quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Chá de ninfa?

Já é de noite no momento em que escrevo esse texto, e até que o termine, creio que meu chá já esfriou. Dentre outras coisas, o chá de hortelã é recomendado para uma noite de sono tranquila, por suas propriedades calmantes. E este é justamente o tema desse texto, o chá ou mais especificamente a Hortelã. 

Há uma antiga lenda grega que trata da origem desta planta: Minta ou Menta era uma ninfa que habitava no rio Cocito, e não uma ninfa qualquer, mas a mais bela de todas elas. Sua beleza era tamanha, que despertara a paixão de Hades, o rei dos mortos. Só que havia um probleminha... Nessa época Hades já era casado com Perséfone. Como os mitos gregos são uma servergonhice de fazer inveja a qualquer novela da globo, Minta tornou-se amante de Hades, e não obstante passou a gabar-se que este expulsaria a Perséfone, e faria dela (Minta) sua esposa e rainha do submundo. É claro que a outra dona não gostou nada dessa história e ao descobrir o caso, amaldiçoou Minta transformando-a em uma planta, a menta[1]. Ou seja, esse cházinho que estou bebendo (ou infusão a depender de sua perspectiva teórica) um dia já foi uma bela waifuzinha que abalou o submundo. É claro que é apenas uma lenda boba, mas é divertido pensar a respeito, não? 

Voltando as propriedades medicinais do chá de hortelã (cujo nome científico é Mentha×piperita), é também excelente no alívio dos gases intestinais, pois ele aumenta a secreção do suco digestivo e, com isso, reduz as contrações musculares estomacais. Sendo indicado para combater o inchaço e a flatulência. Outro uso interessante da erva é no alívio de náuseas e enjoos, justamente graças as propriedades que aliviam as contrações do estômago.  Li também que a hortelã é uma erva rica em antioxidantes, que ajudam a proteger e reparar as células dos danos causados por radicais livres[2], embora eu realmente não entenda nada disso... Ah, e minha avó dizia que era bom para gripe também! 

Seja como for, se a mitologia e a medicina não forem bons argumentos, saiba que o sabor da bebida é agradável e com um pouco de mel fica melhor ainda.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Quem não domina é dominado


3ª Semana Comum | Segunda-feira
Primeira Leitura (2Sm 5, 1-7.10)
Responsório (Sl 88)
Evangelho (Mc 3,22-30)

A primeira leitura comenta brevemente sobre a conquista da cidade de Jerusalém pelo rei Davi. A cidade pertencia aos jebuseus, mas pouco importa. O Senhor dos Exércitos abençoou a Davi, que tomou posse desta e lá estabeleceu a capital do seu reino. Posteriormente seu filho Salomão ali edificaria o templo do Senhor.

Deus usa da guerra - e o faz com relativa frequência - para realizar seus desígnios. A dinâmica da conquista, o domínio e mesmo a subjugação e eliminação de povos ímpios figuram não apenas não apenas a "lei do mundo", mas a própria história sagrada. Todavia, desde a Segunda Guerra, conseguiram infundir nos homens uma vergonha e um desprezo para com uma realidade tão elementar. Tantos cristãos, por vezes, pedem desculpas pelas conquistas de seus ancestrais, sentem-se constrangidos pelas vitórias militares do passado. E essa perspectiva pacifista faz com que acumulem - no presente - derrota atrás de derrota. Quem não domina é dominado. Aqueles que insistem em bobagens pacifistas, terminarão como escravos daqueles que ainda conservam o mínimo de bom senso, armas e coragem para fazer valer sua vontade. O mundo é assim, a diplomacia e o diálogo não são absolutos, mas tem limites bem estreitos. Parece que alguns líderes políticos desta era - escrevo no contexto do risco de que a Ucrânia venha a ser invadida e tomada pela Rússia - pretendem recordar-nos disso de forma não muito amigável.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Justa desigualdade e necessário anti-populismo


Sexta-feira depois da Epifania
Primeira Leitura (1Jo 5,5-13)
Responsório (Sl 147)
Evangelho (Lc 5,12-16)

1. <Com nenhum outro povo Ele agiu assim, a nenhum deles manifestou seus mandamentos (Sl 147/146B, 9/20)>; o versículo expressa o espanto e a alegria do salmista ante a preferência divina manifesta para com Israel, nação esta que recebeu os primórdios da revelação e transmitiu o sangue e a carne ao Messias. Para além disso, o trecho também expressa uma verdade de fé que gostamos de esquecer nestes tempos em que ideias toscas, como igualitarismo, tem uma popularidade demasiada. Deus não trata de forma igualitária a todas as nações, antes distribui seus dons entre elas de forma desigual. E por um motivo muito simples: para que nenhuma se baste a si mesma, mas tenham que depender umas das outras, ocasião propícia para o desenvolvimento da virtude da humildade e para a prática da caridade. Determinada ação tem um talento artístico inigualável, outra encontra uma esterilidade criativa nesta área, mas possuí um gênio comercial sem tamanho. Esta é pateticamente pacifista e incapaz de defender-se, em compensação porém possuí grande talento diplomático. Aquela uma valentia e expertise militar sem igual, etc etc. O Império Romano fora capaz de compreender tal realidade, de tal forma que adotou a cultura grega, a religião cristã e táticas militares de muitos dos povos vizinhos. Soube aproveitar aquilo que havia de positivo fora de suas fronteiras. O que nos impede de fazer o mesmo?

2. A multidão procurava a Cristo e Ele com frequência dela se afastava para rezar em lugares desertos. Sem oração ninguém suporta a lida com as massas. Esqueça o romantismo populista latino americano do século passado, a mentalidade politiqueira de véspera de eleição. Aquilo é uma farsa. O convívio humano é sempre um desafio, tanto maior quanto mais numerosos forem aqueles com que se tem de conviver. É preciso que existam momentos de solidão e oração, afim de recarregar as energias, afim de que o indivíduo não perca sua identidade, não venha a se dissolver no formigueiro humano informe, nem dê vazão irar a ponto de desestabilizar a já frágil harmonia social. Quem se ajunta a multidão por que gosta de ''estar junto com o povo'' é doido. Os santos o fazem antes por caridade. A multidão não é boa, é desprezível. Mas Deus os ama, então há que se ter paciência e exercer a caridade para com ela...