segunda-feira, 21 de março de 2022

A Providência, a guerra e as nações pagãs


3ª Semana da Quaresma | Segunda-feira
Primeira Leitura (2Rs 5,1-15a)
Responsório (Sl 41)
Evangelho (Lc 4,24-30)

<Naamã, general do exército do rei da Síria, gozava de grande prestígio diante de seu amo e era muito considerado, porque, por meio dele, o Senhor salvou a Síria. Era um homem valente, mas leproso. (2Rs 5,1) >

Naamã era um pagão. Não apenas um pagão, mas um general Sírio, um homem que vivia da guerra. E a escritura nos diz que Deus o usou para salvar a Síria. Você provavelmente não escutará muitos comentários a respeito disso hoje. Há uma tendência de se fazer uma leitura um tanto quanto míope das Sagradas Escrituras, demasiado afetada pela sensibilidade (no caso do Brasil, sempre exacerbada) da parte do pregador. As nações pagãs, por mais que estejam em má situação, não são ignoradas por Deus. A Providência governa sua história, inspira seus heróis. A guerra, pode servir aos planos do Altíssimo. A aceitação desses fatos de outrora, não implica necessariamente um juízo sobre os fatos do presente (a saber a guerra russo-ucraniana); o processo é um tanto mais longo e complexo... Todavia, quantos não fazem o caminho inverso temerosamente. Dotados de um juízo definitivo e universal sobre o presente, tratam de adulterar o passado e quiçá as escrituras, afim de revestir suas opiniões com a aura de uma lei eterna.

As "piedades liberais" (pacifismo, direitos humanos, fraternidade universal) ecoadas em nossas igrejas, por mais que sejam desvios compreensíveis nestes tristes tempos de guerra, não deixam de incomodar. E muito provavelmente isso persistirá para além do tempo tolerado, até hoje a cultura eclesial está imersa nos erros advindos da resposta sentimental ao trauma da segunda guerra mundial...

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