 
41) E 
42) E 
43) E 
44) E 
45) E 
46) D 
47) E 
48) E 
49) E 
50) E 
51) E 
52) C 
53) E 
54) E 
55) C

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Fauna Egípicia


Outrora comentei sobre a forma como a evolução tecnológica gestara um ambiente artifical - o qual chamamos tecnosfera - distanciando-nos  do contato com a criação, quase que a velando, de tal modo que o que sabemos dela é tanto mais pelo relato de terceiros - a casta dos "especialistas" - que  por nossa experiência pessoal direta. Transcrevo a seguir um trecho do livro El Ladron de Tumbas de Antonio Cabanas, um romance histórico ambientado no Antigo Egito. Embora se trate em última instância de uma ficção, a descrição que faz o autor de Nemenhat e sua conexão com o ambiente e interação com os animais que nele habitam contrasta com a monotonia não muito biodersa dos ambientes em que vivemos...

El final del período de la inundación (Akhet) era el preferido de Nemenhat. Los días, menos calurosos, invitaban a disfrutar de todas las maravillas que el Valle regalaba magnánimo. Las aguas, que todo lo habían anegado, se retiraban ahora perezosas dejando multitud de charcas por doquier y una tierra negra que era una bendición para todos los habitantes; al haber sido fecundada por el limo. Las riberas bullían de vida, ya que todas las especies se beneficiaban de la crecida, que renovaba aquel valle por completo. Donde ahora había agua, en poco tiempo germinarían magníficas cosechas, motivo éste de eterna alabanza al dios Hapy

Nemenhat disfrutaba recorriendo las riberas y fundiéndose con el ancestral paisaje, que permanecía en comunión perfecta con la naturaleza desde tiempos remotos. Era la época preferida por los cazadores para capturar presas, puesto que el río se hallaba lleno de aves migratorias ante la proximidad del invierno; por eso era fácil verles tender sus redes para apresarlas. En Egipto había una gran afición por la caza; no sólo como fuente alimentaria, pues los egipcios eran grandes amantes de los animales y gustaban de domesticarlos. Por ello era común el capturar las presas vivas y luego venderlas en los mercados.

Con la llegada al poder de Ramsés III también había proliferado la aparición de grandes cazadores. Éstos habían sido organizados en grupos por el faraón con la misión de capturar animales para sacrificarlos a los dioses. Gacelas, antílopes y sobre todo oryx eran presas codiciadas por estos cazadores que no dudaban en adentrarse en el desierto en su persecución, desafiando grandes peligros. Porque, además de inofensivos animales, Egipto estaba poblado por especies peligrosas. Cuando se caminaba junto a las orillas del Nilo convenía ser precavido, puesto que los cocodrilos estaban permanentemente al acecho y era mejor mantenerse a una prudente distancia del agua para evitarlos. También los hipopótamos eran peligrosos, sobre todo para las frágiles barcas de los pescadores que, a veces, eran volcadas por estos animales muy proclives a volverse irritables, y que podían partir en dos a un hombre con sus mandíbulas.

Si se abandonaba los fértiles márgenes del Nilo y se adentraba en el desierto, otros muchos peligros amenazaban a los incautos. Allí abundaban los leones, que solían mantenerse alejados del hombre y de las zonas urbanas, los chacales y las hienas. Por si esto fuera poco, había tal cantidad de cobras, víboras o escorpiones, que podía parecer un milagro que las gentes del país pudieran sobrevivir a tanta amenaza. Sin embargo, todos convivían en una extraña armonía. Los habitantes de aquellas tierras sabían que todos los animales estaban allí con ellos, desde el principio, desde que los primeros dioses visitaron Kemet; por lo que llegaron a aceptarlos como parte consustancial del país. Y no sólo eso; fueron capaces de estudiar sus hábitos y costumbres, alabando las cualidades que cada cual tenía y acabando por hacerles formar parte de su iconografía sagrada, llegando a divinizarlos.

Eso no significaba que no hubiera que tomar precauciones, y por ello, Nemenhat caminaba siempre acompañado de su arco al que se había aficionado. Era un arco magnífico que él mismo se había fabricado tomando como referencia el utilizado por los arqueros reales. Como el muchacho disponía de pulso firme y una vista muy aguda, hacía puntería con gran facilidad y pronto se convirtió en un extraordinario tirador.

