sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Justa desigualdade e necessário anti-populismo


Sexta-feira depois da Epifania
Primeira Leitura (1Jo 5,5-13)
Responsório (Sl 147)
Evangelho (Lc 5,12-16)

1. <Com nenhum outro povo Ele agiu assim, a nenhum deles manifestou seus mandamentos (Sl 147/146B, 9/20)>; o versículo expressa o espanto e a alegria do salmista ante a preferência divina manifesta para com Israel, nação esta que recebeu os primórdios da revelação e transmitiu o sangue e a carne ao Messias. Para além disso, o trecho também expressa uma verdade de fé que gostamos de esquecer nestes tempos em que ideias toscas, como igualitarismo, tem uma popularidade demasiada. Deus não trata de forma igualitária a todas as nações, antes distribui seus dons entre elas de forma desigual. E por um motivo muito simples: para que nenhuma se baste a si mesma, mas tenham que depender umas das outras, ocasião propícia para o desenvolvimento da virtude da humildade e para a prática da caridade. Determinada ação tem um talento artístico inigualável, outra encontra uma esterilidade criativa nesta área, mas possuí um gênio comercial sem tamanho. Esta é pateticamente pacifista e incapaz de defender-se, em compensação porém possuí grande talento diplomático. Aquela uma valentia e expertise militar sem igual, etc etc. O Império Romano fora capaz de compreender tal realidade, de tal forma que adotou a cultura grega, a religião cristã e táticas militares de muitos dos povos vizinhos. Soube aproveitar aquilo que havia de positivo fora de suas fronteiras. O que nos impede de fazer o mesmo?

2. A multidão procurava a Cristo e Ele com frequência dela se afastava para rezar em lugares desertos. Sem oração ninguém suporta a lida com as massas. Esqueça o romantismo populista latino americano do século passado, a mentalidade politiqueira de véspera de eleição. Aquilo é uma farsa. O convívio humano é sempre um desafio, tanto maior quanto mais numerosos forem aqueles com que se tem de conviver. É preciso que existam momentos de solidão e oração, afim de recarregar as energias, afim de que o indivíduo não perca sua identidade, não venha a se dissolver no formigueiro humano informe, nem dê vazão irar a ponto de desestabilizar a já frágil harmonia social. Quem se ajunta a multidão por que gosta de ''estar junto com o povo'' é doido. Os santos o fazem antes por caridade. A multidão não é boa, é desprezível. Mas Deus os ama, então há que se ter paciência e exercer a caridade para com ela...

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