sexta-feira, 25 de março de 2022

Mistério


Anunciação do Senhor | Sexta-feira
Primeira Leitura (Is 7,10-14;8,10)
Responsório (Sl 39)
Segunda Leitura (Hb 10,4-10)
Evangelho (Lc 1,26-38)

Nem a Imaculada Virgem entendia perfeitamente os mistérios divinos, quiçá nós. Na cena da Anunciação, ela se perturba com a saudação do anjo e passa a meditar o significado desta em seu interior, bem como interroga-o - de modo absolutamente discreto - como ela daria luz a um filho, uma vez que já havia feito um voto perpétuo de virgindade. Na tradução para o português do hino eucarístico composto por Santo Tomás de Aquino (tradução esta que embora não o seja absolutamente literal, é artisticamente adequada), se lê: <Adoro-te devotamente, ó Divindade escondida>;  escondida, perplexidade, inquietações, mistério: palavras comuns em qualquer experiência espiritual autêntica. Ante uma realidade que muito difere da nossa, que é infinitamente superior a nossa compreensão, há como que uma névoa, todo um universo escondido, há dúvidas e interrogações. Quão triste - e arrogante - o é quando o pregador (ou nós mesmos) toma uma postura de quem tudo sabe, como se pudesse compreender e explicar nos mínimos detalhes as realidades divinas. Nos últimos dias temos visto isso com relação as profecias de Fátima, todo mundo tem uma opinião sobre, ninguém tem dúvidas, inquietações, ninguém precisa espera a consagração acontecer e observar seus efeitos... Amiguinho palestrinha, será que você pode - por obséquio - ficar quieto um instante e nos deixar comtemplar o espetáculo da ação divina sobre o mundo? Ele é um autor e um narrador infinitamente mais competente...

Nenhum comentário:

Postar um comentário