Después de pasear por los frondosos palmerales que rodeaban la ciudad, solía dirigirse a su lugar preferido; un altozano situado en los lindes del desierto, desde el que tenía buena vista. Desde allí veía a los pescadores compitiendo por la pesca, por la que a veces llegaban a pelearse, y a los cazadores que gritaban alborozados al atrapar los pájaros en sus redes; aquello le gustaba. Mirar el Valle sentado sobre las primeras arenas del desierto, creaba el más grandioso de los contrastes; y él sentía su poder. El desierto le atrapaba con su enigmática belleza, hasta el punto, de experimentar por él un extraño hechizo. [1]

[1] Antonio Cabanas. El Ladron de Tumbas; pág. 175-176.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Ester e Herodíades


4ª Semana Comum | Sexta-feira
Primeira Leitura (Eclo 47,2-13)
Responsório (Sl 17)
Evangelho (Mc 6,14-29)

A cena do Evangelho de hoje é muito semelhante a outra ocorrida séculos antes, narrada no livro de Ester. Uma linda moça encantara a um certo rei e este, em um momento de êxtase romântico, lhe deu o direito de fazer uso de seu poder, ainda que por um breve instante. Até as utilizadas pelo rei são as idênticas: pede-me o que quiseres e eu te darei, ainda que seja a metade do meu reino... Mas, após isso a história toma rumos diferentes, justamente por culpa da mulher. A moça da primeira história, Ester, era uma mulher de valor, uma moça virtuosa que usa de sua beleza e influência sobre o rei para conseguir a liberdade para o povo de Israel. A segunda moça, a filha de Herodíades, não possuía virtude e, manipulada por sua mãe (outra vagabunda) , pede a cabeça de São João Batista. Até então Herodes estava relutante... Não, ele não era um homem bom, mas ainda não tinha dado o passo final em direção ao abismo, ele foi empurrando para lá pela mulher.

A influência feminina sobre o homem é, pois, uma certeza (salvo se tratar de um celibatário), todavia o caráter da mulher que exerce tal influência é determinante entre o céu e o inferno, entre a salvação do povo e a morte do profeta. Existem santas e existem vagabundas, Ester e Herodíades... Quiçá o homem saiba discernir, antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Chá de ninfa?

Já é de noite no momento em que escrevo esse texto, e até que o termine, creio que meu chá já esfriou. Dentre outras coisas, o chá de hortelã é recomendado para uma noite de sono tranquila, por suas propriedades calmantes. E este é justamente o tema desse texto, o chá ou mais especificamente a Hortelã. 

Há uma antiga lenda grega que trata da origem desta planta: Minta ou Menta era uma ninfa que habitava no rio Cocito, e não uma ninfa qualquer, mas a mais bela de todas elas. Sua beleza era tamanha, que despertara a paixão de Hades, o rei dos mortos. Só que havia um probleminha... Nessa época Hades já era casado com Perséfone. Como os mitos gregos são uma servergonhice de fazer inveja a qualquer novela da globo, Minta tornou-se amante de Hades, e não obstante passou a gabar-se que este expulsaria a Perséfone, e faria dela (Minta) sua esposa e rainha do submundo. É claro que a outra dona não gostou nada dessa história e ao descobrir o caso, amaldiçoou Minta transformando-a em uma planta, a menta[1]. Ou seja, esse cházinho que estou bebendo (ou infusão a depender de sua perspectiva teórica) um dia já foi uma bela waifuzinha que abalou o submundo. É claro que é apenas uma lenda boba, mas é divertido pensar a respeito, não? 

Voltando as propriedades medicinais do chá de hortelã (cujo nome científico é Mentha×piperita), é também excelente no alívio dos gases intestinais, pois ele aumenta a secreção do suco digestivo e, com isso, reduz as contrações musculares estomacais. Sendo indicado para combater o inchaço e a flatulência. Outro uso interessante da erva é no alívio de náuseas e enjoos, justamente graças as propriedades que aliviam as contrações do estômago.  Li também que a hortelã é uma erva rica em antioxidantes, que ajudam a proteger e reparar as células dos danos causados por radicais livres[2], embora eu realmente não entenda nada disso... Ah, e minha avó dizia que era bom para gripe também! 

Seja como for, se a mitologia e a medicina não forem bons argumentos, saiba que o sabor da bebida é agradável e com um pouco de mel fica melhor ainda.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Quem não domina é dominado


3ª Semana Comum | Segunda-feira
Primeira Leitura (2Sm 5, 1-7.10)
Responsório (Sl 88)
Evangelho (Mc 3,22-30)

A primeira leitura comenta brevemente sobre a conquista da cidade de Jerusalém pelo rei Davi. A cidade pertencia aos jebuseus, mas pouco importa. O Senhor dos Exércitos abençoou a Davi, que tomou posse desta e lá estabeleceu a capital do seu reino. Posteriormente seu filho Salomão ali edificaria o templo do Senhor.

Deus usa da guerra - e o faz com relativa frequência - para realizar seus desígnios. A dinâmica da conquista, o domínio e mesmo a subjugação e eliminação de povos ímpios figuram não apenas não apenas a "lei do mundo", mas a própria história sagrada. Todavia, desde a Segunda Guerra, conseguiram infundir nos homens uma vergonha e um desprezo para com uma realidade tão elementar. Tantos cristãos, por vezes, pedem desculpas pelas conquistas de seus ancestrais, sentem-se constrangidos pelas vitórias militares do passado. E essa perspectiva pacifista faz com que acumulem - no presente - derrota atrás de derrota. Quem não domina é dominado. Aqueles que insistem em bobagens pacifistas, terminarão como escravos daqueles que ainda conservam o mínimo de bom senso, armas e coragem para fazer valer sua vontade. O mundo é assim, a diplomacia e o diálogo não são absolutos, mas tem limites bem estreitos. Parece que alguns líderes políticos desta era - escrevo no contexto do risco de que a Ucrânia venha a ser invadida e tomada pela Rússia - pretendem recordar-nos disso de forma não muito amigável.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Justa desigualdade e necessário anti-populismo


Sexta-feira depois da Epifania
Primeira Leitura (1Jo 5,5-13)
Responsório (Sl 147)
Evangelho (Lc 5,12-16)

1. <Com nenhum outro povo Ele agiu assim, a nenhum deles manifestou seus mandamentos (Sl 147/146B, 9/20)>; o versículo expressa o espanto e a alegria do salmista ante a preferência divina manifesta para com Israel, nação esta que recebeu os primórdios da revelação e transmitiu o sangue e a carne ao Messias. Para além disso, o trecho também expressa uma verdade de fé que gostamos de esquecer nestes tempos em que ideias toscas, como igualitarismo, tem uma popularidade demasiada. Deus não trata de forma igualitária a todas as nações, antes distribui seus dons entre elas de forma desigual. E por um motivo muito simples: para que nenhuma se baste a si mesma, mas tenham que depender umas das outras, ocasião propícia para o desenvolvimento da virtude da humildade e para a prática da caridade. Determinada ação tem um talento artístico inigualável, outra encontra uma esterilidade criativa nesta área, mas possuí um gênio comercial sem tamanho. Esta é pateticamente pacifista e incapaz de defender-se, em compensação porém possuí grande talento diplomático. Aquela uma valentia e expertise militar sem igual, etc etc. O Império Romano fora capaz de compreender tal realidade, de tal forma que adotou a cultura grega, a religião cristã e táticas militares de muitos dos povos vizinhos. Soube aproveitar aquilo que havia de positivo fora de suas fronteiras. O que nos impede de fazer o mesmo?

2. A multidão procurava a Cristo e Ele com frequência dela se afastava para rezar em lugares desertos. Sem oração ninguém suporta a lida com as massas. Esqueça o romantismo populista latino americano do século passado, a mentalidade politiqueira de véspera de eleição. Aquilo é uma farsa. O convívio humano é sempre um desafio, tanto maior quanto mais numerosos forem aqueles com que se tem de conviver. É preciso que existam momentos de solidão e oração, afim de recarregar as energias, afim de que o indivíduo não perca sua identidade, não venha a se dissolver no formigueiro humano informe, nem dê vazão irar a ponto de desestabilizar a já frágil harmonia social. Quem se ajunta a multidão por que gosta de ''estar junto com o povo'' é doido. Os santos o fazem antes por caridade. A multidão não é boa, é desprezível. Mas Deus os ama, então há que se ter paciência e exercer a caridade para com ela...